Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal XX – Pedra (1)
Walter Jorge

            Lendas e mistérios envolvem o nome do “Santo Graal”, a sua procura tem sido motivo de muitas histórias, pesquisas e centenas de livros escritos por toda à parte da Terra, no entanto continuamos com a celebre pergunta:

            O que é o Santo Graal?

            Nos capítulos anteriores, abordamos o tema trazendo ao conhecimento dos leitores informações colhidas sobre o Graal tendo como figura símbolo à “Taça ou Calice”, abordamos também uma outra representação bastante anterior na forma de um “Caldeirão”, essa do tempo dos Celtas, nesse capítulo, abordaremos o mesmo na figura de uma “PEDRA”.

            Vejamos.

 O Graal Pedra (Primeira Parte)

            O Santo Graal tomando a forma de uma pedra, é uma das correntes bastante volumosas entre os historiadores desde o surgimento dos primeiros escritos procurando batizar determinados objetos ou situações como se fosse o Graal, numa tentativa vã de descobrir o que realmente seria o mesmo ou quando não, se aproximar do seu verdadeiro significado.

            Anteriormente abordamos o Graal na figura de uma “Taça ou Cálice”, toda a história é mudada quando contada pelo poeta e escritor alemão Wolfram von Eschenbach, quase ao mesmo tempo em que Boron. Sua obra “Parzifal” foi escrita entre 1210 e 1220.

            “Sobre uma verde esmeralda,
            Ele trazia o desejo do Paraíso:
            Era o objeto que se chamava Graal!

                           
            Para Eschenbach, o Graal era realmente uma pedra preciosa, pedra de luz trazida do céu para a terra pelos anjos, confiando-a aos “moradores do templo”, representados por uma comunidade de cavaleiros escolhidos chamados de os “templeisen” e que viviam com seu rei num castelo feudal de Munsalvaesche, semelhante a um templo. O velho rei sofre então, uma ferida incurável que o impede de continuar sua missão e é obrigado a aguardar um cavaleiro que mereça ocupar seu lugar. O enfraquecido rei e seus cavaleiros são levados por anjos, através dos ares com castelo e tudo, para a Índia, de onde na época oportuna o Graal tornará a irradiar sua força renovadora. Ele imprime ao nome do Graal uma estreita dependência com as forças cósmicas.

            O poeta alemão tem como modelo de fiéis depositários do cálice sagrado escavado na pedra os Cavaleiros Templários, pergunta-se: Seria Wolfram von Eschenbach um Cavaleiro Templário? Era a época em que Felipe de Piessiez estava à frente da Ordem quase centenária.

            O próprio fato de ser a pedra uma esmeralda se relaciona com a Cavalaria. Os cavaleiros em combate usavam sobre sua armadura a cor verde, sinônima de virilidade e esperança.

O Templário e o Graal

O Sustento dos Herois

            Wolfram Von Eschenbach informa que os Cavaleiros Templários (templeisen) “consumiam alimentos que procediam de uma pedra que, em sua essência, era toda pureza”. Refere-se ao Graal na sua maneira de proporcionar alimento aos heróis, tal como acontecia com os caldeirões celtas. Agrega ainda Wolfram que “cada Sexta Feira Santa concede a pedra à virtude de ministrar as melhores porções dos melhores manjares (...) proporcionando ademais aos seus guardiões caça de todo o tipo” Acreditamos que Wolfram Von Eschenbach não se referia a alimentos materiais e sim espirituais, já que, por exemplo, em Percival li Gallois os convidados que desfrutavam a presença do Graal, se esquecem de comer no festim devido aos aromas que desprende da maravilhosa taça. A multiplicação dos pães que aparece na Bíblia se repete no “Grand Saint Graal” e no “Quête du Saint Graal” o recipiente que aparece unicamente no instante em que os cavaleiros querem comer. Uma vez quando os comensais estão saciados, o Graal desaparece da mesma forma misteriosa em que apareceu.

            Como sabemos, José de Arimatéia recebeu alimentação sob a forma de uma hóstia durante os anos em que permaneceu no cativeiro.

            A capacidade curadora do Graal, unida ao seu caráter de alimentação, configura o que nos poderemos chamar de o “dom da vida”. Mennessier um dos continuadores do “Conte du Graal” de Chrétien, nos narra como Percival e Héctor jazem muito feridos após uma longa, feroz e encarniçada luta na qual mutuamente ficam feridos. Por volta da meia noite esperavam a inevitável morte, quando, observaram surpreendidos a aparição de um anjo que portava o Graal. A aparição, valendo-se do recipiente, cura definitivamente as feridas de ambos os heróis.

            “Não há homem suficientemente enfermo para que, na presença dessa pedra, não tenha a segurança de escapar da morte durante a semana seguinte do dia em que a viu”, agregando que “quem a vê deseja rejuvenescer”. A partir do dia em que essa pedra lhe aparece, todas as mulheres e todos os homens recuperam a aparência que tinham quando estavam na plenitude de suas forças (...) Essa pedra dá ao homem tal vigor que seus ossos e sua carne recuperam em instante a sua juventude”.

