Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 17 -  Caminho da Fé (03)
Walter Jorge

Por: Walter Jorge de O. Almeida.

            Trouxemos para os nossos leitores um breve relato da cidade berço onde se originou a idéia da Peregrinação a Nossa Senhora Aparecida e que durante um determinado tempo foi o início do Caminho da Fé. Em continuação trouxemos as duas cidades onde atualmente partem as duas ramificações do referido caminho, bem como uma das cidades existente no percurso de nome histórico.

            Para esse artigo, iremos concluir trazendo um pouco da história de uma pequena cidade cujo nome deixa saudades – Consolação – bem como duas importantes cidades existentes quase no final de seu trajeto, sendo que uma é considerada a mais importante Estância Climática do Brasil. 

Caminho da Fé (terceira parte – final)

Suas Cidades

            CONSOLAÇÃO é uma cidade existente no traçado do Caminho da Fé, fica localizada no sul de Minas Gerais, na micro região Alto-Mantiqueira, a cidade está a 1.035 metros de altitude, a 493 quilômetros de Belo Horizonte. Lugares como a Pedra da Independência, Cachoeira, Alto da Serra, Alto da Torre, são freqüentemente procurados para passeios e práticas esportivas. O beneficiamento e a industrialização da sua água mineral vem despontando como importante opção econômica, junto da agropecuária. A hospedagem na cidade é feita na Pensão Vila Santo Antônio. Foi depois de 1750 que os moradores da Fazenda do Capivari – Freguesia de Pouso Alto – requereram provisão para construir uma capela da invocação de Santana. Dois anos mais tarde, o casal Antônio Rabelo e Maria Ribeiro Maia, doou uma sorte de terras para a edificação do Templo. Dom Frei Manoel da Cruz concedeu o beneficio, registrado no cartório de São João del Rei.  Em 1824, Dom Frei José da Santíssima Trindade registrou nos códices eclesiásticos de Mariana que havia em Santana do Capivari uma capela curada. Outros registros históricos provam que Maria Gertrudes de Jesus também fez doação de terreno para a atual matriz, que no século XIX substituiu a primitiva capela. A freguesia de Santana do Capivari foi instituída em 1839, quando se desmembrou de Pouso Alto. Já a Paróquia Santana do Capivari foi suprimida e recriada diversas vezes. Em 1943 teve seu nome mudado para Consolação e em 1962 foi levada a Município. Suas principais atrações são a festa da Padroeira, com uma semana de quermesses, a encenação da Semana Santa, a festa Junina e o aniversário da cidade, com desfiles de cavaleiros, gincanas e competições esportivas.

            CAMPOS DO JORDÃO localiza-se a 1.700 metros de altitude e pesquisas cientificas acusaram a superioridade de seu clima em relação a Davos Platz, nos Alpes Suíços, bem como um teor de oxigenação e ozona superior ao de Chamonix, famosa estância francesa, pela pureza do ar. Campos do Jordão apresenta vantagens sobre as demais estâncias climáticas brasileiras: o seu clima tropical de montanha faz com que o sol esteja presente praticamente o ano todo. A luminosidade costuma atingir o seu grau máximo no inverno, quando então a temperatura chega a cair até a 5 graus negativos, embora já tenha atingido no passado, a 18 graus abaixo de 0, em 1992.

            Campos do Jordão encontra-se localizada entre São Paulo, Rio e Minas Gerais, a mesma é alcançada por três vias principais de acesso, sendo duas rodoviárias e uma ferroviária. De São Paulo e Rio, por exemplo, o acesso pode ser feito através das rodovias SP-123 e SP-50, ambas partindo da Via Dutra, estrada que liga o Rio de Janeiro a São Paulo.

            A SP-50 tem início em São José dos Campos e apresenta mais de 800 curvas para um percurso inferior a 100 quilômetros. Outros acessos rodoviários há, porém de importância secundaria. Por último, temos o acesso ferroviário que liga Pindamonhangaba a Campos do Jordão através da Serra, onde se encontra a Parada Cacique, o ponto ferroviário mais alto do Brasil. A Estrada de Ferro Campos do Jordão é a única ferrovia brasileira que funciona por sistema de simples aderência, sem cremalheiras.

