Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 21 -  Caminhos do Padre Ibiapina
Walter Jorge

            Como não podia deixar de acontecer, o Brasil desperta atualmente para a sua fase de caminhadas e peregrinações, somos um país com um território de fazer inveja a qualquer naturalista tal os recursos que possuímos no que diz respeito a sua vegetação e a sua fauna. Mais uma bela noticia sobre o assunto nos chega em mãos e não poderia deixar de trazer para o conhecimento dos nossos leitores sobre a criação do projeto “Os Caminhos do Padre Ibiapina”, mais um caminho de Fundo Religioso.

 

Os Caminhos do Padre Ibiapina

            Guarabira, cidade brejeira da Paraíba, está lançando o projeto de turismo religioso intitulado “Os Caminhos do Padre Ibiapina”, o mesmo foi desenvolvido pela Diocese de Guarabira, pelo Governo do Estado, pela Sebrae e pela ONG (OSCIP) Para´iwa. A iniciativa é inédita no Nordeste e vai seguir os moldes do Caminho de Santiago de Compostela na Espanha, foi inaugurado oficialmente no dia 15 de abril de 2003. “Nos passos do Padre Ibiapina” foi concebido a partir do potencial da romaria que já ocorre no dia 19 de fevereiro, data em que se comemora o aniversário de morte do Padre Ibiapina.

Padre José Ibiapina

            Padre José Antônio Maria Ibiapina nasceu no município de Sobral, no Ceará, no dia 5 de agosto de 1806 e morreu no dia 19 de fevereiro de 1883, em Santa Fé de Arara. Foi terceiro dos oito filhos do casal Francisco Miguel Pereira e dona Teresa de Jesus. Foi batizada no dia 25 de agosto do mesmo ano, recebendo o nome de José Antônio Pereira Ibiapina. Depois, ainda jovem, foi estudar em Olinda, mais tarde retornando a Sobral para tomar conta dos irmãos órfãos, devido à morte do seu pai e do irmão fuzilado durante os episódios da Confederação do Equador, em 1824, já que sua mãe já tinha falecido. Temporariamente, abandonou os projetos de vida e os estudos do Seminário de Olinda para retornar à sua terra e amparar os seus irmãos. Depois vai para Recife em companhia de duas irmãs. Começa a estudar na Faculdade de Direito de Recife, integrando a primeira turma de Bacharéis no ano de 1832. No ano seguinte foi nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia em Quixeramobim, no Ceará.

            Depois de brilhante atuação na Magistratura, é eleito para a terceira legislatura da Assembléia da Nação representando o seu Estado, para o período de 1834/37. Como parlamentar aponta caminhos em favor dos pobres e oprimidos. Sua atuação destacada no Parlamento levou a ser cogitado para a presidência de uma província e para a pasta de Ministro de Justiça, mas declinou de todas. Deixando a carreira política, dedicou-se à Advocacia, se destacando na defesa de pessoas desamparadas nas regiões pobres do Nordeste. Foi ai que manteve contato com a Paraíba ao defender um acusado de crime na cidade de Areia.
            O Padre Ibiapina, também considerado como “Apostolo do Nordeste”, pelo escritor Celso Mariz, que o considerou uma das maiores figuras apostolares do Brasil. Deixou um legado de fé católica e uma grande obra de assistência e educação, com a construção de casas de caridade, hospitais, açudes, cemitérios e capelas. Das obras erguidas pelo Padre Ibiapina, ainda restam as Casas de Caridade de Santa Fé, Pocinhos, Cachoeira e Parari e os açudes de Santa Luzia e Princesa Isabel, que atestam a grandiosidade de sua obra.

            A referida peregrinação irá possibilitar aos peregrinos não só conhecer sua obra humanitária, bem como a diversidade ambiental e cultural da região do Brejo.

O Projeto

            O referido projeto consta da implantação de quatro trilhas, refazendo os caminhos percorridos pelo Padre Ibiapina em suas peregrinações pela Paraíba, no período de 1856 a 1883, período em que foi bispo da Diocese de Olinda e Recife, que abrangia os Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Visita do Gov. Cássio Cunha Lima ao Santuário de Santa Fé

            “Os Caminhos do Padre Ibiapina” também é conhecido de “Caminho do Brejo”, consta de quatro trilhas, todas as opções saem do Memorial Frei Damião em Guarabira, até a chegada em Santa Fé.

            1 - A primeira trilha denominada “Via Cruzeiro de Roma” ou “Caminho Via Roma”, tem aproximadamente 60,0 km, é no momento a única que esta aberta e devidamente orientada. Foi entregue aos peregrinos no dia 15 de fevereiro de 2004. Com início saindo do Memorial Frei Damião, em Guarabira e término no Santuário de Santa Fé, no município de Solânea (PB), onde estão enterrados os restos mortais do sacerdote, demora três dias de caminhada e dois pernoites.

            Nessa trilha, o peregrino inicia a sua caminhada a partir do Memorial Frei Damião, segue pela Serra da Jurema, 3,2 km, depois alcança Pirpiritituba, no 8,9 km. No Km 13,3 se chega a Capela de Nossa Senhora de Fátima, de onde segue para a Cachoeira do Roncador, 16,9 km, o peregrino passa pelo Sítio Angelim no km 18,3, até atingir a Vila Moram 22,2 km de distância. Seguindo, o peregrino chega a Lagoa Matias, no km 24,8 e onde também existe o belo Cruzeiro de Roma, dois km adiante. Um pouco mais na frente, existe o Engenho Goiamunduba. Com 37,3 km de caminhada se chega a Bananeiras, e no km 39,9 se chega a Solânea. Andando um pouco mais, no km 41, atinge a Chã de Santa Tereza, de onde se caminha para o sítio Olho D´água Seco no km 44,3, daí se dirigindo para o Sítio Figueira, no km 47,5. Depois se chega a Fazenda Almeida, no km 49,8, seguindo um pouco mais se chega no Distrito Saco e Arara, no 57,1 km, vizinho está o Santuário de Santa Fé, perfazendo 58,1 km de percurso. Durante a caminhada, o peregrino encontra alojamentos, com abatimentos nas hospedagens, recebendo um certificado da Flor de Cedro.

