Peregrino Walter Jorge

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
O Santo Graal XVI – Taça (1)
Walter Jorge

            Vamos agora entrarmos no reino das Lendas, dos Mitos e das Histórias, pois nos é bastante difícil e de sobremaneira impossível, informar para os nossos leitores o que é realmente o Santo Graal, ou como universalmente é chamado de o “Graal”.

 Centenas de livros foram escritos no mundo inteiro, bem como milhares de artigos foram publicados nos meios de comunicações. Vamos aqui apenas tentarmos sintetizar ao máximo as informações colhidas apenas sobre uma determinada interpretação do que seja o Graal, escolhemos no momento o símbolo da - “TAÇA OU CÁLICE”.

Taça ou Cálice (primeira parte)

.           Não podemos falar sobre o Graal sendo “Taça” ou “Cálice”, sem antes voltarmos um pouco para a história do rei Arthur, pois foi onde nasceu o mito da taça sagrada, lembramo-nos de Cavaleiros em suas reluzentes armaduras como Sir Lancelot ou Sir Galahad. As atuais histórias do rei Arthur incluem a lenda do Cálice de Cristo, porém não foi sempre assim, o Graal já seria bastante conhecido nas Histórias Arturianas, porém depois que estas histórias foram cristianizadas é que o Graal foi associado ao Cálice de Cristo.

         Rei Arthur da Távola Redonda

            Arthur era o rei da Britânia, que se reunia com seus cavaleiros ao redor de uma mesa denominada de “Távola Redonda” devido ao seu formato. Havia sempre, porém, um lugar vazio na mesa. Este era reservado ao cavaleiro de grandes virtudes, que seria aquele que encontraria o cálice sagrado. O cavaleiro era Sir Lancelot, que segundo consta chegou a encontrar o Graal, mas pôde apenas contemplá-lo com os olhos, não poderia tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério que cometera com a rainha Guinevere.

            A história nos informa que estando o Rei Arthur agonizante e vendo o declínio do seu reino tem uma visão, Arthur acredita que só o Graal poderia curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice por toda a Europa, fato esse que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

        O Castelo do rei Arthur

            Nessa incessante busca, muitos morreram e segundo a história, quem encontrou finalmente o cálice foi Sir. Galahad, filho de Sir. Lancelot, um cavaleiro de grandes virtudes e pureza. Porém, tocar no cálice foi mortal, e Sir. Galahad foi levado aos céus pelos anjos. Outros dizem que foi Sir. Guglielmo um Cruzado de Gênova que em 1099 d.C., afirmou ter descoberto o Cálice (de Jade) em Cesaréia.

A história é bastante controversa, envolve muitos nomes, entre eles Sir. Percival, Sir. Tristão, Sir. Lancelot do Lago, o mago Merlim... Mas, com certeza é uma história fascinante! Ainda, relacionando às lendas Arthurianas, segundo os livros de Marion Zimmer Bradley – As Brumas de Avalon, o cálice teria sido levado por José de Arimatéia para a ilha de Avalon (que muitos julgam como sendo a atual Glastonbury), e escondido no poço sagrado, pois deveria ser guardado por uma mulher. O Graal era um dos tesouros de Avalon, e tinha como guardiã uma das sacerdotisas da ilha. Aqui, nota-se o cruzamento de tradições cristãs e pagãs, ligadas à lenda do cálice sagrado.

            É interessante notar que a água é uma constante na história do rei Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos dos bárbaros em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer.

            Certo de que sua hora havia chegado, o rei Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas o aguardam em uma barca. “Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida”, diz o rei. Avalon é a mística ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon – que em Galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs celebrada durante o equinócio do outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, local onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.                 

            É na obra do poeta francês Robert de Boron, “Roman de L´Estoire du Graal” (Romance da História do Graal), escrito entre os anos 1200 e 1210que o Santo Graal ganhou uma versão bastante popular, conta que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e á última Ceia, o Graal seria o cálice ou vaso no qual Jesus bebeu o vinho com seus discípulos e que mais tarde seu discípulo José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo na Cruz. José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu – o Sinédrio. É ele que, como visto nos evangelhos, pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras, (“Depois disso, José de Arimathéia, discípulo de Jesus, embora em segredo por medo dos Judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus e Pilatos lhe concedeu. Veio, pois e retirou o corpo”. – João 19:38).

            Boron conta que certa noite, José de Arimatéia é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este fato está totalmente relacionado à traição de Sir. Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur. Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada – pois é usada para fins mesquinhos – e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde, Depois lhe é oferecida outra espada, esta sim, é a Excalibur.

            Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal. Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: “eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.

            No próximo número daremos continuidade ao Santo Graal representando como símbolo, a Taça ou Cálice.
            Aguardem.

 

Enviado por Water Jorge
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright  1996-2003