Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 26 - Caminho do Sol – (02)
Walter Jorge

            Em continuação às informações sobre o “Caminho do Sol”, para esse artigo iremos ir trazer para conhecimento dos nossos leitores, um pouco da história de algumas cidades existentes ao longo do seu percurso.

Caminho do Sol (Segunda Parte)

Suas Cidades

            SANTANA DE PARNAÍBA nasceu às margens do rio Tietê, durante a administração de Mem de Sá terceiro governador-geral do Brasil. Há registros de que o primeiro a se instalar na região foi o português Manoel Fernandes Ramos, participante de uma expedição realizada em 1561 por Mem de Sá para explorar o sertão no sentido Rio Tietê abaixo, em busca de ouro e metais preciosos. Estabeleceu-se no povoado, construindo uma fazenda e uma capela em louvor a Santo Antônio, mas sua estrutura precária não resistiu às constantes enchentes e acabou destruída. Posteriormente, seus herdeiros e sua mulher, Suzana Dias, resolveram erguer, em 1580, uma nova capela, desta vez em honra de Sant´Ana.

Igreja de Santana de Parnaíba

            Em 14 de novembro de 1625, o povoado que cresceu ao redor da capela foi elevado à categoria de vila com a denominação de Santana de Parnaíba. Durante o período colonial, a vila possuía apenas uma economia de subsistência, baseada nas lavouras de trigo, algodão, cana, feijão e milho, sustentando um pequeno comercio com as povoações vizinhas. Seus habitantes, para contornar as dificuldades econômicas decorrentes de seu isolamento em relação à metrópole, contavam com o fato de a vila ser um importante ponto de partida do movimento das bandeiras, que exploravam o sertão com o duplo objetivo de capturar indígenas e descobrir metais preciosos.

            Nos séculos XVII e XVIII, Santana de Parnaíba conheceu um certo desenvolvimento, promovido pelo emprego da mão-de-obra indígena e pela chegada de famílias importantes, como, por exemplo, a dos Piresa. Apresentou-se por um lado, como uma das principais áreas de mineração da capitania, tendo dentre seus moradores o padre Guilherme Pompeu de Almeida, que foi um grande financiador das bandeiras paulistas; por outro, como núcleo exportador de mão de obra indígena para as demais capitanias, entrando muitas vezes em confronto com os jesuítas.

            A vila chega ao século XIX desenvolvendo poucas atividades econômicas, situação agravada ainda mais pela abertura de novas estradas que ligavam São Paulo a outras vilas e cidades sem passar por Parnaíba. Sofreu também o impacto de não ter havido em suas terras a substituição da cultura de cana de açúcar pela de café. A cidade permaneceu estagnada até o início do século XX, quando a Light & Power Company construiu sua primeira usina hidrelétrica no país, abrindo um novo campo de trabalho na região. Sua denominação foi reduzida, não se sabe quando, para Parnaíba, mas em 30 de novembro de 1944 volta a adotar seu nome atual, Santana de Parnaíba.

            Graças às técnicas de restauração desenvolvidas pelo Projeto Oficina Escola (POEAO), Santana de Parnaíba preservou seu patrimônio histórico. Com suas construções coloniais, a cidade concentra um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Estado, com 209 edificações, tombadas, em 1982, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). Mas, antes em 1958, a residência bandeirista urbana, construída na segunda metade do século XVII, onde atualmente funciona o Museu Histórico e Pedagógico Casa do Anhanguera e o sobrado construído no século XVIII, onde está instalado a Casa da Cultura, foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Historio, Artístico e Nacional (IPHAN).

            PIRAPORA DO BOM JESUS é um município do Estado de São Paulo situado na Região Metropolitana da capital, micro região de Osasco, seus limites são Cabreúva e Jundiaí ao norte, Cajamar a leste, Santana de Parnaíba ao sul e Araçariguama a oeste.

Vista de Pirapora do Bom Jesus

            A cidade fica num vale encravada entre grandes montanhas, a beira do rio Tietê, bastante poluído neste trecho. Fica a 53 km da cidade São Paulo, próxima à Rodovia Castello Branco.

            É uma cidade turística, famosa pela Romaria de Pirapora do Bom Jesus, procissão onde romeiros, ciclistas, pedestres, charreteiros, cavaleiros, jeeps e demais veículos motorizados partem com destino a Pirapora do Bom Jesus.

            Na cidade, o visitante encontra o primeiro Santuário Cristocêntrico do Brasil, cuja origem teve início em 1725, quando foi descoberta em uma corredeira, uma imagem do Senhor Bom Jesus. A capela inicialmente construída no local deu lugar à outra feita de madeira. Em 1845 iniciou-se a construção da atual igreja (concluída em 1887), que abriga famosa escultura de Cristo, com cabelos naturais. A escultura está localizada no Altar Mor, protegida por uma redoma de vidro a prova de balas, e é acessada pela lateral da Igreja.

