Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal XXV – O Graal Sangue
Walter Jorge

            O artigo que iremos abordar é bastante polêmico e controverso, pois irá de encontro aos preceitos cristãos quando considera que Jesus era casado com Maria Madalena e do casal surgiu a “Linhagem do Santo Graal”, ou seja, uma linhagem consangüínea, onde através dos seus descendentes perpetuou-se uma verdadeira dinastia.

            Um grande número de escritores e historiadores escreveram vastamente sobre o assunto, nos nossos artigos não iremos discorrer em profundidade e nem esgotarmos o mesmo, apenas levantaremos a polêmica, informamos as fontes e deixamos a critério dos nossos leitores suas conclusões.

            Vejamos.

O Graal Sangue – (primeira parte)

            Em artigos anteriores abordamos a figura do Graal sob diversos aspectos: em forma de uma taça, cálice ou um recipiente; sob a forma de uma pedra (preciosa ou não) dispondo de um grande poder; sob a forma de um Livro (contendo uma grande sabedoria); ou um Graal dito cientifico com teorias várias. Com base no acima exposto, podemos dizer que existe ainda uma outra hipótese, a mais polêmica de todas, é a que diz que o Graal não é um cálice, nem um outro objeto qualquer. A palavra usada para designar o Graal mudou várias vezes e uma delas é a palavra “Sangreal”. A palavra “Sangreal” foi dividida para significar Santo Gral (San Greal), ou ainda Santo Graal. Porém algumas teorias apareceram de forma a apoiarem um significado diferente da palavra, expressando-se como: “Sangue Real”.

O principio básico é a existência de uma linhagem dos descendentes de Jesus Cristo. Segundo a teoria, Jesus não teria morrido crucificado, casou-se com Maria Madalena com quem teve filhos. E esses filhos deram origem às dinastias européias que reinariam mais adiante, como os Merovíngios, no atual território conhecido por França, ou, se ressuscitou e “subiu ao céu ao terceiro dia” como diz as Escrituras, é lógico que para salvar algo tão importante como o filho de Jesus e permitir a continuidade de sua própria linhagem, tenham mandado Maria Madalena para a Europa, onde José de Arimatéia tinha muitos contatos comerciais de estanho e de especiarias orientais, pois naquela oportunidade Jerusalém não era uma cidade segura para os discípulos de Jesus.

            Segundo alguns, o cálice foi o receptáculo do sangue de Jesus (sangraal ou sangue sagrado) levado para a Inglaterra por José de Arimatéia, outros afirmam que o mesmo fora levado por Maria Madalena para a França. No século IV, lendas existentes descreviam Maria Madalena partindo da Terra Santa e atracando em Marselha, onde suas supostas relíquias são até os nossos dias veneradas.

            No século XV, a lenda de que Maria Madalena levara o cálice para Marselha tinha assumido tamanha importância que o rei Renné d´Anjou tornou-se um grande colecionador de Taças. Encontramos no livro de Baigent, Leigh e Lincoln “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”, referência ao assunto quando informa que o mesmo “tinha um grande orgulho de uma magnífica taça de pórfiro vermelho que, segundo ele, havia sido utilizada no casamento em Canaã. Ele a teria obtido em Marselha – onde Madalena, segundo a tradição, teria desembarcado com o cálice. Outros cronistas falam de uma taça – talvez a mesma – que René guardaria, com uma misteriosa inscrição gravada na borda”:

Qui bien beurra
                        Dieu voira
Qui beurra tout d`une haleine
Voira Dieu et la Madeleine”

            (Quem bem beber / Deus verá / Quem beber de um só gole / Verá Deus e Madalena)

            Entretanto lendas mais antigas dizem que Maria Madalena trouxe o Graal para a França e que o mesmo não era uma taça.

