Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal - XLVII - Demais Locais (02)
Walter Jorge

            Dando continuidade aos nossos artigos sobre os mistérios que cercam o Santo Graal, trazemos para conhecimento outros locais onde o mesmo poderia estar, conforme alguns escritores e historiadores.

Demais Locais (segunda parte – final)

CASTELO DE DINAS BRÂN

            Também conhecido como Castelo de Cobernic, foi construído no século XIII sobre os restos de um outro mais antigo, que se presume ser da Idade do Ferro. Encontra-se situado no cume de uma montanha que se eleva sobre o vale do rio Dee, em Llangollan, no país de Gales.

            As lendas do Castelo de Dinas Brân estão associadas ao rei da Britânia e são mencionada no Mabinogion, data dos tempos do rei Arthur. O forte da Idade do Ferro, se presume, havia sido o lugar onde habitavam os reis de Powys.

Ruínas do Castelo de Cobernic

            O nome Dinas Brân deriva do rei Bran Fendigaid, “o bendito”, um deus Celta conhecido na mitologia irlandesa e galesa. No mito galés, Fendigaid (igual ao rei Arthur) realizou uma longa viagem para recuperar um recipiente mágico da abundância, um caldeirão celta do renascer. Como o rei do Graal, Bran havia sido ferido com uma lança, tornando-se estéril suas terras até o momento em que a ferida fora curada. Deste modo é como aparece Bran (uma antiga lenda celta) transformado no primeiro dos reis da saga do Graal, convertido neste caso em Bron, genro de José de Arimatéia.

            O castelo de Dinas Brân ganhou um lugar de grande importância na historia do Santo Graal. Como temos visto, muitos manuscritos franceses dos séculos XII e XIII refere-se ao Graal no norte de Gales. A relação entre o castelo do Graal e Dinas Brân, tem como chave o nome Cobernic. Por exemplo, em Quête du Saint Graal, Galahad, filho de Lancelot e Elaine, é educado por sua mãe e conduzido a corte do rei Arthur por um ancião vestido de branco e passa na prova do Assento Perigoso. Galahad, em companhia de Perceval e Bors, triunfa na busca do Graal quando chega a Cobernic, o castelo do rei Tullido, onde encontra o cálice sagrado. Na missa que celebra o bispo Josefés, filho de José de Arimatéia, Galahad toma a lança de Longinos e cura o rei Tullido ao tocar-lhe com o sangue que dela goteja.

            Cobernic em francês, vem de Corben (corvo), que em galés se diz Bran (o castelo de Dinas Brân é, com efeito, às vezes conhecido como castelo do corvo), o que faz presumir que o famoso castelo de Dinas Brân ou castelo de Corbenic foi na verdade a sede do Graal.

CASTELO DO MONTE

            Famoso castelo devido a sua peculiaridade estrutural octogonal, pode ter sido um templo dedicado à meditação e para a difusão da cultura. Foi construído em uma área situada na província de Bari, na Itália, a 18 km de Andria. Encontra-se sobre uma colina com 540 m de altura, cada um dos seus oito lados medem 16,50m.

Castelo do Monte – Entrada

Foi construído por Frederico II de Hohenstaufen, (filho de Henrique VI de Hohenstaufen) imperador da Alemanha (1202-1250) e outrora rei da Sicília (1197-1250), entre os anos 1229 e 1249, provavelmente para a sua residência. Os Hohenstaufen eram uma família que descendia dos suavos, os quais costumavam utilizar muitas vezes esse tipo de estrutura octogonal.

            Sobre essa mesma colina existia antigamente um monastério beneditino com uma Igreja dedicada a Santa Maria del Monte. No ano de 1249, Violante, a filha ilegítima dos reis ali se casou. Posteriormente esse local foi utilizado como prisão, seus primeiros prisioneiros foram os netos de Frederico II; Henrique, Frederico e Azzolino, encarcerados por Carlos d´Anjou em 1265. Famílias nobres de Angria se refugiaram no castelo durante a praga que assolou a região em 1665.

Vista aérea do Castelo do Monte

            Frederico II competidor vitorioso de Otto de Braunschweig no Império, foi proclamado rei dos romanos em 1216 e depois coroado imperador de Roma (1220). Entrou em conflito com a Liga Lombarda e foi excomungado pelo papa Gregório IX (1227). Apesar disso, partiu para uma cruzada e obteve a cessão de Jerusalém em 1229.

            Durante muito tempo se associou o Castelo do Monte com o mistério do Santo Graal, já que os Cavaleiros Teutônicos estiveram em contato com os místicos orientais sufi (uma seita mística islâmica) e com Frederico II, que havia seguido esta mesma doutrina. Através desses cavaleiros, os sufi haviam encomendado o Graal ao imperador para preservá-lo da destruição desencadeada pelas cruzadas, versão essa não confirmada até a presente data.

