Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal - XXXVI - Capela Rosslyn – 1
Walter Jorge

            O local onde provavelmente se encontra o “Santo Graal” é completamente desconhecido, apesar de milhares de caçadores de tesouro terem procurado durante centenas de anos, entretanto uma série de locais é atribuído a sua localização pelos escritores, historiadores e pesquisadores, procurando trazê-los ao conhecimento dos nossos leitores, vamos apenas abordar os locais que detêm os maiores índices de evidências. Em artigos anteriores abordamos a “Fortaleza de Montségur” como um dos lugares onde possivelmente encontra-se o Graal, ou dela foi levado para um outro local, nesse artigo abordaremos a famosa “Capela de Rosslyn”. 

Capela Rosslyn (Primeira Parte)

         A Capela Rosslyn é também conhecida como Catedral dos Códigos, seu nome oficial é “The Collegiate Chapel of Saint Matthew” apesar de nunca ter sido chamada por esse nome, está situada a 11 quilômetros do sul de Edimburgo, em College Hill, em meio ao Roslin Glen com o rio North Esknas, nas proximidades das montanhas de Pentland, na Escócia, no local de um antigo templo dedicado ao culto do deus Mitra. Pesquisas realizadas demonstram da não existência de nenhum registro de que no referido local ter sito objeto do culto a Mitra ou de inspirações arquitetônicas com referência ao Templo de Salomão.

Capela de Rosslyn – seu exterior

                        A pedra fundamental de sua fundação foi lançada no dia dedicado a São Mateus, 21 de setembro de 1446. Atualmente é uma Igreja Episcopal Escocesa. Sua orientação é de leste para oeste. Esta posição foi marcada a partir do nascer do sol dessa data, como era de costume dos pedreiros da época. (quem estiver interessado sobre o assunto referente às construções das igrejas medievais, recomendamos a leitura do livro “Os pilares da Terra” de Ken Follett, Ed. Rocco). Outro costume era usar uma figura geométrica para definir a planta baixa. No caso da Capela de Rosslyn, foi usado um triangulo eqüilátero.

            Sua construção segundo uns é atribuída aos Cavaleiros Templários em 1446, quase 150 anos após a supressão da Ordem Templária, no entanto alguns historiadores informam que a Ordem nada teve a haver com a referida construção. Os próprios domínios de Rosslyn ficavam a poucos quilômetros de antigo quartel general escocês dos Templários, na aldeia Balantradoch, onde ainda hoje podemos ver as ruínas da sua Igreja. Lendas populares afirmam que os últimos Templários fugiram para a Escócia levando os seus tesouros, alguns insistem que a Arca da Aliança, o Santo Graal, os pergaminhos do Templo de Salomão, as jóias da coroa escocesa, uma Madona Negra e ou a cabeça de Cristo mumificada, estão escondidas nos subterrâneos da capela dessa cidade, próxima de Edimburgo.

            O seu exterior apresenta-se como uma rústica catedral no estilo gótico, em pedra primorosamente esculpida, única em toda a Europa, no entanto quando adentramos somos surpreendido pelo grande volume de pedras esculpidas e gravações em suas paredes numa quantidade impressionante de símbolos judeus, cristãos, egípcios, maçônicos e outros originários das tradições pagãs.

            As coordenadas geográficas da capela coincidem precisamente com o meridiano norte-sul que passa por Glastonbury. Essa Linha Rosa longitudinal é o marco tradicional da ilha de Avalon, do rei Arthur, e é considerado o pilar central da geometria sagrada da Grã Bretanha. Foi dessa Linha Rosa sagrada que Rosslyn – que originalmente se escrevia Roslin – tirou seu nome.

Vista aérea da Capela de Rosslyn

            Segundo alguns, os Cavaleiros Templários haviam projetado a Capela Rosslyn segundo a planta do Templo de Salomão em Jerusalém. Por mais de 40 anos e pelo custo de uma fortuna, o terceiro e último príncipe de Orkney, Sir William St. Clair que posteriormente passou a ser escrito “Sinclair” desenhou e construiu a capela. Segundo a lenda local, Sir William Sinclair temia que os segredos caíssem em mãos erradas ou se perdessem. Temia escrever, pois seus escritos poderiam ser queimados ou destruídos, e temia a tradição oral, pois algo poderia se perder, ou gerações poderiam deformá-los ou ainda não passar adiante tais conhecimentos por motivos de morte prematura. Sendo assim, preferiu ele mesmo construir a capela sob sua inteira supervisão, que seria considerada um verdadeiro “Livro de Pedra”, onde estariam em suas paredes registrados todos os segredos e conhecimentos que se queriam preservar. Conhecimentos estes que só poderiam ser lidos e interpretados corretamente por alguém que estivesse de posse da “chave” correta.

