Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - Estrada Real (1)
Walter Jorge


Como informamos anteriormente, dividimos os Caminhos Brasileiros em três grandes grupos, os Históricos, os Religiosos e os Ecológicos. Com referência aos Históricos, que são aqueles que abordam locais onde a nossa história é um ponto predominante, reservamos em primeiro lugar o “Caminho Real” também conhecido como “Estrada Real”.

Caminho Real ou Estrada Real (Primeira Parte)

Caminho Real ou Estrada Real visa resgatar o primitivo Caminho que tinha como finalidade ligar à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro com as fazendas no estado de Minas Gerais, facilitando o intercâmbio de mercadorias não só do ouro e diamantes que eram enviados para Portugal, como também dos produtos manufaturados que demandavam para aquela região proveniente não só da colônia, como dos importados procedentes de Portugal e dos países europeus.

É uma caminhada de cunho histórico e cultural, onde se oferece ao caminhante não só o aspecto histórico, como uma parcela de fundo religioso e folclórico, permitindo-o estar em permanente contato com seus moradores, bem como a oportunidade de visitar cidades ligadas ao nosso Brasil Colonial.

Um Pouco da sua História

A Estrada Real foi criada pela coroa portuguesa no século XVII com a intenção de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais (ouro e diamante) e o litoral do Rio de Janeiro capital da colônia por onde saíam os navios para Portugal. Como era proibido se fazer o trajeto por outra via, o caminho foi usado por imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, que além de produtos, carregavam ideais, como o de se transformar o Brasil em uma república independente. Foi por esse motivo, e para servir de exemplo para o resto da população que partes do corpo de Tiradentes foram expostos em pontos estratégicos da Estrada após seu esquartejamento.

De qualquer forma, a grande movimentação e importância da Estrada Real fizeram nascer ao longo dos seus aproximadamente 1.400km, inúmeras vilas, povoados e cidades. Mas é claro que com o fim desse ciclo econômico e com a industrialização, o caminho ficou por muito tempo adormecido, o que veio a ajudar na conservação da sua parte história e possibilitando hoje o surgimento de vários projetos de recuperação para explorar seu grande potencial turístico.

Atualmente a Estrada Real é formada por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo. A união desses destinos reuniu atrativos de sobra para uma longa viagem, são construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventuras, estações de águas minerais, culinária mineira e, principalmente, nossa história.

A Estrada Real não nasceu com toda essa extensão, ela foi surgindo gradativamente em épocas diferentes, dando origem ao formato atual que ela tem hoje. Em primeiro lugar surgiu o Caminho Velho, em seguida o Caminho Novo e finalmente o terceiro e último o chamado de Rota dos Diamantes.

Caminho Velho

O Caminho considerado velho é o trecho mais antigo de todo o trajeto. Ligando Parati a Ouro Preto, nasceu por volta do século XVII, fruto das andanças bandeirantes que em busca de riquezas em Minas Gerais, partiam de São Paulo até atingir a Serra da Mantiqueira.

Desembarcando no porto da cidade de Parati no Rio de Janeiro, o viajante escalava a Serra do Mar, passava por Falcão, hoje município de Cunha - no Estado de São Paulo - rumo a Serra da Mantiqueira, onde alcançava Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista, Cruzeiro e a Garganta do Embaú. Vencida a serra, seguia em frente já no estado de Minas Gerais até alcançar Passa-Quatro, Itanhandu, Pouso Alto, passava pela famosa estância hidromineral de Caxambu, donde o viajante poderia estender sua caminhada pelas outras duas estâncias hidrominerais de São Lourenço e Cambuquira, em seguida alcançamos Baependi de onde é fácil alcançar a mística São Tomé das Letras. Em seguida passamos por Cruzília, Traituba, Carrancas para mergulhamos no passado ao chegarmos às cidades históricas de São João Del-Rei, Congonhas e a bucólica Tiradentes, Continuava seu trajeto até alcançar os arraiais de Lagoa Dourada, Entre-Rios de Minas, São Brás de Suaçui, Joaquim Murtinho e do Ouro Branco e Ouro Preto.

Caminho Novo

Em 1698, a Coroa Portuguesa tomou a decisão de abrir um novo caminho para a região das minas, ligando-as à Baia da Guanabara. Este caminho ficou conhecido pelo nome de Caminho Novo. Até então, o único acesso para os sítios auríferos, partindo do Rio de Janeiro, era via Parati.

Antes mesmo da virada do século, tiveram início os trabalhos de abertura da grande picada que viria a ser conhecida como Estrada Real. Garcia Rodrigues Paes, filho do famoso bandeirante Fernão Dias Paes, foi o encarregado da empreitada.

Por volta de 1707, a obra teria sido concluída, a duras penas. Muitas críticas foram feitas a respeito do trecho da Serra do Couto, próximo à atual cidade de Petrópolis, devido à sua quase inviabilidade e falta de segurança, mesmo assim, as tropas e os viajantes continuavam a encarar o novo caminho, pois a economia no tempo de viagem era significativa. O caminho ficou conhecido também como Estrada Real ou ainda como Estrada da Corte.

Por volta de 1720, a Coroa Portuguesa determinou exclusividade do tráfego do ouro oficial e do diamante pelo Caminho Novo. Dentre as medidas tomadas, decidiu-se à construção de um atalho que substituísse o trecho inviável da Serra do Couto. O projeto previa a substituição do trecho entre o rio Piabanha e a Baia da Guanabara por um caminho mais rápido e praticável. Esta variante, concluída em 1725, ficou conhecida popularmente como Caminho do Inhomirim, Caminho da Estrela ou Caminho do Proença. O nome oficial era Atalho do Caminho Novo. Esse atalho foi habilitado, então, como Caminho Geral do Ouro e tinha início no Cais dos Mineiros, hoje a Praça XV na cidade do Rio de Janeiro.

Após atingirmos Petrópolis, seguia margeando o rio Paraíba do Sul, passando por Itaipava, Secretário, Paraíba do Sul, Paraibuna, São Pereira, Matias Barbosa, Caetés até alcançara cidade de Juiz de fora a mais populosa da Estrada Real. Prosseguia em direção a Santos Dumont, Barbacena, Ressaquinha, depois avançava por Carandaí, Cristiani Otoni, Conselheiro Lafaiete até chegar em Ouro Branco e Ouro Preto, ponto de encontro com o Caminho Velho.


Na segunda parte continuaremos falando sobre o terceiro trecho denominado de a Rota dos Diamantes.
Aguardem.

Enviado por Water Jorge
 
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