A estrada de Ferro de Campos do Jordão

            Foi à fantástica perseguição ao ouro que levou o sertanista Gaspar Vaz da Cunha, o Oyaguara, a romper as matas virgens da Mantiqueira, vindo do Vale do Paraíba, através de picadas coleantes e escarpadas, em direção às minas auríferas de Itajiba. Por volta de 1771, a coragem épica de Inácio Caetano Vieira de Carvalho, seguindo as pegadas do Oyaguara, subiu os degraus da Serra Preta, na Mantiqueira, em direção ao Pico do Itapeva, vindo de Taubaté, fixando-se com sua família durante 18 anos nos Campos da Mantiqueira. Fundou a Fazenda Bom Sucesso, requereu e obteve carta de sesmaria do Governador da Capitania de São Paulo e lutou bravamente para defender as divisas de São Paulo contra seu vizinho sesmeiro, João da Costa Manso, da Fazenda São Pedro, das bandas de Minas Gerais. Graças à sua luta, Campos do Jordão permaneceu paulista e Inácio Caetano Vieira de Carvalho levou para o túmulo a glória de ter sido o pioneiro desta maravilhosa Estância.

            Narra a lenda que Inácio Caetano era muito sovina e que por isso, enterrara barricas de ouro em uma lomba larga entre três pinheiros, despertando a cobiça de muitos ao longo de gerações que, até hoje, cavam a terra em busca do lendário tesouro do desbravador. Com a sua morte em 1823, seus herdeiros hipotecaram a sesmaria ao Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, que, mais tarde, adquiriu-a nas imediações do dia de Natal, motivo pelo qual o povo passou a chamar as terras de Fazenda Natal e, logo em seguida, de Campos do Jordão, donde originou-se o seu nome.

            O Brigadeiro Jordão era um cidadão ilustre, grande proprietário de fazendas,  membro do Governo Provisório e Diretor do Tesouro da Capitania de São Paulo. Infelizmente o mesmo não chegou a conhecer as terras às quais emprestou o seu nome. Os herdeiros retalharam as terras, vendendo as porções, para diversos proprietários. Foi em 29 de abril de 1874 que, um deles, morador de Pindamonhangaba, o português Matheus da Costa Pinto, subiu a Serra e, comprando terras à beira do rio Imbirí, lá instalou uma vendinha, montou uma pensão para retirantes e pouso dos forasteiros, levantou uma capela em honra de São Matheus e edificou uma escola. Estava fundada a Vila de São Matheus do Imbirí, histórica precursora de Campos do Jordão.

Palácio do Governo em Campos do Jordão

            Logo a Vila progrediu e veio a transformar-se na Vila Velha, denominada, mais tarde, Vila Jaguaribe, graças aos esforços encetados pelo seu desenvolvimento e progresso, por parte do Dr. Dorningos José Nogueira Jaguaribe Filho, seu morador.

            A criação do Município de Campos do Jordão operou-se em 16 de junho de 1934, ocasião em que se desligou de São Bento do Sapucaí, em 30 de novembro de 1944, foi criada a sua Comarca. Detém uma área de 269 quilômetros quadrados e está situada em clima tropical de montanha.

            Cantada como Suíça Brasileira pelo seu clima inigualável, e reverenciada como o Altar da Solidariedade Humana pela cura de milhares de brasileiros que, recuperados de doenças pulmonares, retornaram sadios aos seus lares, em todos os quadrantes do País, Campos do Jordão tornou-se a mais importante estância climática do Brasil.

            Alem de sua famosa malharia – conhecida no mundo todo -, o seu chocolate caseiro, seus doces e compotas, até mesmo as resinas de seus vastos e majestosos pinheirais, são industrializados e suas águas minerais, captadas através dos mais elevados padrões de técnica e higiene, correm das fontes mais puras do planeta. A sua maior matéria prima, porém, é aquela que exporta, generosamente, sem retorno de divisas: a saúde.