CASTELO DE NEUSCHWANSTEIN

            Este castelo foi construído nas proximidades da cidade de Fussen na Alemanha. Uma velha calçada romana atravessa a região e é chamada de Via Claudia que vai desde Wuerzburg até Innsbruck;.

            O Castelo de Neuschwanstein foi construído pelo rei Luis II “o louco” da Baviera (Ludwing II), que foi coroado em 1864, aos 18 anos. A sua construção começou em 1869 no cume de um monte nas proximidades do lago Alpsee e da cascata da quebrada Pollet. Luis II também era chamado de o rei Cisne, reinou desde 1864 até 1886 sendo o último príncipe feudal germano. No dia 13 de junho de 1886 o corpo de Luis II foi encontrado no lago próximo ao castelo. Supõe-se que ele possa ter sido assassinado, mais a hipótese de suicídio é a mais aceita.

Castelo de Neuschwanstein com a sua torre de mais de 90 metros

            A sua construção deu-se em uma época em que os castelos e as fortalezas já não eram necessários do ponto de vista estratégico. Foi, antes, uma obra da fantasia pura e simples, uma bela composição romântica de torres e muralhas localizadas numa paisagem perfeita de montanhas e lagos. A combinação de vários estilos arquitetônicos e a riqueza de seus detalhes tem inspirado gerações tanto de crianças como de adultos, motivo pelo qual a Disney serviu de modelo para o Castelo da Cinderela.

            Luis II era um devoto apaixonado pelas músicas do compositor Richard Wagner e tinha a fantasia de ser ele mesmo o rei do Graal. Dotou então o seu castelo de diversas salas como a “Sangerhalle” (sala cantante), foi desenhada como se fora o Templo do Graal, com murais que representam cenas da versão de Parcival do poeta alemão. O castelo além de pretender ser o castelo de Lohengrin do Graal, também inclui a figura de um outro herói germano como Tunnhãuser. Outra sala do Castelo é a “Thronraum” (sala do trono), que foi construída como a Sala do Graal da cenografia de Parsival. A mesma foi desenhada em estilo bizantino por Edward Ille.

            O Castelo de Neuschwanstein foi concebido originalmente como um monumento aos “Minnesanger” (de Minne, amor e sanger, cantante) que era o nome que se dava aos poetas líricos alemães dos séc. XII e XIII. Porém foi logo reinterpretado exclusivamente como o Castelo do Graal. Devido à sua morte prematura, Luis II não conseguiu concluir a decoração de todas as salas do seu castelo. Atualmente é um dos castelos mais fotografados, encontra-se aberto para visitações com guias.

ANTIÓQUIA

            Antioquia na Turquia – Em 1910, arqueólogos descobriram lá uma magnífica taça de vidro e prata. Em 1933, a mesma foi exibida em Chicago como o “Cálice da Última Ceia”. Hoje está depositada no Metropolitan Museum de Nova York.

CEBREIRO

            Cebreiro na Espanha – Na Igreja local existe o famoso “Cálice do milagre”, uma jóia românica do século XII, a ele é atribuída o milagre da transformação da hóstia e do vinho em carne e sangue que ocorreu durante uma cerimônia religiosa sob uma tormenta de neve e chuvas, gerando inclusive uma bela lenda a respeito.

O autor perante o cálice no Cebreiro

GÊNOVA

            Gênova na Itália – Na Catedral local encontra-se “il santo catino”, um recipiente de vidro esverdeado que, segundo cronistas medievais, teria sido capturado pelos cruzados durante o saque a uma mesquita na Judéia, essa lenda está intimamente ligada ao Cruzado Guglielmo.

OSETTES

            Osetes, o Narta Monga na Rússia – Nas montanhas do Cáucaso na Rússia, há um pequeno grupo de pessoas que conhecem histórias de um caldeirão mágico chamado “Amonga”. Este caldeirão tem propriedades em comum com o Graal das histórias Arthurianas. Servido cheio de bebida, dava conhecimento e era servido apenas por alguém que fosse merecedor.

            Os Narts eram uma raça heróica de uma região chamada Osettes. As histórias deles continham uma semelhança notável com as lendas Arthurianas.

            Será que existe mais um outro local reendivicando possuir o Graal? Não sabemos, no entanto devido aos mistérios que cercam a existência do mesmo, é bem possível.

            Aguardem no próximo artigo, quando traremos para os nossos leitores algo diferente a respeito do Graal, nada mais do que o grande compositor alemão Richard Wagner e a sua opera “PARSIVAL”.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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