Maria Madalena e Jesus ressuscitado

            A chegada de Maria Madalena na França, é citada no manuscrito de Raban Maar (776-856), arcebispo de Mayeence (Mainz) e Abbé de Fulf, documento esse que reunia todos os mitos existentes acerca de Maria Madalena até o século 5 d.C.. Esse manuscrito é citado na “Chronica Majora”, de Mateus Paris, em 1190, e cuja cópia do mesmo foi encontrada na Universidade de Oxford, por volta do ano de 1400.

            Alguns historiadores, além de informarem sobre a chegada de Maria Madalena na França, citam inclusive da existência de um hino que data do ano 600 d.C. falando da chegada de três Marias – Madalena, Salomé, Jacó e uma criada Sara (que alguns afirmam ser a Santa Sara Kali padroeira do povo cigano). Chegada essa efetuada no porto de Provença conhecido como Les-Saints-Marie-de-la-Mer, onde hoje há uma igreja com esse nome.

            Vejamos o que diz a historiadora Margaret Starbird no seu livro intitulado “Maria Madalena e o Santo Graal”:

            “Quem era essa Maria conhecida dos primeiros cristãos como “a Madalena”? E como ela poderia ter levado o sangue real para a França? O sangue real poderia ter sido levado em um recipiente terreno, um “vaso de barro” (2 Coríntios 4:7)? E se esse vaso fosse uma mulher? Talvez essa Maria fosse, na verdade, a mulher de Jesus e tenha levado um filho dele para a Provença.”

            “As duas genealogias de Jesus apresentadas no Novo Testamento sustentam que o carismático mestre descendia da casa do rei David, e as promessas messiânicas feitas a Israel estão todas especificamente ligadas ao sangue real de sua princesa judaica do “trono de Jessé”, o pai do rei David. A esposa de Jesus, caso tivesse um filho dele, teria sido, literalmente, a portadora do Sangraal, a linhagem real de Israel”.

Maria Madalena

Nas pesquisas que efetuamos, encontramos vários pontos que atestam não só a relação entre Maria Madalena e Jesus, bem como seus conhecimentos sobre os princípios básicos do Cristianismo e a influência que exercia sobre os discípulos. No Evangelho de Felipe, que faz parte dos manuscritos encontrados em Nag Hammadi, é dito claramente que Jesus Cristo é casado com Maria Madalena. Dessa forma, ela também seria depositária de ensinamentos maiores do cristianismo, pois teve contatos maiores com o Mestre. E, como o próprio Jesus cita no Evangelho de Felipe, quando perguntado sobre sua situação com Maria Madalena, teria respondido: “Misteriosos são os caminhos do matrimônio”.

No Evangelho de Maria Madalena (Nag Hammadi), depois de a mesma termina de recontar sua visão aos discípulos, em seguida Pedro, questiona o relacionamento de Maria Madalena com Jesus, dizendo: “Será que ele teria realmente falado secretamente com uma mulher, e não livremente conosco? Por que devemos mudar de idéia e dar ouvido a ela? Ele a preferiu a nós?”.

Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: “Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no meu coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?”.

Levi reprova Pedro dizendo: “Pedro, sempre foste exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como se tivesse contestando com seus adversários. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a todos os seus outros discípulos. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou”.

Depois que Levi disse essas palavras, eles imediatamente começaram a sair para anunciar e pregar.

O confronto de Maria com Pedro, uma seqüência também é encontrada em O Evangelho de Tomé, Pistis Sophia e O Evangelho dos egípcios, reflete algumas tensões do Cristianismo do século II. Pedro e André representam as posições ortodoxas que negam a validade da revelação esotérica e rejeitam a autoridade da mulher no ensinamento. O Evangelho de Maria ataca ambas as posições de frente por meio da figura de Maria Madalena. Ela é a amada do Salvador, possuidora do conhecimento e do ensinamento superior àquelas da tradição apostólica pública. Sua superioridade está baseada na visão e na revelação privada, é demonstrada em sua capacidade de fortalecer os hesitantes apóstolos, fazendo-os com que retornem ao Bondoso.

