Peregrino Walter Jorge

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
O Santo Graal - XXXII - A Teoria de Otto Rahn
Walter Jorge

            A procura do Santo Graal tem despertado a curiosidade de todos os habitantes do nosso planeta, não só os escritores, historiadores, caçadores de tesouros e pesquisadores, desde que tomaram conhecimento das suas propriedades.

            Em artigos anteriores, falamos a respeito de que também o Terceiro Reich na Alemanha, em uma tentativa de ganhar a guerra andou patrocinando uma busca pelo Graal, estando à frente das mesmas o místico Otto Rahn, que chegou até a criar uma teoria sobre o mesmo.

            Vejamos a sua teoria.

A Teoria de Otto Rahn

            No ano de 1904, nasceu na Alemanha Otto Rahn, uma personagem que iria ter uma certa importância dentro do circulo relacionado com a busca do Graal. Otto prematuramente foi tentado pela temática medieval a qual se dedicou de corpo e alma durante muitos anos de estudo, especializou-se em filologia e história medieval, sendo imediatamente atraído pelo estudo do catarismo, aquela doutrina que ensinava a visão dualista do Universo. Logo descobriu, mediante a leitura dos poemas medievais sobre o Santo Graal, que existia uma vinculação entre alguns desses textos e a história Cátara. Especialmente lhe atrai a leitura de Percival de Wolfram Von Eschenbach quanto à semelhança que achava existir entre o castelo de Muntsalvach descrito na obra e o de Montségur, centro espiritual dos cátaros.
                                                                                                

Otto Rahn
           

Aos vinte sete anos decide inspecionar Montségur com seus próprios olhos e se dirige a região francesa de Languedoc, nos Pirineus. Em seguida começa a elaborar uma teoria segundo a qual, a obra do alemão Wolfram era em verdade uma alegoria de feitos verdadeiros acontecidos em Montségur. Por exemplo, o nome Percival proveniente do provençal Trençavel, era o apelativo de uma importante personagem dentro do catarismo. Este seria assim mesmo, o primo da condessa Esclamonde, a dona do castelo, falecida antes do assedio final a Montségur. Para Rahn, a condessa não pode ser outra que a dama portadora do Graal (Dispensadora de Gozo) descrita por Wolfram. A teoria do filólogo alemão assegurava que o Graal esteve na fortaleza situada em Languedoc, e, portanto seria fácil recuperá-lo se si achasse o tesouro cátaro escondido nas montanhas em sua proximidade.       

           

Rahn voltou ao sul da França e passou a percorrer as enigmáticas montanhas e castelos, em uma apaixonada busca do tesouro, porem não conseguiu nenhum sucesso. Sem embargo, alguns cientistas franceses acreditaram em sua teoria e prestaram suas colaborações. Acreditava que os sítios mais apropriados para as buscas eram a gruta de L´Hermitte e as cavernas limítrofes como a de Lombrives, a maior da Europa. A exploração espeleolíca não era fácil, pois estas cavernas apresentavam portadoras de uma rede intricada de passagens e gretas inexploráveis, que alimentavam a convicção de que nelas se refugiaram na Idade Média os poucos cátaros que puderam fugir da perseguição. Nessas expedições se acharam vários elementos de grande valor arqueológicos de origem cátara, porém nenhum cálice ou pedra de esmeralda como descreve Wolfram, “caída da fronte de Lúcifer”. Temos de notar que Rahn buscava na realidade esta pedra sagrada antes do cálice. Em seu livro “A Cruzada contra o Graal” atribui que a queda final de Montségur ocorreu porque as forças de Lúcifer desejavam na verdade recuperar a pedra que se encontrava em poder dos Cátaros. “Uma lenda que se ouve dos lábios de um pastor nos Pirineus, narra como uma pomba partiu em dois o monte Tabor e como Esclamonde se metamorfoseou no emblema de Deus-Espiritu”. Assim descreve o cientifico na sua crença de que a pedra havia sido resgatada por Esclamonde, que havia se transformado em uma pomba, ocultando-se nas profundidades de uma montanha sagrada.

           
Soldados norte-americanos admiram uma pintura de Edouard Manet encontrada na mina de Marker, onde os alemães durante a Segunda Guerra ocultaram parte de seus tesouros, ali donde séculos antes estiveram os tesouros dos cátaros.
           

            Como podia Otto Rahn resgatar o tesouro em tão recôndito sitio? Decidiu fazer uso das artes da geometria para achá-lo. Rahn, na sua obsessão utilizou estranhos métodos, como traçar sobre o mapa dessas montanhas uma rede de triângulos e trapézios numa tentativa de configurá-la como a “estrela hermética dos Templários”, símbolo que revelaria o sitio exato donde estaria o Graal seu sonho de séculos. Tudo foi em vão. Decepcionado Otto regressa a Alemanha e passa a conhecer importantes dirigentes do partido nazista, como Heinrich Himmler. No ano de 1936, o filólogo e historiador alemão Otto Rehn, torna-se membro da SS do Terceiro Reich. Quem de fato tinham sido os catáros na nova formulação de Rahn? Não era difícil descobrir, pois assim ele escreveu:

            “Não precisamos de deus de Roma, temos nosso próprio deus. Não precisamos dos mandamentos de Moisés, carregamos em nossos corações o legado de nossos ancestrais. Moisés é que é imperfeito e impuro (...) Nós, ocidentais de sangue nórdico, nos autodenominamos catáros assim como os orientais de sangue nórdico são chamados de persas, os puros. Nosso céu está aberto apenas para aqueles que não são criaturas de uma raça inferior, ou bastardos, ou escravos. Está aberto para os árias (arianos). Seu nome indica que eles são nobres e honrados”.

