Peregrino Walter Jorge

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O Santo Graal – III
Walter Jorge

Em pleno inverno os cavaleiros da Távola Redonda estavam inquietos, nada tinham a fazer, queriam ação, da conversa que tiveram com o rei Arthur o mesmo nada informou de concreto sobre a existência do Graal, não deu a menor pista sobre o mesmo deixando seus cavaleiros na dúvida. Mas finalmente quem era o Mago Merlim?

Vamos continuar com a nossa leitura.

Os Cavaleiros da Távola Redonda

Certa noite, no início da primavera, quando os campos degelavam e junquilhos, não mais compridos do que uma unha, floresciam entre as rosas de Natal que murchavam, uma fogueira podia ser vista a uma grande distância fora dos muros do castelo. Ao redor dela sentavam-se Sir Percival e Sir Galahad, que haviam prometido fazer juntos um retiro santo. Era cedo demais para que esse retiro tivesse lugar no seio da floresta, onde a última neve do inverno ainda se acumulava em montes sujos debaixo da sombra das árvores, de modo que os dois cavaleiros rezavam e jejuavam numa pequena tenda, visível dos aposentos do rei.

- Certa vez confundi meu sonho de conquistar o Graal com uma fantasia fútil - começou Percival. - Todo cavaleiro quer ser o primeiro entre os paladinos, mas durante anos voltei às costas para meu desejo, considerando-o um joguete do meu orgulho. Mas eu lhe digo, Galahad, minha alma arde por essa coisa.

- O rei afirma que o Graal não é uma coisa - lembrou o cavaleiro mais jovem.

- Ele também diz que Merlim o trouxe para a Inglaterra. Você mesmo o ouviu dizer isso, não ouviu?

A voz de Percival soou com uma sugestão de desafio, e Galahad simplesmente fez que sim com a cabeça. Algumas vezes a prece e a penitência acendiam mais chamas do que apagavam, pensou ele. Certamente Galahad tinha que admitir que compartilhava o crescente desejo de Percival.

- Se alguém está destinado a conquistar o Graal, sem dúvida tem que ser um de nós - disse ele, atirando no fogo alguns galhos secos de aveleira e observando-os flamejar. - Somos o único grupo de cavaleiros que realmente vivem para defender a paz e não apenas para fazer ataques de surpresa nos campos e disseminar o terror. Não sei se meu coração é suficientemente puro para alcançar o Graal, não sou tão vaidoso ou tolo a ponto de acreditar que ele deva cair nas minhas mãos, mas meu coração sofrerá enquanto eu não tentar.

Naquele momento os dois homens ouviram o ruído de passos rachando a fina camada de gelo que ainda cobria o solo perto deles. Ficaram tensos, esperando que o estranho se identificasse, quando uma voz levemente zombeteira disse:

- Não se assustem, e por favor concedam-me partir em segurança. Preciso de lume, se vocês puderem compartilhar o seu comigo.

Percival olhou para Galahad, e depois disse na escuridão:

- Vá saindo e acenda seu fogo. Isto é um retiro de dois cavaleiros que durante algum tempo não devem ter contato com as impurezas do mundo.

Eles receberam como resposta um riso zombeteiro.

- Acender meu fogo, vocês disseram? É o que farei então.

Antes que essas palavras acabassem de ser ditas, Percival pôs-se de pé assustado, pois o chão debaixo dele se inflamara. Galahad olhou assombrado em volta ao notar que um círculo de fogo agora os rodeava, subindo da terra congelada. Antes que ele pudesse gritar, uma figura alta, macilenta como um velho abeto, atravessou as chamas aproximando-se deles.

- Merlim - disse Galahad, controlando suas emoções. - O que o traz aqui após tanto tempo?

- Sem dúvida não seu amigo insolente - retrucou Merlim, fitando Percival, que tentava manter um mínimo de dignidade possível para um homem que está com o traseiro em chamas.

-Sente-se, sente-se - acenou o mago.

Percival sentiu a dor embaraçosa desaparecer, e sentou-se ao lado de Galahad, tendo Merlim à sua frente. Nenhum dos dois o vira antes, mas a descrição de Arthur fora precisa, inclusive a de seus chinelos pretos surrados, de pele de toupeira, bordados com fios de lã.

- Não fique olhando para mim - disse Merlim. - Estou pensando.

- Em quê? - perguntou Percival.

- E não me interrompa - foi tudo que o mago teve a dizer em resposta.

Depois de um instante, sua expressão um tanto dura suavizou-se.

- Sim, acredito que você esteja dizendo a verdade. O único problema agora é o que fazer a respeito.

- A verdade sobre o Graal? - perguntou Galahad. Certamente queremos empreender essa busca.
Merlim examinou-o com um olhar de aprovação.

O que o Mago Merlim terá para dizer aos cavaleiros em seu retiro espiritual?
Aguardem a continuação.

 

Enviado por Water Jorge
 
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