            Sua planta original se perdeu deixando apenas especulações sobre a atual, pois suas fundações são bem maiores que as necessárias para a atual capela, conjetura-se que com as atuais dimensões, a mesma se situaria no que seria apenas o coro das fundações encontradas nas escavações realizadas no século XIX, deixando duvidas a serem equacionadas do porque que abandonaram a planta original? Seria por falta de recursos? Por mudança de Planos?

            Uma das referências mais famosa à Capela de Rosslyn e à família St. Clair é uma extensa obra do padre Richard Augustine Hay, cônego de St. Genevieve em Paris e prior de St. Piermont. O conde de Rosslyn em seu guia, “Rosslyn Chapel” escreve que Hay “examinou os registros históricos e as cartas régias dos St. Clair e concluiu três volumes de estudos em 1700, partes dos quais foram publicadas em 1835 como ”A Genealogie of the Saintclaires of Rosslyn”. Sua pesquisa foi oportuna, uma vez que os documentos originais desapareceram. O padre Hay comenta a grande dedicação de Sir William à construção da Igreja:

O Homem Verde

            “O príncipe William, quando a idade foi chegando, passou a considerar... como passaria os últimos dias de sua vida... Como não queria parecer um ingrato a Deus pelos benefícios que Dele recebera, teve a idéia de construir uma casa para servi-lo, do trabalho mais curioso... Ordenou que trouxessem diariamente artífices de outras regiões e reinos estrangeiros, para que tivesse um número abundante de todos os tipos de trabalhadores, como pedreiros, carpinteiros, ferreiros, ladrilheiros... Primeiro, tratou de reproduzir os desenhos em tábuas de madeira báltica importada e fez com que os carpinteiros entalhassem de acordo com os desenhos, depois os forneceu aos pedreiros como modelo”.

            O fato de Sir William ter escolhido uma capela para ocultar tais segredos faz sentido. Afinal uma capela não traria desconfiança a Igreja. Até mesmo a palavra escolhida para o batismo da capela, “Rosslyn”, possui o significado “o lugar onde se oculta o segredo”, em hebraico.

            No interior da mesma a Ordem do Templo está muita bem representada nas paredes da Capela de Rosslyn. A planta da mesma é baseada na cruz templária e uma figura em alto relevo mostra dois cavaleiros em um cavalo, em alusão ao Selo da Ordem. Além disso, está representado em suas paredes José de Arimatéia portando o Santo Graal bem como uma imagem semelhante à do Santo Sudário e umas duzentas imagens do deus nórdico Mimir, também chamado de Homem Verde que acreditamos estar relacionado com o deus babilônico Tammuz. São 103 imagens do Homem Verde entalhadas somente no interior e o restante na parte exterior da construção. O Homem Verde é geralmente retratado como uma cabeça com folhas brotando em profusão da boca, representando a fertilidade. Os rostos do Homem Verde de Rosslyn variam de saudáveis e sorridentes a decididamente esqueléticos.

            Apesar da mesma dar a parecer que Sir William fosse um templário, (a Ordem foi oficialmente dissolvida pela bula papal em maio de 1312) o mesmo apenas era membro da Ordem de Santiago e da Ordem do Tosão de Ouro.                                                                                                                                                          
            Encontramos também no seu interior figuras de reis, pontífices, cavalheiros e figuras outras, sendo o mais interessante é que todas elas aparecem seguidas por uma figura parecendo um esqueleto o que poderia estar representando a morte.

O altar na Capela de Rosslyn vendo-se a cruz dos St. Clair

            Sir William supriu a região da Capela de Rosslyn com casas e jardins, e seu neto (também sir William) fez o mesmo em 1523. Mas a reforma que ocorreu no século XVI na Escócia devastou Rosslyn. Os Sinclair continuaram católicos, e as igrejas, os altares e os móveis católicos foram considerados “idolátricos” e “papistas”. Os St. Clair foram varias vezes avisados para destruírem os altares da capela e, em 1592, foi intimado a comparecer a uma Assembléia Geral e ameaçado de excomunhão caso os altares fossem mantidos depois de 17 de agosto de 1592. Em 31 de agosto os altares de Roslene foram demolidos. Dali em diante a capela deixou de ser usada como casa de oração, logo caindo em abandono.

            Em 1650, as tropas de Cromwell, sob o comando do general Monck, atacaram o Castelo de Rosslyn, e o general usou a capela como estábulo. Em 11 de dezembro de 1688, uma multidão de protestantes de Edimburgo, em companhia dos aldeões de Roslin, saquearam e atearam fogo no Castelo de Rosslyn e depois danificaram a capela. Ela permaneceu abandonada até 1736, quando, incentivado por Sir John Clerk de Penicuik, Sir James St. Clair colocou vidros nas janelas pela primeira vez, consertou o teto e recobriu o piso. Vale notar que 1736 é o ano em que a Grande Loja da Escócia foi fundada, e Clerk era um ilustre maçom.

            Vejamos na continuação, as ligações da família dos Sinclairs com a Ordem do Templo.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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