            Naquela época começou a aparecer rumores de que Rahn dentro da SS, tinha criado um circulo de admiradores da seita cátara da qual eles se denominavam de “os neo-cátaros”. Em correspondência a seu amigo Paul Ladame - de Geneve – prologista de sua segunda obra “A Corte de Lúcifer” e que o acompanhou durante vários dias em suas incursões às cavernas cátaras, que lhe perguntava estupefato porque se havia tornado um nazista, ele respondeu com amargura: “preciso viver...”. Numa carta a Gadal, ele que admirava o seu pai com a intensidade de um discípulo e se revia nos seus valores democráticos diz: “Meu pai não agüenta mais a mentalidade que reina agora na Alemanha. Ele fala-me muitas vezes com saudade da França, pátria da Liberdade”.

A “Cruzada Contra o Graal” escrita por Otto Rahn

            Himmler era quem mais se identificava com a lenda do Graal e foi quem influenciou Hitler para que o mesmo iniciasse as buscas dos antigos símbolos da lenda, uma vez que ele era o legitimo herdeiro do Sacro Império Romano Germânico e do Primeiro Império Alemão. Com tais intenções foram saqueadas as antigas coroas e a “Heilige Lance” (a lança do Destino) que foram transladadas para Nuremberg. Somente restava achar o Graal e foi o próprio Himmler que se vinculou ao nosso conhecido Otto Rahn, que em 1936 havia escrito seu livro “A Cruzada Contra o Graal”.

            Rahn enviou a Himmler um carregamento de peças arqueológicas encontradas nos arredores de Montségur. Alguns estudiosos afirmam que entre estas se encontrava o Graal (como taça ou pedra), porém não há nenhuma prova material que confirme.

            O mesmo Otto Rahn escreveu em 1937 Luzifers Hofgsind (A Corte de Lúcifer) no qual informa que, apesar de seus esforços não havia podido achar o tão ansioso tesouro: “Reconheço publicamente que gostaria de encontrá-lo”. A morte de Otto Rahn por “endura” em 1939, anunciada por um periódico oficial nazista gerou muitas duvidas, acredita-se que nada mais foi do que uma montagem criada pelos SS para não dar explicações do desaparecimento de uma figura pública de um escritor célebre em todo o mundo como era Otto Rahn. Muitos asseguram que o cientista continuou vivendo com outra identidade, trabalhando para o serviço de inteligência alemão.

            Entretanto Himmler não se resignou a perder o grande símbolo que contribuiria para a vitória nazista. Decidiu continuar com as buscas do Graal na França, porém Montségur seguia parecendo-lhe inexpugnável como na Idade Média. Qual seria a pessoa adequada para encomendar semelhante missão? O investigador norte americano Howard Buechner assegura que Heinrich Himmler encontrou no famoso Otto Skorzeny a pessoa indicada. Skorzeny, militar alemão de origem austríaca, havia logrado notoriedade quando dirigiu com êxito um grupo reduzido de pára-quedistas com a missão de libertar Mussolini de uma prisão aliada nas montanhas.

            Buechner sustenta que Skorzeny acampou na base da fortaleza de Montségur com seus combatentes e explorou as grutas e cavernas indicadas por Rahn em busca do Graal, concluindo que não eram os lugares ideais para a busca. Pensou então nos quatro cátaros que haviam descido com o tesouro naquela sangrenta noite de 1244 quando do assedio da fortaleza. Decidiu seguir um suposto itinerário desses homens descendo nas grutas existentes nas cercanias do monte Tabor. Segundo Buechner encontraram ali um tesouro que consistia de valiosas relíquias, antigas moedas de ouro, pedras com estranhos caracteres e uma taça de prata. Esta última foi enterrada nos arredores da catedral de Weweisburg, pertencente a SS. Porém isto não é mais do que uma hipótese levantada por Howard Buechner.

            Outros, e muitos outros, afirmam, que o Graal continua repousando nas entranhas de Montségur ou em suas grutas próximas, aguardando que uma alma simples e pura efetue o seu resgate.

            Mais uma página para analisarmos e pensarmos sobre o referido assunto, que não só tem despertado atenção dos escritores, pesquisadores e historiadores, como também dos dirigentes de nações.

            Onde se encontra o Santo Graal? O mesmo o que será?

            Para o próximo artigo iremos abordar a figura controversa e enigmática de José de Arimatéia.
 

Enviado por Walter Jorge
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright  1996-2003