Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal - XXXVIII - Capela Rosslyn –3
Walter Jorge

Continuando os nossos artigos sobre os mistérios que cerca a Capela de Rosslyn na Escócia, trazemos para os nossos leitores o final da história de um dos locais onde poderia estar localizado o “Santo Graal” conforme atestam escritores, historiadores e pesquisadores e porque não caçadores de tesouros. 

Capela Rosslyn  (terceira parte – final)

            O fato dos Sinclairs tomarem a iniciativa de construírem uma capela cristã é, no mínimo curioso. Sabe-se que, na idade média, as atividades dos Sinclairs eram de promover celebrações ditas na época “pagãs”, assim como proporcionar acampamentos seguro aos ciganos (o povo cigano é conhecido por cultuarem a Santa Sara Kali, e a lenda da Virgem Negra e o Santo Graal), assunto esse muito ligado à fuga de Maria Madalena de Jerusalém (vide capítulos XXV a XXVII desse trabalho). Muitas autoridades acreditavam haver uma “Virgem Negra” na cripta da Capela de Rosslyn.

            Se tudo isso forma uma mensagem secreta, ninguém sabe ao certo. Mas é fato que nada está ali por acaso. Há registro mais confiável sobre o lugar escrito por um padre pouco mais de 200 anos depois da construção, narra em detalhes como o próprio Sir William St. Clair, o fundador da Capela, acompanhou minuciosamente a construção – desde o seu desenho até a posição exata de cada entalhe. Pedreiros e artesãos foram trazidos de outros reinos e regiões e a partir desse ponto a vila de Roslin surgiu e cresceu para abrigá-los.

A Capela de Rosslyn em reforma – ano de 2006

            Existe sob a Capela de Rosslyn uma enorme câmara, uma verdadeira cripta onde, sabe-se, estão enterrados seu fundador e vários membros da família Saint Clair, inclusive alguns cavaleiros em suas armaduras completas.

            No século XVIII, Robert Forbes, bispo de Caithness, pesquisou o terreno e o interior da Capela de Rosslyn, incluindo pelo menos uma parte da extensa área situada embaixo dela, e relatou o que viu em “Na Account of the Chapel of Roslin” (Um relato da Capela de Roslin), de 1774. Ele se refere aos dez barões de Roslin que foram enterrados nas criptas, mas não menciona nenhum tesouro. Aqueles que acreditam que os cavaleiros Sinclair teriam sido sepultados com os supostos tesouros de Rosslyn, criticam Forbes por possivelmente omitir informações. Outros salientam que riquezas ou pergaminhos podem estar guardados em qualquer outro lugar ou que talvez existam outras câmaras sob a capela ou no terreno em volta que Forbes não viu. Até que as criptas de Rosslyn sejam realmente escavadas, nada pode ser afirmado de concreto.

            Mesmo envolta com todo esse mistério, a construção dessa capela, ficou por conta das corporações de artífices nas quais os St. Clairs eram senhores há séculos. Sob orientação dos St. Clairs, os membros escolhiam os candidatos adequados para receber suas instruções ligadas à construção e a “geometria sagrada”. Temas relacionados como a geometria, a história, a filosofia, entre outros. Essa nova irmandade de pedreiros-livres criou uma instituição de caridade para apoiar os membros mais pobres da sociedade.

 

Planta atual da capela

            Entretanto, não se pode deixar de passar o fato de que os Templários foram os precursores do estilo gótico, e chegaram a estabelecer uma regra de vida e trabalho a uma corporação de ofício chamada “Filhos de Salomão”. Com a queda da Ordem, muitos se refugiaram na Escócia. As corporações de pedreiros-livres da Escócia também deram acolhimento aos Templários, nascia assim o primeiro modelo de Maçonaria: pedreiros e não pedreiros, versados em altos conhecimentos, que se reunião em uma confraria e faziam caridade.

            Parece que aparentemente o cerco sobre o “Santo Graal” realmente culmina em Rosslyn. Como foi visto anteriormente, é natural às especulações sobre a posse do Santo Graal por parte da Ordem dos Templários, desde as Cruzadas, ou mesmo devido ao estreito relacionamento da Ordem com os cátaros, no sul da França, onde estes poderiam ter custodiado o Santo Graal desde os primórdios do desembarque do genro de Arimatéia naquela região. Na mesma linha de raciocínio, temos a perseguição aos Templários e o refúgio destes na Escócia, sobre a proteção de Robert the Bruce e por fim, temos os mistérios e os segredos da Capela Rosslyn.

