Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 16 -  Caminho da Fé (02)
Walter Jorge

            Anteriormente falamos sobre o “Caminho da Fé”, um caminho de peregrinação religiosa em direção à Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, situada na cidade Aparecida no estado de São Paulo. Falamos um pouco da sua história e da construção da sua Basílica, considerada o maior Santuário Mariano do Mundo, bem como informamos com referencia ao seu trajeto.

            Nesse artigo, iremos complementar trazendo um pouco da história das principais cidades que fazem parte do seu itinerário.

Caminho da Fé (segunda parte)

Suas Cidades

            ÁGUAS DA PRATA apesar de não ser atualmente a cidade ponto inicial da peregrinação, foi à cidade de onde partiu a idéia, e é onde atualmente fica localizada a sede da “AACF – Associação dos Amigos do Caminho da Fé”, situada na Avenida Armando Sales de Oliveira, 196 (junto a Pousada do Peregrino).

            Águas da Prata deve sua existência em razão de grande quantidade de sais minerais encontrados em suas águas sendo que a origem do seu nome vem de uma corruptela do Tupi Guarani “Pay tâ” que, ao ser pronunciada pelos portugueses tornou-se “Prata”, “Pay tâ” quer dizer em Tupi Guarani “Água Dependurada” em virtude da alta mineralização de suas águas que, ao escorrerem próximas as minas formam as estalactites. Nas nascentes era constatada a presença de animais silvestres como: antas, veados, capivaras, queixadas, porco do mato e muitos outros.

Uma das cachoeiras em Águas da Prata

Águas da Prata é uma localidade que surgiu, mais ou menos em 1876, quando o dentista Rufino da Costa Gavião descobriu nas cercanias, onde mais tarde se localizaria a cidade, a primeira fonte de água mineral de Águas da Prata, hoje denominada “Fonte Antiga”, constatando através de uma primeira análise as múltiplas propriedades medicinais e o seu valor terapêutico para certos males. Posteriormente outros nascedouros desse precioso líquido foram descobertos: A Fonte Platina, a Fonte Paiol, a Fonte Nova ou do Boi. Com a influência dos forasteiros, vindo à região em busca de cura, resultou no desenvolvimento e progresso dessa terra.

            A divulgação das propriedades terapêuticas das suas águas propagou-se e iniciaram-se as margens da ferrovia a construção das primeiras casas, em seguida, para abrigar o grande número de pessoas que procuravam a cidade em busca da cura, foi construído o primeiro Hotel, bem como de várias pensões. Em 1876 foi instalada a primeira engarrafadora de água no então bairro de São João da Boa Vista.

            O antigo povoado denominado Prata pertencia ao Município e Comarca de São João da Boa Vista, foi elevado a Município com o nome de Estância Hidromineral da Prata pelo Decreto no. 7.277 de 3 de julho de 1935, posteriormente pelo decreto no. 9.073 de 31 de março de 1939, passou a denominar-se de Águas da Prata. O seu nome foi dado devido a influência exercida na redondeza pelas antigas fazenda Prata de propriedade do Coronel Ernesto Oliveira, cuja denominação, por sua vez, lhe foi dada pela existência do Ribeirão da Prata, que lhe banha as terras.

            TAMBAÚ foi o outro local escolhido como ponto inicial para o Caminho da Fé após os estudos realizados no sentido de se efetuar a ampliação do referido Caminho, foi denominado de Ramal Norte e seu trajeto segue até a cidade de São Roque da Fartura que é o ponto de encontro dos peregrinos que escolheram como ponto de partida a cidade de Mococa, ramal esse denominado de Ramal Noroeste.

Início do caminho em Tambaú

Tambaú é nome de origem Tupi que quer dizer “Rio das Conchas” (Tamba-hy-rio das conchas ou dos mariscos). Tal designação dói conseqüência da identificação com que os índios nomeavam os lugares onde habitavam ou tinham sua região de caça ou pesca. O nome rio Tambaú adveio de tais circunstâncias de toda a extensão onde se localiza. O município de Tambaú seria um vasto campo de caça de alguma tribo. Objetos indígenas encontrados em locais da zona rural (ponta de lanças ou flechas, machadinhas, mão de pilão, e outros) confirmam essa hipótese, assim como as “conchinhas bivalves”, encontradas no leito arenoso do córrego Tambaú.

            Fundada em 27 de julho de 1886, foi elevada à condição de município em 20 de agosto de 1898. Seu desenvolvimento econômico teve inicialmente contribuição da monocultura da cana, a qual foi substituída pela monocultura do café. O ciclo do café permaneceu propiciando grandes fortunas, e Tambaú se beneficiou deste surto.

            Posteriormente o capitão David de Almeida Santos, que ajudou a levar os trilhos da Mogyana até Tambaú, encantou-se com o local, lá fixando residência e lutando para que, finalmente, em 20 de agosto de 1898, Tambaú fosse desmembrada de Casa Branca passando a se constituir um novo município do estado de São Paulo.

            Até meados do século passado, esta foi uma das únicas fontes de riqueza do município e o processo de industrialização chegou à região através da implantação de algumas empresas do ramo de alimento, metalurgia e minérios não metálicos. Estas indústrias absorveram contingentes de mão de obra não somente da cidade, como também de áreas vizinhas. O desenvolvimento da cidade passou a oferecer novos recursos econômicos, em 1905 instala-se a primeira cerâmica produzindo utensílios domésticos, utilizando-se da disponibilidade de argila local. Mas, somente em 1919 é que foi fundada a primeira cerâmica de telha, foi o início da instalação do PÓLO CERÂMICO DE TAMBAÚ.