            Sem embargo, é bom destacar que assim como proporciona o dom da vidana forma da renovação, iluminação e alimentação, o Graal negará esses dons aos ignóbeis, aos covardes e aos mentirosos.

           

O anjo do mal, Lucifer

Uma outra lenda que andou circulando no final do século XIII, segundo ela, a pedra chamada de Exillis ou Lapis exillis, Lapis ex coelis, que significa “pedra caída do céu”, refere-se à esmeralda que havia na testa de Lúcifer, o anjo mais poderoso dos guardiões divino e que representava seu Terceiro Olho. Quando Lúcifer, o anjo da luz, se rebelou contra Deus e entrou em luta contra as forças divinas, acabou perdendo e despencando para os mundos inferiores, a esmeralda partiu-se, pois sua visão passou a ser prejudicada. Um dos três pedaços ficou em sua testa, dando-lhe a visão deformada que foi a única coisa que lhe restou. Outro pedaço caiu ou foi trazido á Terra pelos anjos que permaneceram neutros durante a rebelião. Mais tarde, o Santo Graal teria sido escavado neste pedaço pelo sábio chamado Titurel. Uma outra versão é que a mesma caiu de sua coroa, quando a mesma foi destroçada a golpe de espada pelo arcanjo Miguel.

            A historia está repleta do Santo Graal em forma de uma pedra, Irineu Filaleto, renomado filósofo britânico, concluiu um trabalho em 1667 intitulado “Segredos Revelados”, no qual, discutindo a natureza da Pedra Filosofal que se pensava transmutava qualquer metal comum em ouro, afirmava: “Nossa Pedra nada mais é que ouro digerido (consumido) no mais alto grau de pureza e sutil estabilidade... Nosso ouro, não mais vulgar, é o objetivo último da natureza”. A Pedra Filosofal tão comentada tinha aparência de um pó bem fino, os registros egípcios identificam com o nome de mfkzt.

            Compare o Graal-pedra de Eschenbach com a não menos mística Pedra Filosofal que transformava metais comuns em ouro, homens em reis, iniciados em adeptos; matéria e transmutação, seres humanos e sua transformação.

            Retrocedendo no tempo, encontramos a figura de uma pedra ocupando um lugar de destaque quando a história informa da existência de uma pedra pertencente ao rei Salomão. A pedra Schethiyâ do rei Salomão figura não apenas na tradição cabalística, mas também nos princípios da Maçonaria do Real Arco. O Talmude Judaico conta que o Schethiyâ era chamado de “Pedra da Fundação”. Aparentemente funcionava como um dispositivo de levitação no Santo dos Santos do Templo de Jerusalém, capacitando a Arca da Aliança a permanecer fora do contato com a terra, devido a esse fato era também chamada de “Pedra da Perfeição”.

            Uma outra pedra associada com o rei Salomão era chamada Schamir, conhecida como “Pedra Relâmpago”. O Talmude conta como o rei usava para ajustar as pedras de seu Templo. Dizia-se que o Schamir cortava a pedra, silenciosamente e com precisão com o seu próprio facho de luz. Supõe-se que Moisés, além do Schethiyâ, recebeu também o espantoso Schamir, que dizem ter estado no anel de Salomão.

            A Senhora Flavia Anderson no seu livro “O Segredo Antigo” apresentou uma teoria totalmente nova sobre o Graal. Neste livro ela reivindica que o Graal é uma bola redonda confeccionada em vidro cheia de água. Este objeto é guardado em uma arvore servindo como seu esconderijo. Esta hipótese que ela reivindica são os objetos judeus denominados “Thummim e o Urim”. Estes objetos foram feitos para acender os fogos da luz do sol.

            O livro dela mostra como o homem venerou a luz como religião e o fogo feito de luz solar direta, por um cristal ou bola de vidro ou igual, pensou-se ser santo por muito tempo.

            Conta o Êxodo 28:30: “Também porás no peitoral do juízo o Urim e o Tumim: e eles estarão sobre o coração de Aarão quando entrar perante o Senhor”. As palavras U´rim e Thum´mim significam Luz e Perfeição. Portanto o Schamir (Pedra Relâmpago) e o Schethiyâ (Pedra da Perfeição) do Talmude são sinônimos de Urim e Tumim do Êxoto.

            Em nenhum momento do Antigo Testamento trata-se da natureza do Urim e do Tumim. Não se discuti sua forma, tamanho, cor ou peso. São simplesmente aceitos como algo com que Moisés tinha familiaridade. O que temos aqui, entretanto, são duas pedras mágicas. Uma delas é uma jóia radiante que emite uma carga de relâmpagos que pode cortar pedras, enquanto a outra tem o poder da levitação.

            Aguardem a continuação.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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