            Mary de Guise – rainha regente da Escócia e mãe de Mary, a rainha dos escoceses -, em uma carta datada de 1546 a Lord William St. Clair, de Rosslyn, refere-se a um grande segredo dentro de Rosslyn que lhe fora mostrado. O que ela viu até hoje ninguém sabe e continua sem explicação. Os escritores Hopkins, Simmons e Wallace-Murphy comentam em seu livro “Rex Deus, pg. 235”:

Elevação

            “Sua atitude é totalmente contrária ao que se poderia esperar. Ela jura ser sua “leal senhora” e o protege e a seus criados pelo resto da vida em gratidão por ter-lhe mostrado um grande segredo dentro de Rosslyn, cuja natureza não é revelada. O tom geral da carta é mais de alguém subserviente a um lorde superior do que de uma soberana a seu vassalo. Isso se deve simplesmente à deferência demonstrada por um representante mais velho de um ramo mais antigo da dinastia de Rex Deus, a saber, Mary de Guise, ao membro mais importante da principal dinastia do grupo , lord William de Roslin.

            Muitos especialistas acreditam que ela viu coisas preciosas e também as jóias perdidas da coroa da Escócia e a Santa Cruz – um pedaço da cruz verdadeira. Duas passagens, datadas de 21 de março de 1545 dos “Atos dos Chefes do Conselho de Assuntos Externos”, indicam que as jóias da coroa e a Santa Cruz foram confiadas a William St. Clair e nunca foram devolvidas. Visto que essas passagens datam de cerca de um ano antes da carta de Mary de Guise a lord William, elas sustentam a idéia de que ela talvez tenha visto esses objetos inestimáveis.

            A Santa Cruz e algumas jóias da coroa escocesa nunca foram encontradas. Porventura elas estariam nas criptas da Capela de Rosslyn? Se lord William era membro mais velho das famílias européias de Rex Deus, essa poderia ser em parte a razão de não devolvê-las, como sugerem Wallace-Murphy e outros? Estariam esses itens preciosos, e outros talvez aguardando o momento certo de serem trazidos a público como alguns acreditam? Estariam de algum modo relacionados ao Reino de Jerusalém, na sucessão histórica daqueles que se dizem descendentes de Cristo? Seja como for, Mary de Guise continua inexplicável para os estudiosos.

Geometria templária na Capela de Rosslyn

            A capela é atualmente muito freqüentada, podemos achar indícios do Graal através de muitas referências em suas paredes de pedra trabalhada e janelas. Partindo-se então da premissa de que o Graal pudesse estar dentro de sua pilastra, foram utilizados detectores de metal, sendo detectado que um objeto do tamanho apropriado poderia realmente está enterrado no meio desta pilastra. Os responsáveis atuais recusa-se a permitir que o pilar seja radiografado.

            Até a presente data não foram permitidas escavações para a procura de tesouros enterrados, ou a procura de subterrâneos, pois a capela encontra-se em funcionamento e a sua estrutura é delicada, a mesma foi negligenciada nos últimos anos e atualmente encontra-se sendo restaurada dentro de um ambicioso projeto. Consultado a respeito, Stuart Beattie, diretor do projeto “Rosslyn Trust” que administra a capela informou: “Estamos mais preocupado com sua conservação. E, francamente, duvido que haja algum segredo escondido aqui”.

            James Simpson, arquiteto dos projetos de conservação em Rosslyn, declara:
            “Talvez não antes de 2010 o programa de conservação e desenvolvimento atualmente planejado esteja concluído. Aos cinqüenta anos ou mais de declínio se seguirão outros trinta para compensar o déficit. Nem será esse o fim da questão; administrar e cuidar de um local como Rosslyn nunca terá fim. Está na própria natureza da “herança” que responsabilidades, assim como direitos, sejam passadas de geração para geração”.

            Atualmente a Capela de Rosslyn deu lugar a uma nova descoberta “a música” escrita em seus relevos. Thomas Mitchell, um músico de 75 anos, ex-criptógrafo da Força Aérea Britânica, juntamente com o seu filho Stuart, pianista, descobriram o que chamou de “música congelada”.

            No seu site: www.tjmitchell.com/stuart/rosslyn.html , os mesmos informam que ficaram intrigados pela gravação existente nos arcos da Capela, onde há 13 anjos músicos e 213 cubos que formam padrões geométricos. Para decifrar esta “partitura”, os Mitchell recorreram a um antigo sistema musical denominado cimática, ou padrão Chladni, formado por ondas sonoras em afinações específicas.

            Os dois ligaram então cada padrão dos cubos gravados a uma afinação Chladni e descobriram uma melodia. A peça foi batizada de “O Moteto de Rosslyn” foi completada com a letra de um hino contemporâneo. Pai e filho já reservaram a Capela para a estréia da obra (dia 18/05), que será interpretada por quatro cantores, acompanhados por oito músicos portando instrumentos medievais.

            Os mistérios a respeito do Santo Graal, rondam e continuarão rondando a Capela de Rosslyn por muitos séculos afora a despeito do que se fale ou do que se escreva.

            No próximo capitulo iremos abordar mais um local onde segundo os historiadores existem evidências de nele se encontrar o Santo Graal, é a cidade de Gastonbury na Inglaterra.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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