            Em pouco tempo, Tambaú era o maior fabricante de telhas no País. Embora o grande número das fábricas pertencesse aos italianos, o pioneirismo da industria cerâmica de Tambaú deveu-se a imigrantes portugueses. Já em 1926 existia mais de quarenta fábricas de telhas, a maioria delas pertencestes a ex-colonos que se tornaram razoavelmente abastados, todos, entretanto contribuíram para o desenvolvimento da cidade.

            Atualmente Tambaú conta com mais de 100 empresas instaladas, são fabricados os mais diversos produtos cerâmicos: tijolos, telhas, lajes, elementos vazados, tubos, pisos, revestimentos, etc., obtendo assim a denominação de CIDADE DA CERÂMICA.

            Na década de 1950, o município foi cenário de um fenômeno sócio-religioso importante, o Padre Donizetti Tavares de Lima, pois os milagres que realizava extrapolaram os limites do pequeno município que hoje conta com cerca de 25 mil habitantes, provocando uma grande movimentação de visitantes que muitas vezes ultrapassavam ao número de seus habitantes.

            MOCOCA é o segundo ponto de partida a ser escolhido pelos peregrinos que trilham o Caminho da Fé, foi denominado de Ramal Noroeste e o seu trajeto tem como ponto de encontro a cidade São Roque da Fartura, local no qual os dois ramais se unem e partem em direção a Aparecida. Mococa é uma cidade situada à nordeste do Estado de São Paulo, localizada entre as bacias dos rios, Pardo e Canoas. Ela está a uma altitude de 640m em relação ao nível do mar e o seu clima é temperado, possuindo uma população de aproximadamente 75 mil habitantes sendo as principais atividades econômicas a agropecuária, o comercio, a industria e o turismo.

Vista de Mococa e sua Igreja

            Por volta de 1840, as terras do município de Mococa, pertenciam a Sesmaria do espanhol D. Tomás, e faziam parte da comarca de Mogi-Mirim. Nessa época, lavradores de Minas Gerais, atraídos pela topografia favorável do seu solo e de suas riquezas naturais, começaram imigrar para aquela região, acabaram formando ali uma nova povoação. Conta à história que, em 1839, o abastado lavrador Antônio José Gomes e sua mulher, doaram a São Sebastião 16 alqueires de terra. Quatro anos depois, o povoado transferiu-se para as margens do Ribeirão do Meio, nas terras de José Gomes de Lima.

            Em 1814, erigiu-se no local a Capela Curada, com o nome de São Sebastião da Boa Vista, Segundo a tradição, o nome Mococa apareceu em 1844, quando o capitão-mor Custódio José Dias, que fora até ali para caçar, empregou a frase: “Olhem aí para a mocoquinha”. MU – significa pequeno; CO – que quer dizer esteio; OCA – casa. Portanto ele naquele momento estava se referindo sobre as Casas de pequeno esteio do lugar.

            No ano de 1846, começou a ser praticada a lavoura do café, que mais tarde tornara-se a principal fonte de riquezas do município. Desmembrado do município Casa Branca, criou-se o município de São Sebastião da Boa Vista, com sede na Vila do mesmo nome, por Lei Provincial no. 29, de 24 de março de 1871. A comarca Mococa foi criada por Lei Estadual no. 80 de 25 de agosto de 1892.

Inconfidentes

            Inconfidentes é uma cidade de possuindo um nome histórico, está situada ao sul de Minas, sua sede dista 441 km de Belo Horizonte, o município está assentado numa área de 145 quilômetro quadrado. O rio Mogi-Guaçu é o seu principal curso d´água e sua vida econômica tem por base a agropecuária, destacando-se a produção de alho, leite, café e feijão, no entanto desenvolve também atividades industriais de extração de felspato, quartzos, caulim e areia para a fabricação de vidros. Tudo surgiu quando, em 1909, o Governo do Estado doou à União 810 hectares de terras, para a criação de uma colônia agrícola para estrangeiros. Os bandeirantes, estabelecidos às margens do rio Mogi-Guaçu, atraídos pelo ouro das Gerais, foram os primeiros habitantes da região onde se situa Inconfidentes. Foi a agricultura, entretanto, e não mais a mineração, a atividade que obteve os melhores resultados.

Escola Agrotécnica Federal de Inconfidentes – MG

            O cultivo do solo constituiu a base econômica do povoado de Mogi-Acima, antigo denominação de Inconfidentes. As terras destinadas à atividade agrícola, desapropriadas pelo governo do Estado, foram doadas ao governo Federal, para instalar naquele local uma colônia agrícola – Núcleo Colonial de Ouro Fino – aonde colonos estrangeiros viriam a ser a grande maioria. O nome atual foi dado na primeira década do século XX, em homenagem aos heróis da Inconfidência Mineira com destaque para Alvarenga Peixoto, antigo proprietário de uma fazenda na região. Nesta mesma época, iniciou-se a construção da primeira capela do núcleo. O distrito de Inconfidentes foi criado em 1953 e o município emancipou-se em 1962, desmembrando-se de Ouro Fino. O potencial natural de Inconfidentes é constituído, principalmente, pelas nascentes que drenam o rio Mogi-Guaçu.

            Fontes: Prefeituras locais.

            No próximo artigo abordaremos mais três cidades, Consolação e outras duas importantes que fazem parte do roteiro do Caminho da Fé – Campos do Jordão e Pindamonhangaba.

            Aguardem.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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