Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - Estrada Real (2)
Walter Jorge

No artigo anterior, abordamos o significado do Caminho Real também denominado de Estrada Real, informamos aos nossos leitores que o mesmo apesar de ter aproximadamente 1.400 km, foi construído em três etapas denominadas de: Caminho Velho, Caminho Novo e finalmente a Rota dos Diamantes.

Abordamos os dois Caminhos (o Velho e o Novo), nesse artigo iremos abordar sobre a sua 3ª. Etapa, a Rota dos Diamantes, e aproveitaremos a oportunidade para falarmos sobre três importantes cidades históricas existente no seu eixo e colocar a disposição dos nossos leitores o mapa contendo o seu traçado global.

Caminho Real ou Estrada Real (segunda parte)

Rota dos Diamantes

Essa última parte da Estrada Real vai de Ouro Preto até Diamantina. Foi construída no século XVIII, época em que os diamantes da antiga região do Tejuco, hoje Diamantina, brilharam com mais intensidade. Essa rota foi construída para atender as necessidades da Coroa de se ter um caminho que possibilitasse um rápido escoamento de ouro e diamantes até a metrópole.

A Rota dos Diamantes é o trecho que mais conserva o aspecto, o sabor e as tradições do interior de Minas, Já que o progresso pouco andou por lá nas últimas décadas. Nesse caminho o que mais se encontram são cidades com casarios antigos distribuídos por montanhas, é o verdadeiro retrato do interior mineiro.

O seu trajeto ao sair de Ouro Preto, galgava a cidade de Mariana, Catas Altas na Serra da Caraça, Santa Bárbara, Barão de Cocáis, Cocáis, Bom Jesus do Amparo, Morro do Pilar, Conceição do Mato Dentro, Itapanhoacanga, Serro, São Gonçalo do Rio das Pedras, para daí alcançar a famosa cidade de Diamantina ponto final da Estrada Real.

Não podíamos aqui deixar de falar um pouco sobre determinadas cidades, verdadeiros museus da nossa história que carrega marcas do nosso passado colonial há mais de três séculos.

SÃO JOÃO DEL REI, antigo centro minerador e um dos pioneiros na utilização da estrada de ferro em Minas Gerais, nela encontramos o moderno ao lado do passado. São Igrejas, imagens sacras, museus, casarões mobiliados com móveis seculares, sem contarmos as belezas naturais de suas cachoeiras, serras e grutas. Na praça central da cidade vamos encontrar a Igreja de São Francisco de Assis, construída no séc. XVII (1774), possui uma belíssima portada esculpida em pedra-sabão e um magnífico lustre de cristal Bacarat no altar-mor; a Catedral de Nossa Senhora do Pilar (1771) é a única na cidade que possui altares com talhas douradas. No altar-mor, sobre um trono em degraus, está a imagem da padroeira N.S. do Pilar; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo possui na sua Sacristia uma imponente imagem de Cristo de autor desconhecido. Próximo a São João del Rei encontra-se a cidade de Tiradentes e a de Congonhas, verdadeiros museus ao céu aberto, nessa última encontra-se a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinho onde iremos encontrar os famosos estatuas dos profetas entalhados em pedra-sabão e muitos outros trabalhos de Aleijadinho.

OURO PRETO, antiga Vila Rica, cidade do séc. XVIII, o ouro fez de Ouro Preto uma cidade diferente, repleta de arte e cultura trazidas por quem vinha da Europa. São famosos suas ladeiras, seus casarões coloniais e as suas Igrejas que parecem não ter passado pelos últimos séculos, pois tudo lá está como era originalmente. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (1786), possui uma Capela-mor e seis altares laterais ricos em esculturas e talhas douradas; é a segunda igreja mais rica do Brasil. O acervo de suas imagens e pratarias estão exposto no Museu de Arte Sacra anexo à mesma; A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em estilo barroco, é considerada a obra-prima de Aleijadinho, que, além de ser o autor do projeto, também esculpiu o relevo da portada, os dois púlpitos e o lavabo da sacristia. O forro da nave (ascensão de Nossa Senhora) e os painéis laterais de madeira da capela-mor, que lembra azulejaria portuguesa, foram pintados por Manoel da Costa Athayde. Temos ainda a Casa da Ópera, o mais antigo teatro em funcionamento no Brasil, o Museu Guignard, o Museu do Oratório e muitos outros monumentos históricos.

DIAMANTINA é a mais atraente cidade da Rota dos Diamantes, principalmente depois de receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1999. A cidade é emoldurada pela Serra dos Cristais e cercada de uma natureza rica, cheia de cachoeiras e grutas deslumbrantes. Mas o mais interessante é poder encontrar ainda trechos da Estrada Real feitos de pedra que era colocadas uma a uma pelos escravos da época. Nela encontra-se a Igreja de Santo Antônio onde os bandeirantes construíram uma capela em honra ao Santo querido pelos portugueses, a Igreja Nossa Senhora do Carmo (1760/1784) a mais rica da cidade contendo um órgão de 514 tubos folheado a ouro; a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1728), antiga capela dos pretos a mais antiga da cidade, em frente à mesma estão a Cruz da Gameleira e o Chafariz do Rosário (1787).

Casario em Diamantina – MG

Atualmente um grupo de estudiosos conseguiram resgatar um pequeno trecho da referida estrada o que vem a permitir o peregrino efetuar sua caminhada, seguindo as setas existentes até a cidade de Juiz de Fora. É uma caminhada de aproximadamente 176 quilômetros, partindo da Praça XV, antiga Praia dos Mineiros, adentra a Baía da Guanabara até a foz do Rio Estrela, para em seguida tomar a direção de Vila Esperança, Fragoso, Inhomirim, Vila de São Francisco, Petrópolis, Correias, Nogueira, Itaipava, Pedro do Rio, Secretário, Fagundes, Inconfidência, Retiro, Fernando, Santo Antônio, atravessa a ponte sobre o rio Paraíba do Sul chegando à cidade de Paraíba do Sul, daí o caminhante passa pela Fazenda Santa Clara do Paiol, alcança Monte Serrat para logo em seguida atravessar o rio Paraibuna penetrando no Estado de Minas Gerais, seguindo por Paraibuna, margeando o rio o caminhante alcança Simão Pereira, Cotegipe, Matias Barbosa, concluindo na cidade de Juiz de Fora.

Para aqueles que desejam efetuar a referida caminhada revendo às cidades históricas situadas ao longo da mesma, recomendamos a utilização do “Guia Estrada Real” de Raphael Olivé, estudioso do assunto. Raphael já efetuou a peregrinação a pé ao longo do Caminho de Santiago de Compostela por duas vezes, e muito tem contribuído não só promovendo os contatos com as Prefeituras locais no sentido de prover aos caminhantes a necessária infra-estrutura, como tem efetuado a divulgação do referido Caminho.

No próximo capítulo iremos tomar conhecimento do que é uma Estrada Real.
Aguardem.

Caminho Real ou Estrada Real – Mapa

Fontes consultadas dentre outras:

www.editoraestradareal.com.br
www.estradareal.org.br
 

Enviado por Water Jorge
 
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