Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal – XIV – Considerações Gerais
Walter Jorge

Através de uma série de capítulos devidamente escolhidos do livro “O Caminho do Mago” do escritor Deepak Chopra, procuramos trazer em um primeiro pensamento a idéia do que seja realmente o Graal, esperamos que ao lerem, tenham compreendido em profundidade o teor da conversa que o Mago Merlim teve com Sir. Percival e Sir. Galahad, cavaleiros do Rei Arthur, sobre o verdadeiro sentido do Graal, como procurar o que muitas vezes está ao nosso alcance e não o enxergamos.

O Mago abordou uma série de etapas, etapas essas intimamente ligadas com a nossa vida, com o nosso eu, com o nosso espírito, falou de uma maneira simples sobre a Inocência, sobre os nascimentos: do Ego, do Empreendedor, do Doador, do Buscador, do Observador e por último o aparecimento do Espírito.

    Uma representação do Santo Graal

Todo esse material foi necessário trazermos ao conhecimento dos nossos leitores, pois, a partir desse ponto, iremos abordar através de uma série de capítulos, assuntos bastante polêmicos e controvertidos, pois podemos dizer sem medo de erramos, o Santo Graal é um dos maiores enigmas da história humana.

As lendas sobre o Graal são bastante antigas, são originadas nos primeiros séculos da nossa era, uma das primeiras referências cristãs sobre o tema aparece numa “Crônica de Helinando”, do monge de Froidmont, que fala a respeito de um eremita que vivia na Bretanha no século VIII, ao qual apareceu José de Arimatéia com o recipiente que Jesus utilizou na Última Ceia, no entanto as partes escritas que chegaram até nós, referem-se apenas a um período da Idade Média bastante curta, pois alguns relatos foram produzidos entre os anos 1175 e 1220 e outros entre 1220 e 1230, nenhum escrito anterior a Idade Média apareceu com fundamentos sobre as lendas do Graal.

A partir desse período baixou um silencio quase que sepulcral sobre o assunto, acreditamos que o motivo foram devido às repressões iniciadas pela igreja contra as heresias vicejantes na época, a qual os historiadores batizaram como “Período da Inquisição”.

Um outro ponto que não podemos deixar de abordar é a influência dos Templários junto às Lendas do Graal, se efetuarmos um paralelo entre o surgimento dos trabalhos que falam sobre o Graal e a fundação da Ordem dos Templários, iremos verificar a perfeita coincidência entre as mesmas, vejamos:

- Urbano II eleito papa em 1088, foi o grande motivador das primeiras cruzadas com a finalidade de retomar a cidade de Jerusalém que estava em poder os “infiéis”, os Islamitas desde o ano 638 d.C., seis anos após a morte de Maomé.

- Em 1099 Jerusalém volta a ficar sob o domínio dos cristãos ocidental;

- Em 1118 um nobre francês Hughes de Payens juntamente com oito cavaleiros oferecem seus serviços ao primeiro rei de Jerusalém Balduino I, com a finalidade de proteger os peregrinos Cristãos que se dirigiam a Terra Santa. Balduino em recompensa aos seus esforços e a fim de proporcionar-lhes uma renda suficiente, concedeu-lhes um palácio que era a antiga mesquita Al-Aqsar que tinha sido construída num local que antes fora ocupado pelo próprio Templo Sagrado de Salomão, em conseqüência, foi esse o nome dado à nova Ordem. A “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão – Cavaleiros Templários”.

Sobre esse assunto David Caparelli e Píer Campadello em seu livro “Templários – Sua Origem Mística” nos informam:

“Assim, antes da fundação oficial da Ordem do Templo, São Bernardo, em 1118, enviou a Jerusalém nove (9) altos dignitários da Soberana Ordem de Mariz (El-Xavarnah-Massiah ou Milich-Há-Shadai), comandados por Hugues de Payens e Godofredo de Saint-Omer, para que ocupassem as estrebarias subterrâneas do Templo de Salomão com a devida autorização do imperador Balduíno II. Portanto, segundo Charpentier, os noves emissários do Templo não foram a Jerusalém para liberar e proteger a rota para uso dos incultos peregrinos cristãos, mas procuravam algo de maior valor transcendental nas criptas do Templo salomônico.”

