Peregrino Walter Jorge

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
O Santo Graal - XLIII - Troyes
Walter Jorge

            Um outro local onde segundo os historiadores e pesquisadores informam onde o Santo Graal poderia estar escondido, é a cidade Troyes na França, no entanto, o mesmo estaria representado pela figura de um prato e que desapareceu quando da Revolução Francesa.

            Vejamos a sua história

            TROYES é uma cidade situada em Champagne, na França, produtora de vinho, possuindo belas igrejas, sendo a principal a Catedral de St. Pierre-et-St.-Paul em estilo gótico flamboyant, sua fachada encontra-se danificada, porém o seu interior abobadado é espetacular. Possui também uma Igreja dedicada ao culto de Maria Madalena, é a Igreja de Sta. Madeleine conhecida por seu anteparo rendado com motivos de folhagens, uvas e figos. Atrás há uma parede de vitrais em tons marrom, vermelho e azul.

Cidade de Troyes

            A cidade de Troyes está ligada ao Santo Graal devido ao fato de que Chrétien de Troyes (1135-1183) ser um poeta local. Chrétien estudou para ser padre, mas, depois de aprender latim, tornou-se tradutor e escritor famoso, pertencia à corte de Marie de Champagne sua patrona, onde fez carreira como poeta e escritor. Escreveu versos inspirados na poesia dos trovadores antes de iniciar a seqüência de romances, todos eles ligados ao Ciclo Arturiano: Érec et Énide, Cligès ou la fausse morte, Lancelot ou le chevalier à la charrette, Yvain ou le chevalier au lion e Perceval ou le conte du Graal.  Todos esses romances foram escritos em verso. Dedicou seus romances para Marie, Condessa de Champagne, que era não só esposa de Henrique o Conde de Campagne, mas também uma das filhas de Luiz VII da França com Eleonor da Aquitânia.

            Chrétien era muito popular na época, destacou-se como a mais influente e inovadora figura da literatura vernácula do séc. XII. Fundador do gênero romanesco, suas obras foram traduzidas e imitadas por toda a Europa. Inspirou-se num “corpus” de lendas arturianas, essencialmente célticas, e na cultura e sociedade cortesã de seu tempo. Sua principal preocupação parece ter sido as atitudes, hábitos e crenças que caracterizavam a cavalaria de seu tempo e suas implicações morais. A ação de seus romances concentra-se na busca de aventuras por parte do cavaleiro andante, que, diante de vários problemas e crises precipitados normalmente pelo amor, cresce em estatura quando adquire uma identidade e novos valores o que o habilita a realizar melhor seu potencial individual e cumprir plenamente seu papel na sociedade.

            Chrétien havia construído sua reputação traduzindo histórias clássicas do latim e do grego, antes de se dedicar a compor uma série de histórias cavalerescas sobre os cavaleiros como Sir Lancelot, Sir Gawain e Sir Percival. Esses escritos deram origem a uma enxurrada de histórias sobre o rei Arthur e seus Cavaleiros da Távola Redonda.

            Diz-se que a Condessa Marie fez da Corte de Champagne o vinhedo da cultura e da cavalaria, mas quando seu marido, Conde Henrique, morreu quase imediatamente ao retornar das Cruzadas, ela se retirou da vida pública. Quando Marie veio a falecer em 1181, um dos seus primos Felipe da Alsácia, Conde de Flandres, virou seu patrono.

Igreja de Sta. Madeleine

            No século XII, quando Chrétien de Troyes estava compondo seus romances em versos, a prosa era praticamente reservada para as traduções do latim, comentários ou paráfrases de textos sagrados e em particular os sermões. No século XIII, a prosa tornou-se o veículo utilizado nas crônicas. Quando aconteceu dos escritores iniciarem a transformação em prosa dos romances arturianos escritos em versos por volta de 1210, os textos acabaram por revelarem-se mais históricos e mais religiosos. O enfoque dos enredos mudou da cavalaria cortês para a busca do Graal e a matéria organizou-se num ciclo de obras que passou a ter como objetivo recontar toda a história do Graal desde as suas origens na paixão de Cristo até a completa realização da busca do Santo Graal pelo seu cavaleiro preferido.

            Quando lhe pediram para identificar suas fontes, Chrétien alegou que tinha lido a história do Graal em um dos livros que fora presente de seu patrono, Felipe. De fato, é a ele que a história do Graal é dedicada. Infelizmente Felipe morreu no cerco de Acre em 1191, durante a Terceira Cruzada. Por isso o poema nunca foi terminado.

            Apesar da decisão de Chrétien de não terminar sua história, mesmo assim a narrativa do Santo Graal ganhou vida própria. Foram feitas adaptações diretas do francês antigo para o holandês médio e o galês antigo.

            Alguns anos depois, por volta de 1200, outro poeta e escritor, Wolfram von Eschenbach também escreveu uma outra versão sobre o Graal, afirmava com grande segurança que a versão da história do Graal escrita por Chrétien estava errada, enquanto que a sua era a correta, porque estava baseada sobre informações privilegiadas. Tais informações vieram de um certo “Kyot de Provence”.

            A cidade de Troyes também está intimamente ligada à história do Santo Graal por um outro fato, foi nela que São Bernardo de Clairvaux (1090-1153) traçou as regras da Ordem Templária, que havia, por sua vez, estreitos relacionamentos com a cidade. É muito difícil sustentar que, ninguém em uma cidade importante para os cavaleiros, fosse a corrente do reencontro do Graal por parte dos mesmos. Se a Chrétien traz ao nosso conhecimento somente de um fragmento da verdade, é fácil que tenha nesse momento, por principio, escrito o seu “Perceval ou le Conte du Graal”  sob a base de um fato verdadeiro, construindo um poema sobre o cálice.

            Também é conveniente ressaltar que, na obra de Chrétien de Troyes, do Graal se fala pouquíssimo, Percival o protagonista da história, não informa nunca a verdadeira identidade do objeto, e o autor não dá qualquer informações sobre a relíquia. Wolfram Von Eschembach, que podia usufruir uma fonte como a de Kyot, diretamente em contato com a família Monferrato, ataca os erros e dos absurdos textos dos poetas franceses, iniciando seu poema sublinhando o fato de que a versão de Chrétien de Troyes estava errada, se bem que, “Parzifal” não pode ser lido como um rigoroso documento histórico.

            As lendas informam que o suposto prato utilizado na última ceia foi roubado da Igreja de Bucoleon em Constantinopla, pelos cruzados em 1203. Eles o teriam levado para Troyes.  O prato sumiu durante a Revolução Francesa e até o momento não existe nenhuma pista sobre a sua localização.

            Em continuação vamos a cidade de Aberystwyth na Inglaterra a procura do Graal.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright  1996-2003