Maria Madalena de Johannes Vermeer – 1655

No Evangelho de Felipe, as razões para esta rixa, parecem obvias, existe uma ênfase recorrente na imagem de uma câmara nupcial. Segundo este Evangelho, “O senhor fez tudo misteriosamente, uma crisma e um batismo e uma eucaristia e uma redenção”. Esta câmara a primeira vista, poderia ser simbólica e alegórica. Mas o Evangelho de Felipe é mais explicito: “Existem três que sempre caminharam com o Senhor: Maria, sua mãe e sua irmã e Madalena, chamada sua companheira”. Segundo um pesquisador, a palavra “companheira” deve ser traduzida por esposa. Certamente, existem razões para fazê-lo, pois o Evangelho de Felipe se torna mais explicito quando diz:

E a companheira do Salvador, é Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais que a todos os seus discípulos e a beijava na boca freqüentemente. O restante dos discípulos ficavam ofendidos com isso e expressavam sua desaprovação. Eles lhe disseram: “Porque a amas mais do que a todos nós?” O Salvador respondeu e lhes disse: “Porque eu não vos amo como a ela? Quando um cego e um homem que enxerga estão juntos no escuro, eles não se diferem um do outro. Quando se faz a luz, então o que enxerga a vê e o cego permanece na escuridão”.

Ainda no Evangelho de Felipe, Maria Madalena é considerada “o símbolo da sabedoria divina”, no entanto todos esses textos foram excluídos dos Evangelhos pelos bispos, porque os mesmos comprometiam o domínio do sacerdócio exclusivamente masculino, se não o fossem, a presença de Maria Madalena prevaleceria, e como esposa de Jesus, ela não só era a rainha messiânica, mas também a mãe dos verdadeiros herdeiros.

Se procurarmos nos textos dos Evangelhos, não iremos encontrarmos nenhuma referência a que Jesus tenha sido ou não casado, pois, se não o fosse, tal fato teria chamado a atenção, pois era notório que o mesmo vivia conforme as convenções de sua época e da sua cultura, principalmente sendo o mesmo um Pregador. Os Evangelhos afirmam que muitos dos seus discípulos, inclusive Pedro, eram casados.

O escritor Charles Davis registra no “Observer” (Londres, 28 de março de 1971), pg 25, o seguinte:

“Dado o pano de fundo cultural na forma como foi testemunhado (...) é muito improvável que Jesus não se tenha casado antes de começar sua vida pública. Se ele tivesse insistido no celibato, isso teria criado um frêmito, uma reação, que teria deixado algum traço. Assim, a falta de comentário sobre o casamento de Jesus nos Evangelhos é um forte argumento, não contra, mas a favor da hipótese de casamento, porque qualquer prática ou defesa do celibato voluntário, no contexto judeu da época, teria sido tão estranha que teria atraído muita atenção e comentários”.

Sabemos que após da revolta dos Judeus em Jerusalém, no século 1º. da era cristã, os senhores romanos teriam destruído todos os registros a respeito do legado de Davi com referencia a família de Jesus, o Messias. A destruição, porém, nunca foi completa, e alguns documentos relevantes foram guardados pelos herdeiros de Jesus, que trouxeram a herança messiânica do Oriente Próximo para o Ocidente. Como confirma a Enciclopédia Eclesiástica de Eusébio, bispo de Cesaréia, esses herdeiros eram chamados de Desposyni (antigo termo grego para “do Mestre”), um titulo sagrado reservado exclusivamente para aqueles da mesma descendência familiar de Jesus. Eles tinham o legado sagrado da Casa Real de Judá – uma linhagem dinástica existente que persiste ainda hoje.

 

O assunto como informamos inicialmente é bastante polêmico.

Aguardemos a sua continuação.

 

 

Enviado por Walter Jorge
 
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