Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 27 - Caminho do Sol – (03)
Walter Jorge

            Em continuação às informações sobre o “Caminho do Sol”, para esse artigo iremos concluir a série das histórias das cidades existentes ao longo do seu percurso.

Caminho do Sol (Terceira Parte – Final)

Suas Cidades

            INDAIATUBA – Uma capela no local chamada Votura, deu início a uma população, que muitos anos mais tarde se tornaria o atual Município de Indaiatuba. O responsável por esta primeira edificação foi José da Costa que, movido pelo desejo de conhecer novas terras, se embrenhou sertão adentro, nos fins do século XVII e princípios do século XVIII, localizando-se naquele local.

Igreja Matriz em Indaituba

            Em 1740, uma epidemia de Bexigas provocou a morte de grande parte dos moradores, e os sobreviventes transferiram-se para um lugar mais elevado, a uma légua de distância, onde edificaram uma nova capela. Com a mudança, o arraial perdeu seu nome original, recebendo então o nome de Cocais, por causa da abundância de uma espécie de Palmeira rasteira que se encontrava em seus campos, produzindo rente ao chão cachos de pequenos cocos, vulgarmente denominado de Idaiá. Essa nova capela foi construída exatamente no lugar onde se encontra a atual Igreja Matriz.

            O desenvolvimento dessa população levou-se à categoria de Freguesia, segundo o Decreto Imperial de D. Pedro I, datado de 09 de dezembro de 1830, recebendo o nome de Indaiatuba, pertencendo então, a Vila de Itu. Com o passar dos anos ocorreram constantes progressos, aumentando a população com crescimento paralelo da economia. Desse desenvolvimento resultou a aprovação, pela Assembléia provincial, da Lei no. 12, de 24 de março de 1859, quando o povoado de Indaiatuba foi elevado à categoria de Vila, adquirindo autonomia política.

            No dia 24 de março de 1859, foi empossada a primeira Câmara Municipal e a 31 de julho foi instalado o Município, cuja sede foi elevada à categoria de Cidade a 19 de dezembro de 1906, pelo Decreto Estadual no. 1038. Em 31 de dezembro de 1963, pela Lei no. 8059 foi criada a comarca de Indaiatuba. É elevada à categoria de Comarca de 2º. Estância em 1969.

            “Idaiá” é a denominação dada a Palmeira do gênero Attalea. E “Tuba” – sufixo que significa “muita”. Assim, o topônimo de Indaiatuba tem como significado “Muito Indaiás” ou “Terra dos Indaiás”.

            CAPIVARI – Em 1628 Capivari figura, pela primeira vez, nos documentos cartográficos de São Paulo, encontrado em um velho roteiro existente no “Archivo General de Las Índias”, de Sevilha, Espanha e da lavra do então Capitão-General do Paraguai, Dom Luiz de Céspedes y  Xéria.

            Em 1718, ricas jazidas de ouro foram descobertas nas cercanias de Cuiabá, para onde afluiu grande número de aventureiros. As viagens eram efetuadas por via fluvial, pois a grande mata virgem era muito cerrada. A fome e as lutas com os índios dizimavam as caravanas, espalhando-as e formando acampamentos às margens dos rios. Uma das monções que saiu de Porto Feliz, por ordem do Marquês de Pombal ao Capitão General Morgado de Mateus, fora dizimada em grande parte pelos índios, e na volta, explorava um dos afluentes subindo até um formoso salto. Conhecedores desse fato e do quanto era penoso e difícil à viagem a essa paragem, os governadores das capitanias serviam-se desse local para o degredo das pessoas que caiam no seu desagrado.

Casa do Barão de Almeida Lima – Tombada

            Nos fins do século XVIII, um grupo de ituanos degredados em fuga, resouveu estacionar alguns dias e por notar grande quantidade de peixes e caças, principalmente capivaras, passaram a ali residirem, pois o local era muito agradável. Corria o ano de 1800, e na colina às margens do rio das Capivaras, florescia uma pequena povoação, que mais tarde seria chamada de Capivari. Em 1813, com a iniciativa do Cônego João Ferreira de Oliveira Bueno, Tesoureiro-Mór da Sé de São Paulo, foi proposto ao Príncipe D. João, o estabelecimento de um novo povoado, uma freguesia, nos sertões de Itu, junto ao rio de Capivari, distante das Igrejas de Itu, Porto Feliz e Piracicaba, sob a invocação de São João Baptista de Capivary. Em 5 de junho de 1820, o pequeno povoado possuía grande número de casas e uma capelinha, onde foi celebrada a missa com o primeiro sacerdote, o padre João Jacinto dos Serafins.

