Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 35 - Caminho do Frei Galvão
Walter Jorge

            Como não podia deixar de acontecer, acaba de nascer em plena serra da Mantiqueira entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, mais um caminho de peregrinação no Brasil. Essa bela noticia nos chega em mãos e não poderíamos deixar de trazer para o conhecimento dos nossos leitores, as informações sobre a criação do projeto “O Caminho do Frei Galvão”, mais um caminho de Fundo Religioso.

 

Caminho do Frei Galvão (primeira parte)

            São Bento do Sapucaí, cidade situada nas terras da mais antiga fazenda da região, foi palco de muitas batalhas travadas entre paulistas e mineiros que lutavam pela posse da almejada nascente do rio Sapucaí. Essa brejeira cidade acaba de lançar um projeto de turismo religioso intitulado “Caminho do Frei Galvão”.

Estátua de Frei Galvão na sua cidade natal Guaratinguetá


            O referido Caminho está situado em pleno coração da Serra da Mantiqueira, são aproximadamente 128 quilômetros de caminho através de trilhas, estradas vicinais de terra e um pequeno percurso em estrada asfaltada. Todo o caminho foi estruturado e organizado utilizando as trilhas tradicionais usadas por tropeiros para o transporte de suas mercadorias existentes naquela época e encontra-se pronto para receber os amantes de caminhadas em busca de uma peregrinação religiosa contendo aqueles ingredientes tão necessários a um bom caminho que é à parte da sua história, a beleza natural das nossas terras e o carinho acolhedor do seu povo hospitaleiro.

            O referido trajeto inicia-se na cidade de São Bento do Sapucaí no estado de São Paulo, exatamente no local denominado “Cama & Café”, segue em direção a cidade de Luminosa, continua seu caminho passando por Piranguçu, Wenceslau Braz, Delfim Moreira, Bairro dos Pilões essas no estado de Minas Gerais e finalmente o peregrino adentra a cidade Guaratingueta chegando finalmente na casa Frei Galvão, onde terá a oportunidade de receber as suas pílulas, visitar a casa onde nasceu o primeiro Santo Brasileiro e que foi canonizado pela Igreja Católica em 2007.

QUEM FOI FREI GALVÃO

            Frei Galvão nasceu na cidade de Guaratinguetá em 1739 e faleceu em 23 de dezembro de 1822, foi um frade católico e o primeiro Santo nascido no Brasil. Foi canonizado pelo papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil em 11 de maio de 2007, passando a ter o nome de “Santo Antônio de Sant´Ana Galvão, O.F.M”.

            Seu pai, Antônio Galvão de França, nascido em Portugal, era capitão-mor da vila. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros e bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o “caçador de esmeraldas”.

            Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. Seus pais querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandaram o filho com a idade de trezes anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José.

Vista geral do Mosteiro da Luz – São Paulo

            Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756. Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra a Ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté não muito longe de Guaratinguetá. Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 16 anos entrou para o noviciado na Vila de Macacú, no Rio de Janeiro.

            Distinguia-se pela piedade e virtudes. A 16 de abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes. Este privilégio mostra a confiança que nutriam pelo jovem clérigo. Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua “entrega a Maria”, como seu “filho e escravo perpétuo”, consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de março de 1766.

            Em 1769-70 foi designado confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as “Recolhidas de Santa Teresa” em São Paulo. Neste Recolhimento encontrou a Irmã Helena Maria do Espírito Santo que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, considerou válidas essas visões. No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo Recolhimento e Frei Galvão era o seu fundador.

            Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente, Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Enquanto isso o novo capitão-general da capitania de São Paulo, homem inflexível e duro, retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão aceitou com fé e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram até os extremos das forças físicas. Depois de um mês, graças à pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.

            Devido ao grande número de vocações, Frei Galvão se viu obrigado a aumentar o recolhimento. Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da Igreja (1788-1802), inaugurada no dia 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra hoje denominada o “Mosteiro da Luz”, foi declarado “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO.

Mosteiro da Luz em São Paulo

            Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava cavalos nem a liteira levada por escravos, o que era absolutamente normal para aquele tempo. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico.

            Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, Dom Mateus de Abreu Pereira, Frei Galvão fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, onde permaneceu por onze meses para encaminhar a nova fundação e comunidade. Posteriormente, após a sua morte, outros mosteiros foram fundados por essas duas comunidades, seguindo assim, a orientação deixada pelo beato.

            Faleceu em 23 de dezembro de 1822 e a pedido do povo e das irmãs foi sepultado na Igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra, Seu túmulo sempre foi lugar de contínuas peregrinações. Em 8 de abril de 1997, foi beatificado pelo papa João Paulo II, tornando-se o primeiro beato brasileiro.

            O papa Bento XVI reconheceu em 16 de dezembro de 2006 o segundo milagre do frade franciscano Frei Galvão. Com isso, passou a ser o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano, sua canonização aconteceu em 11 de maio de 2007 durante missa campal que o papa Bento XVI celebrou em São Paulo durante sua visita ao Brasil.

O TRAJETO

            O início atual do caminho para a sua peregrinação é a cidade de São Bento de Sapucaí em São Paulo, até sua chegada na cidade de Guaratinguetá perfazendo um total de 128 quilômetros conforme o seguinte itinerário:

 
Trecho
Km
  De São Bento de Sapucaí a Luminosa
23
  A Piranguçu
21
  Ao Bairro dos Freires
17
  A Delfim Moreira (lageado-W.B.)
20
  A Delfim Moreira (Faz. Boa Esperança-W.B;)
10
  A Bairro dos Pilões
18
  A Guaratinguetá
19
Mapa do trajeto

             Todo o trajeto encontra-se devidamente sinalizado com setas na cor azul. O percurso pode ser realizado de 5 a 6 dias. Existe em todo o trajeto acima referenciado, uma boa rede de albergues e hotéis, bem como facilidades outras à disposição dos peregrinos a um custo médio de R$50,00 por dia de peregrinação, computando os custos de alimentação e hospedagens.

            A semelhança com o Caminho de Santiago de Compostela e dos outros Caminhos Brasileiros, o peregrino receberá uma credencial onde diariamente irá registrar sua passagem e, ao chegar ao final da jornada, terá a mesma devidamente atestada como cumprimento à sua peregrinação.

            Um fato bastante interessante nesse caminho, é que o mesmo cruza com o Caminho da Fé na cidade de Luminosa em Minas Gerais (vide nossa trabalho sobre Peregrinação no Brasil - Caminho da Fé).

            Para maiores informações aconselhamos consultar o site www.caminhofreigalvao.com.br , bem como pelo Tel: (12)3971.1469 com o Sr. Luiz Zingra.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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