            Este percurso poderá ser efetuado em três dias. Um guia de orientação será disponibilizado para que os peregrinos não se percam. Além disso, todo o caminho está sinalizado com marcos com a flor de Cedro, símbolo que representa o projeto. Todo o trajeto é efetuado em estrada de barro, nas áreas rurais dos municípios.

            Engenhos serão reabertos para acolher os peregrinos, assim como moradores das casas das comunidades abrirão acolhida para pernoite por um custo acessível.

Memorial Frei Damião em Guarabira ponto de partida das caminhadas

            2 – A segunda trilha é a “Via Túnel Samambaia” com 55,1 km, sai de Guarabira passando por Pirpirituba, Cachoeira do Roncador, Sítio Samambaia (Borborema), Sítio Poço Escuro (Borborema), Borborema, Bananeiras, Solânea, Sítio Olho D´Água Seco, Sítio Filgueiras, Fazenda Aldeia, Comunidade Saco de Arara, concluindo com a sua chegada em Santa Fé.

            3 – A terceira é a via chamada “Via Cruzeiro do Espinho” com aproximadamente 47,4 km, sai de Guarabira, passa por Pilõezinho, Pilões, Serraria para chegar finalmente em Santa Fé.

            4 – A quarta é a Via denominada de “Caminho das Artes”, é a mais extensa de todas, com 90 km, como as demais sai de Guarabira, passando por Cuitegi, Barragem do Rauá, Alagoinhas, Alagoa Grande, Cachoeira do Quinze, Areia, Muquem, Santana terminando em Santa Fé.

             Ao longo das trilhas, os peregrinos terão a oportunidade de desfrutar uma paisagem com muito verde, bem como uma variação muito grande na vegetação e na fauna, uma vez que a mesma corta as regiões do agreste e do brejo, possuindo um relevo recortado por vales e com uma beleza rústica dos seus engenhos, casarões e cidades seculares. Os peregrinos poderão efetuar a peregrinação a pé, de bicicleta e a cavalo, sempre entre 15 a 19 de cada mês durante todo o ano. A semelhança com os outros Caminhos Brasileiros, O Caminho do Brejo fornecerá o “Passaporte do Peregrino” no Memorial Frei Damião e no percurso terá os pontos demarcados para carimbar o mesmo, por jovens treinados para exercer a função de Gedeões (guardiões dos caminhos) que também farão o trabalho de preservação das trilhas.

            Ao concluírem a sua peregrinação, os peregrinos receberão o certificado da “Flor de Cedro”, em Santa Fé, ponto final das quatro trilhas. Os demais caminhos serão abertos até o fim do ano.

            Foi escolhido como símbolo do projeto a “Flor do Cedro”, árvore que dá sombra ao jardim do memorial do Padre Ibiapina, em Santa Fé. A flor do cedro tem uma rara beleza que só desabrocha após secar. Historicamente, a relação do padre com a árvore, de madeira nobre, era voltada para o reflorestamento das matas do Brejo.

Guarabira

            Guarabira está localizado a 98 km de João Pessoa, capital do estado, a 95 km de Campina Grande, a segunda cidade paraibana mais importante, a 130 km de Natal-RN, a 216 de Recife-PE e a 911 km de Fortaleza-CE, a 97 metros acima do nível do mar, o acesso principal para a mesma é pela BR-230, vindo de João Pessoa.

Catedral de Guarabira

            A superfície do município de Guarabira é bastante irregular, pois se localiza na Região da Serra da Borborema, numa zona de transição entre Agreste e Brejo. Possui área de 180.764 km2, onde residem aproximadamente 53.000 habitantes.

            A cidade está situada em uma depressão, cercada de morros, o que caracteriza seu clima quente pela ausência de ventos. O ponto mais alto do município é a Serra da Jurema, localizada ao norte da cidade, na divisa com o município de Pirpirituba, com 300 m de altitude. Nela encontra-se situado o Memorial “Frei Damião”, principal ponto turístico e religioso da cidade.

            O município é cortado por pequenos rios, como o Guarabira, o Araçagi e o Mamanguape. O rio Guarabira tem origem no lugar denominado de João da Silva, no município de Pilõezinhos. Em Guarabira o rio tem uma extensão de 18 km desaguando no rio Araçagi, junto ao povoado do Maciel. O rio Araçagi nasce no lugar chamado Três Lagoas, no distrito de Pocinhos no município de Campina Grande.

            A fundação de Guarabira data do ano de 1694, em terras do Engenho Morgado, pertencente a Duarte Gomes da Silveira. As principais residências edificadas dariam, mais tarde, origem a Guarabira, que em virtude de sua localização e da excelência de seu solo, tornou-se dona de grande prestigio e influência nas cercanias.

            Em 1755 chegava a Guarabira, José Rodrigues Gonçalves da Costa Beiriz com sua família, construindo uma capela e colocando a imagem de “Nossa Senhora da Luz” que trouxera de Portugal. Esta se tornou à padroeira da cidade, embora o padre João Milanês já tivesse construído em 1730, a primeira capela da cidade, dedicada a “Nossa Senhora da Conceição”.

            Para maiores informações consultar o site: www.bananeiras.pb.gov.br

            No próximo artigo iremos abordar mais um Caminho Brasileiro.;

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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