            Até hoje, a cidade continua recebendo um número bastante significativo de romeiros tanto em datas religiosas quanto em fins de semanas normais. A Romaria de Pirapora do Bom Jesus é a segunda maior do país, perdendo apenas para a de Aparecida (popularmente conhecida como Aparecida do Norte) em número de romeiros.

Mirante do Sol existente em Pirapora do Bom Jesus

            Tornou-se município em 1959, quando se emancipou de Santana de Parnaíba. O rio Tietê corta o centro velho da cidade e por vezes, podem-se observar tapetes de espumas sobre suas águas. Este fato ocorre devido a proximidades da cidade com a Barragem de Pirapora do Bom Jesus que tem por finalidade acumular água, para atender a Usina Hidroelétrica de Rasgão, que se situa pouco mais abaixo.

            As águas poluídas do Tietê, quando passam pelos seus vertedores ou pela tubulação interna de descarga, acabam por produzir muita espuma (proveniente da contaminação da água por dejetos domésticos, notadamente detergentes).

            ITU – O marco da fundação da cidade de Itu foi à construção, em 1610, de uma capela devotada a Nossa Senhora da Candelária, no lugar em que hoje fica a Igreja do Bom Jesus. Esta capela foi construída por Domingos Fernandes e seu genro, Cristóvão Diniz. Eles receberam por sesmaria em 1604, a posse das terras dos campos do Pirapitingui. Adotou-se o dia 2 de fevereiro com data de aniversário da cidade de Itu, por coincidir com o dia dedicado a Nossa Senhora da Candelária.

            O povoado se formou em torno desta capela. No ano de 1653 foi elevada a Freguesia de Santana do Parnaíba. Em 1657, passou à condição de Vila com direito a possuir uma Câmara Municipal, iniciando-se assim a construção de um novo templo. Durante quase 100 anos (de 1657 a 1750) a Vila de Itu não passou de um pequeno núcleo, com menos de 100 casas, concentradas no pátio da antiga Matriz e numa única rua que ia do pátio até a capelinha do primeiro povoado. Uma boa parte das casas, as do pátio, sobretudo, pertencia a fazendeiros. Quando aumentou a escravatura e a produção das fazendas, seus donos ajudaram a erguer dois conventos na Vila, o de São Francisco (1692) e o do Carmo (1719).

Igreja Matriz de Itu

            Alguns anos depois, em 1776, com o crescimento das lavouras da cana de açúcar e o algodão, a Vila cresceu aparecendo um grande número de artesãos, tais como: sapateiros, ferreiros, carpinteiros, tecelões, costureiras e fiandeiras.

            Entre 1785 e 1792, foram abertas as ruas que descem paralelas, pelas encostas do espigão, e seus prolongamentos pelo lado da Igreja do Patrocínio inaugurada em 1819. Em 1811, foi criada a Comarca de Itu e pela lei Provincial de 05 de fevereiro de 1842 a Vila de Itu foi elevada à cidade. A partir de 1850 e durante anos, Itu foi considerada a cidade mais rica da Província de São Paulo, com importante participação na vida política e econômica.

            Em 1860,ocorreu uma grande crise no mercado internacional do açúcar. O plantio da cana entrou em decadência, causando, com o tempo, um conflito entre os políticos e os fazendeiros ituanos contra o Governo Imperial. Cresceu em Itu o Movimento Republicano que resultou, em 1873, na realização da Primeira Convenção Republicana do país.

            O açúcar que era o pólo econômico da região foi gradativamente sendo substituído pelo plantio do café. Com o aumento da produção cafeeira, os fazendeiros buscaram, na Europa, a vinda de imigrantes para substituir a mão de obra escrava. O trafico havia sido proibido em 1850 e, a escravatura abolida em 1888. Com a ajuda do governo Republicano, proclamado em 1889 vieram para Itu milhares de imigrantes a maioria de italianos. A cidade possuía, nesta época, cerca de 1800 casas.

            O café foi à base da economia do município até 1935, ano da maior produção, decaindo depois, pela concorrência de outras áreas de plantio e pelo esgotamento das terras. De 1935 a 1950, Itu quase não cresceu além da área já ocupada. A partir de 1950 novas industrias vem se instalando na cidade, principalmente as de cerâmica. Ocorreu grande migração rural em busca de trabalhos nas fábricas. A cidade começou novamente a crescer com a abertura de diversos loteamentos na periferia. Itu já não tinha a mesma importância de antigamente, sendo influenciada pela Capital do Estado, já então uma metrópole.

            O velho centro é a maior e mais importante herança cultural dos tempos de colônia, passou a ser transformado em centro histórico com seu grande número de Igrejas, Conventos e Museus, bem numa área comercial bastante ativa. Após 1970, com a construção da rodovia Castelo Branco, novas indústrias instalaram-se em Itu, principalmente às margens de suas estradas de acesso.
 

            Fontes consultadas: Prefeituras Municipais.

            No próximo artigo abordaremos a historia e outras cidades situadas na trilha do Caminho do Sol.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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