            PINDAMONHANGABA está situada no centro geográfico do Vale do Paraíba, região Sudoeste do Estado de São Paulo, cercada por ramificações da Serra do Mar (Serra do Quebra Cangalha) e da Mantiqueira.

            A partir do século XVII iniciou-se o povoamento da região de Hepacaré, que se estendia de Taubaté a Lorena. Essa Região era habitada pelos índios Geomemis e Puris, quando começou a entrada de brancos à procura de escravos índios e desbravando novas terras. Os paulistas foram ficando pela região e passaram a dedicar-se à agricultura de subsistência (mandioca, milho, fumo, etc.), à pesca, à caça, ao apresamento de índios e, sobretudo, à procura de ouro nas Minas Gerais. Surge assim um povoado e, conforme costume da época, tão logo constituídas as povoações, passava-se a edificar a capela sob a invocação de um santo padroeiro, motivo pelo qual essas construções representavam sempre o primeiro marco de fundação. Foram vários os pioneiros na região: Jacques Félix, fundador de Taubaté; Antônio Bicudo Leme, seu irmão Braz Esteves Leme e o Padre Faria Fialho, primeiro vigário da paróquia, que aqui se estabeleceram.

Pindamonhangaba – sua praça

            Existe uma controvérsia sobre a data da fundação da cidade, existindo duas teorias:

O Guerreiro em Pindamonhangaba

            A primeira teoria que foi devidamente registrada por lei, informa que a data da fundação da cidade se deu em 12 de agosto de 1672, pelos irmãos Antônio Bicudo Leme e Braz Esteves Leme. Os irmãos Leme adquiriram da Condessa de Vimieiro glebas de terra ao norte da Vila de Taubaté, bem á margem direita do rio Paraíba. Aos 12 de agosto de 1672, Antônio Bicudo Leme e Braz Esteves Leme, iniciaram a construção da capela em honra a São José, fundando naquela oportunidade a povoação de São José de Pindamonhangaba. Essa capela foi edificada no alto de uma colina, exatamente onde hoje se localiza a Praça da Republica (Largo do Quartel). Baseado nesta teoria, em 07/12/53, o então prefeito Dr. Caio Gomes Figueiredo oficializou pela Lei no, 197 a data de “12 DE AGOSTO DE 1672” como a data da fundação de Pindamonhangaba, tendo como seus Fundadores: Antônio Bicudo Leme e seu irmão Braz Esteves Leme.
                                   
            A segunda teoria nos informa que a fundação da cidade, data de 22 de julho de 1643 pelo Padre João de Faria Fialho, essa teoria é defendida pelo Prof. Waldomiro Benedito de Abreu, quando diz:

            No início do século XVII as sesmarias vão sendo concedidas na zona de Taubaté – Pindamonhangaba – Guaratinguetá, destacando-se uma que é concedida em 17/05/1649, ao Capitão João do Prado Martins, na paragem chamada Pindamonhangaba. De acordo com a respectiva carta de doação, esse povoador, vindo de São Paulo com a família e agregados, já estava de posse de suas terras, naquela paragem, desde o dia “22 DE JULHO DE 1643”, que é considerada a data da Fundação de Pindamonhangaba, pois o sítio então aberto por João do Prado se situava no local da futura vila e cidade de nossos dias. A partir daí, naquele local situado à margem direita do rio Paraíba, forma-se um bairro dependente de Taubaté, para onde vão afluindo novos povoadores e moradores. Começa a funcionar no bairro, uma Igreja, de pequeno porte, cujo Santo consagrado é Nossa Senhora do Bom Sucesso. A sua construção é devida ao padre João de Faria Fialho, considerado o Fundador de Pindamonhangaba. A Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso (a velha) estava edificada na atual Praça da República, passando posteriormente a imagem da Santa para o novo templo construído em 1707 (ainda pelo mesmo sacerdote) onde hoje é a capela-mor da Matriz.

            Fonte: Prefeituras locais.

            No próximo artigo iremos trazer para os nossos leitores a narração de uma peregrina que no ano de 2003 efetuou sua peregrinação pelo Caminho da Fé em busca de sua fé.

            Aguardem.
 

 

 

 

Enviado por Walter Jorge
 
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