Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal – IX - O nascimento do Buscador (1)
Walter Jorge

Chegamos na Quinta Etapa, para que a mesma não se torne cansativa, e para que possamos ler e refletir com a devida tranqüilidade dividimos a mesma em duas partes. Continuemos a ler o que Deepak Chopra através do Mago Merlim nos procura ensinar.

Anteriormente na Quarta Etapa ou fase, assistimos o “Nascimento do Doador”. O Mago explica a felicidade com base no dar e no receber, fala do amor nesse sublime ato de DAR, e explica a diferença entre o amor e o prazer.

A uma pergunta de Sir. Percival, Merlim informa: “O plano de Deus é que vocês encontrem a si mesmos”.

O que o Mago quis dizer com essas palavras?

Continuemos com a nossa leitura.

O Mago Merlim e o Rei Arthur

Quinta Etapa - O Nascimento do Buscador (Primeira Parte)

- Durante um longo tempo, o ego teve tudo à sua maneira - continuou Merlim. A pergunta: o que é bom para mim? Dominou todas as considerações; o ponto de vista limitado do indivíduo foi o único que pareceu real. Isso é apenas natural. Como eu disse, este mundo relativo tem um objetivo, ensiná-los a se tonarem indivíduos. Mas a individualidade acaba por se abrir e ampliar seus horizontes. Vocês poderiam prever que em virtude do livre-arbítrio, os seres humanos se tornariam cada vez mais egoístas. Se o ego indiferente e controlador tivesse a última palavra, talvez esse fosse seu destino, mas a alquimia trabalha de forma invisível, nas passagens estreitas da alma”.

" No devido tempo, o doador dá o passo seguinte e avança em direção ao buscador. Nesta fase, os interesses antigos e familiares do ego são postos de lado. O senso do 'eu' começa a se expandir. Agora a pessoa começa a ansiar por experiências espirituais, sentindo uma fonte de amor e realização que mesmo o mais intenso amor de outra pessoa não é capaz de proporcionar. Uma vez mais, essa reviravolta acontece como um choque”.

“ Em sua melhor expressão, o doador é um filantropo. Ele começou dando apenas para a família e para os amigos, depois para obras de caridade ou para a comunidade, mas no final o espírito de dar só consegue se satisfazer quando todos os seres humanos são beneficiados”.

" Mas é realmente possível vocês se darem para todas as outras pessoas do mundo? Esta pergunta os leva ao limite da individualidade; é a pergunta que só um santo pode responder. É natural, portanto, que o estágio de dar levante questões que ele não pode responder, preparando assim o caminho para um novo nascimento. O doador que queria abraçar o mundo agora descobre que o mundo não é mais uma fonte de realização. As coisas que antes lhe proporcionavam prazer começam a parecer monótonas; em particular, a necessidade de aprovação e importância pessoal do ego não mais conferem satisfação. Surge a sede de ver o rosto de Deus, de viver na luz, de explorar o silêncio da consciência pura: o impulso do buscador pode assumir muitas formas.

" E, contudo, todos os buscadores compartilham o sentimento de que o mundo material não parece ser o lugar no qual seus desejos podem ser realizados. Por quê? Deus não está em toda parte, o espírito não se encontra no mais minúsculo grão de areia? Sim e não. Deus pode estar em toda parte, mas este fato não lhes traz nenhum beneficio se vocês não puderem ver onde Ele está. O buscador procura para poder ver”.

- Eu acho que é nesse estágio que a busca do Graal começa - declarou Galahad.

- Para alguns mortais, de fato, é então que o Graal se torna um símbolo para uma profunda necessidade interior, replicou Merlim - mas cada estágio foi uma busca, até mesmo a perda da inocência. Vocês, mortais, são obcecados por dividir a realidade em bem e mal, santo e pecador, sublime e não sublime, quando na verdade a vida é um fluxo divino. Um único impulso, o impulso de possuir o completo conhecimento e a completa realização, é que o que faz a vida seguir adiante.

" E, contudo, sob um certo aspecto você está certo. Com o nascimento do buscador, podemos, pela primeira vez, nomear um desejo que até agora não tinha nome. Não importa que o nome seja Deus, o Graal, o Ser divino ou espírito. Todos apontam em direção a uma vida universal. O mundo parece ser limitado pelo tempo e espaço, mas isso é apenas uma aparência”.

- Por que temos que ser enganados pelas aparências? - perguntou Percival.

- O universo não está escondendo nada de nós – respondeu Merlim. - Você não está sendo iludido. A aparência de limitações surge porque este mundo é uma escola, ou campo de treinamento. E a regra básica que existe nele é que você verá o mundo como vê a si mesmo. Se você se vê como carente ou indigno, é esse julgamento que manterá Deus afastado de você. Você poderá dizer que quer Deus, mas ao mesmo tempo deseja conservar dentro de si todas essas críticas que você faz a si mesmo.

- Então Deus permanece afastado - lamentou-se Galahad. - E a busca do Graal torna-se eterna.

Merlim lançou lhe um olhar complacente.

- O espírito não poderia ficar afastado de você mesmo que ele quisesse, porque tudo é espírito. Não existem lugares secretos onde ele não viva. Deus, na verdade, não vê nada errado em você.

" Quero falar mais a respeito do buscador, pois este é o estágio da alquimia que atrai o mago para vocês, e também é o estágio para o qual os mortais estão menos preparados. Desde que eram bebês, vocês sempre desejaram cada vez mais. O buscador é simplesmente aquele cujos desejos se expandiram tanto que só serão satisfeitos se encontrarem Deus frente a frente. Esse não é um desejo 'mais elevado' do que querer brinquedos, dinheiro, fama ou amor. Os brinquedos, o dinheiro, a fama e o amor eram a face de Deus quando eram as coisas mais importantes para vocês. Qualquer coisa que vocês acreditem que irá lhes conferir a paz e realização finais é sua versão de Deus. À medida que avançam de uma fase para outra, contudo, vocês se aproximam da verdadeira meta; sua imagem de Deus torna-se mais verdadeira, mais próxima da natureza Dele como espírito puro. No entanto, cada etapa é divina”.

- Você está dizendo que alguém que queira roubar ou cometer um assassinato está seguindo um impulso divino? Afinal de contas, esses também são desejos - disse Percival.

- O amor é universal, e, por conseguinte, não toma partido - replicou Merlim. - O ego pode não gostar desse fato. Ele pode dizer: "Eu mereço o amor de Deus, mas aquela pessoa não merece". Esta não é a perspectiva de Deus. O ladrão inflige a perda da propriedade; o assassino, a perda da vida. Enquanto essas perdas forem reais para você, é claro que você condenará a pessoa que as causou. Mas o tempo também não irá roubar sua propriedade e, no final, sua vida? O tempo também é um criminoso? Existe uma perspectiva que encara o pecado como uma ilusão. Nada que você chame de pecado pode macular, mesmo que infimamente, o amor de Deus.

- Os buscadores alcançam automaticamente as visões e experiências que desejam? - indagou Galahad.

Aguardem a resposta no próximo capítulo.


Enviado por Water Jorge
 
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