Peregrino Walter Jorge

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Peregrinação no Brasil - 13 -  Palíndromo ou Capicua
Walter Jorge

            Narrativa do autor quando realizou a oitava e última caminhada da Fase Experimental do Projeto “Terra sem Males” no Caminho das Missões, quando teve a oportunidade de assistir o show de som e luzes no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo.

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No dia 16 de fevereiro do ano de 2002, quatorze caminhantes (11 homens e 3 mulheres) estavam reunidos na pequena cidade de Santo Ângelo, em pleno interior do Rio Grande do Sul, a espera do ônibus que nos levaria até a cidade de São Nicolau perto da fronteira com a Argentina, onde iniciaríamos a oitava e última caminhada da fase experimental do projeto “Terra Sem Males”, percorrendo os cento e oitenta e seis quilômetros no Território das Missões entre as cidades gaúchas de São Nicolau e Santo Ângelo.

  Igreja de São Miguel Arcanjo

            No dia 20 chegamos em São Miguel das Missões. O dia ainda estava claro e aproveitamos para percorrer o Sítio Arqueológico de São Miguel, o qual estava bem conservado motivo do seu tombamento como Patrimônio Mundial em 1970. De surpresa em surpresa, vimos tomar conhecimento que, naquele local existiu uma fundição, permitindo aos índios Guaranis, usando ferramentas confeccionadas de ferro, efetuar o corte das pedras utilizadas na construção daquela igreja, também tomamos conhecimento da existência naquela época de uma tipografia naquele local. Com destaque, visitamos o Museu das Missões projetado por Lúcio Costa em completa harmonia com as estruturas existentes no local onde mais de oitenta obras da estatuária missionária estava em exposição permanente, bem como sinos, fragmentos de pedras e madeira e uma maqueta da Redução de São Miguel.

            Logo mais, precisamente às vinte horas, no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, assistimos um show de som e luzes em frente às ruínas bastante conservadas da Igreja das Missões. Este era um dia especial, estávamos no dia 20 de fevereiro de 2002.
            Um ligeiro tremor abalou o meu corpo, uma energia forte tomou conta do meu ser, era como se os índios Guaranís estivessem presentes naquele local, minha pele enriçou, pois, lembrava que nesse dia estava ocorrendo durante um breve minuto, um evento que só aconteceu duas vezes há mais de mil anos, irá acontecer em dezembro de 2112 e que nunca mais irá se repetir, estava vivendo um momento histórico, o que chamamos de Palíndromo ou Capicua – grupo de algarismo que, lidos da esquerda para a direita, ou vice versa, dão o mesmo número.

            Às 20:02 (vinte horas e dois minutos) do dia 20 de fevereiro do ano de 2002, ou em marcação digital:
                        20:02 20/02 2002

ou em qualquer outra ordem, como ano/mês/hora

  O Autor nas Missões


                        2002 20/02 20:02
aconteceu tal conhecidência, além dos acima mencionados. Trata-se de um registro de perfeita simetria numérica chamado de POLÍNDROMO OU CAPICUA.

            Ocorreu tal padrão simétrico também, às 10:01 (dez horas e um minuto) do dia 10 de janeiro do ano 1001, há mais de mil anos.
                        10:01 10/01 1001

            Pela última vez às 11:11 (onze horas e onze minutos) do dia 11 de novembro do ano de 1111, ocorreu novamente tal fenômeno, naquela época ainda não existia o relógio digital.
                        11:11 11/11 1111

            Deverá acontecer tal simetria também às 21:12 (vinte e uma horas e doze minutos) do dia 21 de dezembro de ano 2112, ou seja, dentro de cento e dez anos.
                        21:12 21/12 2112

            Esse fenômeno matemático nunca acontecerá novamente, pois, a máxima marcação de um dia é 23:59 (vinte e três horas e cinqüenta e nove minutos) assim, em 30 de março do ano 3003, não ocorrerá essa conhecidência matemática por não existir a hora 30:03
            30/03 3003 30:03 (hora inexistente)    

            Quedei-me a pensar sobre tal fato naquele precioso momento, ao assistir aquele magnífico show de luzes e som, na penumbra dos degraus onde estava sentado. As lagrimas afloraram em meus olhos, fechando-os, dediquei alguns minutos de reflexão no meu silêncio interior ao sofrido povo Guarani, massacrado pelo egoísmo dos homens no afã da conquista de terras sem ao menos olhar o sofrimento de um povo que lá já estava a mais de mil anos. Naquela sua eminente sabedoria, DEUS me respondia uma parte da pergunta “porque estava ali”.

            No próximo artigo iremos abordar mais um Caminho Brasileiro.           Aguardem.

 

Enviado por Walter Jorge
 
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