            Sendo escolhido São João Baptista padroeiro do povoado. O imperador D. Pedro I, por Alvará de 11 de julho de 1825, elevou a Capela para Freguesia e pelo Alvará de 10 de julho de 1832, foi oficialmente denominada a povoação de São João Baptista de Capivary de Baixo, sendo na oportunidade elevada à categoria de Vila. A partir desta data, iniciou-se o desenvolvimento econômico da Vila Capivary, predominando a agricultura, com o cultivo da cana de açúcar, cereais, algodão, chá e café, produtos propiciadores da formação de fazendas. Evoluindo aos poucos o comércio e mais tarde as industrias.

            PIRACICABA – Em 1766 o capitão general de São Paulo, D. Luis Antônio de Souza Botelho Mourão, encarregou Antônio Corrêa Barbosa de fundar uma povoação na foz do rio Piracicaba. No entanto, o capitão povoador optou pelo local onde já se havia fixado alguns posseiros e onde habitavam os índios Paiaguás, à margem direita do salto, a 90 km da foz, no lugar mais apropriado da região. A povoação seria ponto de apoio às embarcações que desciam o rio Tiête e daria retaguarda ao abastecimento do forte Iguatemi, fronteiriço ao território do Paraguai.

Vista de Piracicaba em fevereiro de 1995

            Oficialmente o povoado de Piracicaba, termo da Vila de Itu, foi fundado em 1º. de agosto de 1767, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres. Em 1774, a povoação constitui-se freguesia, com uma população estimada em 230 habitantes desvinculando-se de Itu em 21 de junho.

            Em 1784, Piracicaba foi transferida para a margem esquerda do rio, logo mais abaixo do salto, onde os terrenos melhores favoreciam sua expansão. A fertilidade da terra atraiu muitos fazendeiros, ocasionando a disputa de terras. Em 29 de novembro de 1821, Piracicaba foi elevada à categoria de vila tomando o nome de Vila Nova da Constituição, em homenagem à promulgação da Constituição Portuguesa ocorrida naquele ano.

            A partir de 1836, houve um importante período de expansão. Não havia lote de terra desocupado e predominavam as pequenas propriedades. Além da cultura do café, os campos eram cobertos, pelas plantações de arroz, feijão, milho, algodão e fumo, mais pastagens para criação do gado. Piracicaba era um respeitado centro abastecedor.

            Em 24 de abril de 1856, Vila Nova da Constituição foi elevada à categoria de cidade. Em 1877, por petição do então vereador Prudente de Moraes, mais tarde primeiro presidente civil do Brasil, o nome da cidade foi oficialmente mudado para Piracicaba, “o mais certo e correto e como era conhecida popularmente”.

            ÁGUAS DE SÃO PEDRO é o menor município brasileiro em extensão territorial. Localiza-se no estado de São Paulo, com área territorial de apenas 3,9 km2. É totalmente considerado como uma estância hidromineral. A mesma surgiu quando Octávio Moura Andrade descobriu as propriedades medicinais das fontes de água mineral na cidade.

            Em 1920, quando o governador do estado de São Paulo realizou pesquisas para a prospecção de petróleo no município de São Pedro. As pesquisas não tiveram sucesso em encontrar petróleo e os poços acabaram sendo abandonados e continuaram jorrando águas termais sem que ninguém as aproveitasse. Outras iniciativas de exploração foram realizadas em grandes profundidades, porém nada foi encontrado. A estrutura da torre ainda ficou na memória dos primeiros desbravadores.

Estatua de São Tiago em frente a Igreja

            Anos mais tarde, em 1934, Ângelo Franzin, dono das terras perfuradas, que é conhecido atualmente como “fonte da juventude”, construiu um balneário simples, onde se banhava. A água tinha um odor ruim. Um ano depois, um grupo de pessoas da cidade compraram um lote de 100 mil metros quadrados ao redor da fonte da juventude onde construíram um balneário. Eram doze banheiras de alvenaria, ao contrário do primeiro balneário, que era feito de madeira. No mesmo ano Octavio Moura de Andrade resolveu construir uma estância dando-lhe o nome de “Caldas de São Pedro”, criando juntamente com seu irmão, Antônio Joaquim de Moura Andrade a empresa “Águas Sulfídricas e Termais de São Pedro S/A”.

            Durante quatro anos o Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP, realizou análises nas águas. Geralmente as águas provenientes de grandes profundidades possuem uma alta concentração de substâncias que podem ser nocivas ao ser humano, assim como seu pH pode não ser adequado para o banho. Em 1940 os resultados foram publicados no Boletim 26 do IPT. As águas foram consideradas adequadas para o banho e suas propriedades medicinais estudadas pelo professor Dr. João de Aguiar Pupo, então Diretor da Faculdade de Medicina de São Paulo (USP). Sua população estimada em 2004 era de 1978 habitantes.

            Fontes consultadas: Prefeituras Municipais.

            No próximo artigo iremos abortar mais um Caminho Brasileiro.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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