O que sabemos é que a Ordem dos Templários cresceu rapidamente tanto política quanto economicamente e a partir desse momento passou a ter uma liderança bastante importante em toda a região, chegando a possuir um volume bastante grande de propriedades, praticamente dominava os nobres devido ao seu poder econômico, pois possuíam grande quantidade de dinheiro emprestada aos reis e aos nobres. Uma boa parte da riqueza dos Templários também vieram dos bens conferidos à sua guarda, que, por um ou outro motivo, jamais retornaria às mãos dos seus legítimos donos. Detinha um grande trunfo, pois se encontrava diretamente subordinada a autoridade papal e, portanto, sem responsabilidades para com qualquer reis ou nações.

Com a queda da fortaleza de São João Acre, no oriente, em 1290 e a conseqüente expulsão dos cristãos da Terra Santa, os Templários foram obrigados a mudar seus planos dedicando-se mais ao espírito de lucro comercial. Outro fator que também concorreu para a sua queda foi à luta travada nos bastidores entre credores e devedores, onde príncipes e reis travaram contra ela. Felipe IV, “o Belo”, rei da França, acusou-os de heresia, homossexualidade, idolatria e feitiçaria. Muitos deles inteiramente inocentes foram condenados à fogueira pela Inquisição. Com uma pressão sempre crescente, a mesma não resistiu. A Ordem foi extinta pela bula “Vox in excelso” do Concílio de Viena, no ano de 1312 pelo Papa Clementino V, francês, arcebispo de Bordéus.

Seu famoso tesouro nunca foi encontrado, o certo é que possuíam bastante dinheiro que ganhavam com a cobrança dos seus serviços que eram avaliados conforme o tempo empregado, o tipo do trabalho e o risco de suas missões. O ouro e a prata estavam distribuídos pelas diversas casas da Ordem, as quais constituíam a base de seu tesouro, mais todo aquele império econômico que era a Ordem dos Templários soçobrou sem deixar nenhuma pista para os historiadores.

   Os Cavaleiros Templários

Os Templários detinham também importantes relíquias sagradas das quais falaremos oportunamente no desenrolar dos nossos trabalhos. Quando Gerard de Villiers conseguiu fugir do Templo de Paris em 1307, levou consigo certas relíquias, quais? Não sabemos... A esquadra de galeras pertencentes aos Templários zarpou do porto de La Rochelle e em seguida dividiu-se em duas partes, uma rumou para o sul em direção a Portugal, onde mais tarde foi absorvida pela Ordem de Cristo do rei Dinis, a outra metade navegando rumo ao norte tomou a direção da Escócia, onde lançou ancoras no estuário do Forth. Ao sul de Edimburgo estava situado o castelo de Rosslyn, de propriedade dos Saint-Clairs, uma família com longos vínculos com os Templários, onde a capela era praticamente “um templo de Salomão diferente”.

A partir do século XIV a Igreja já vencera à Ordem dos Templários; a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João; os Cavaleiros Teutônicos, etc, começou a surgir às novelas e os cantos épicos, nos quais as antigas lendas começaram a surgir em cena dentro dos contesto católicos, passando a procura do Graal e as histórias dos Cavaleiros daquela época, à condição de elementos românticos, dando origem às centenas de livros abordando os referidos temas, permitindo irmos mais a fundo nos misteriosos símbolos dos guerreiros Sagrados e em particular sobre a procurado Graal.

Quando ao tão decantado tesouro bem como as relíquias dos quais os Templários possuíam ou se dizia possuir, nunca foram encontradas, passou para o reino das lendas que até os nossos dias abastece os historiadores e aos escritores.

Aguardem a continuação, pois muita coisa está para acontecer, à realidade é que até momento ainda não sabemos realmente o que é o Graal.

O que será o Graal? 
 
Enviado por Water Jorge
 
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