Peregrino Walter Jorge

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Comentários Peregrinos - Qual o seu Comprimento?
Anacleto (o nordestino)

            O Caminho de Santiago é um vasto manancial de informações, cada dia que se passa surge um fato novo, uma notícia velha pré-histórica ou uma notícia futura que irá se tornar realidade depois de alguns séculos, pois o Caminho é pesado, medido e contado em séculos. Temos notícias a.C. (antes de Cristo); notícias d.C. (depois de Cristo), somente ainda não consegui notícias c.C. (com Cristo), aí cheira mal. A última notícia que acabamos de receber é uma “NOTÍCIA FRESCA”.

            Pera aí, não é o que vocês estão pensando, a notícia não é peixe no qual as madames abrem suas guelras para ver se o mesmo está fresco (aliás, fresco é sinônimo de saudável – peixe fresco = peixe bom).

            Mas, vamos voltar a noticia fresca, perdão, vernaculamente falando (opa, escrevendo), a “notícia recente”. Informaram que os peregrinos estão andando erradamente, não estão caminhando as distâncias corretamente, estão fora da lei, estão burlando o fisco, são uns marginais, estão conseguindo a “Compostela” fraudulentamente, não estão purgando os seus pecados de uma maneira adequada e honesta, dizem que andaram 800 km quando na realidade andaram... Aproximadamente, pois esse negócio sem virgula não funciona e nunca funcionou, já estamos acostumados desde dos tempos pré-históricos com as virgulas, o que seria de nós sem uma mísera virgula? Se os Manuês (digo Manuais) informassem que a referida distância era de 799.999,29, aí sim, seria uma medição legal, mesmo assim contestável.

Sistema operacional da medição a ser utilizado

            A virgula é o sinônimo de competência, haja vista a existência do FI, PI (sei lá, procurei no teclado do computador do WJ e não encontrei sua representação, logo o cara está na era da pré-história, na idade da pedra onde sempre esteve) cujo valor é 3,1416.... (e uma porrada de números), sem a mesma não existiria as lojas “tudo até 1,99”, ou as vitrines da moda não estariam etiquetando seus mostruários com as intermináveis virgulas, “camisa pólo a 49,99”.

            Devido aos problemas surgidos, a Xunta da Galícia resolveu acabar com esse grave problema, irá patrocinar o levantamento correto das distancias, o peregrino ficará sabendo exatamente quanto andou, se saiu fora da rota, azar dele, não serão permitidas curvas fora do raio levantado, nas carreteiras o peregrino não poderá escolher o acostamento que quiser, terá que seguir a risca o traçado medido e aprovado, é lei igual as que já existem para as Credenciais, que somente poderão ser fornecidas pela Xunta e pelos dois carimbos dias (selos) para os últimos 100 kms.

Tipo da rodinha que será utilizada e o seu mini computador acoplado com o sistema de transmissão via satélite

            As fotos preliminares que nos chegam à redação sobre o processo de medição, expressam a seriedade do assunto, a medição será efetuada através de uma rodinha (vide foto), a mesma irá passar os dados colhidos pelo contato com solo, para serem registrados em um mini computador acoplado à mesma. Desse ponto, os referidos dados serão transmitidos pelo processo digital via satélite para o “Google Earth” que acionando um poderoso GPS instalado na Estação Espacial, irá determinar com precisão milimetrica de virgulas, o ponto exato da metade da soleira da portada da Igreja X, por onde o peregrino deverá adentrá-la, não será computada a distância percorrida até o altar mor (mayor).

            As grandes empresas cadastradas para a concorrência estão em pé de guerra, pois umas infinidades de dados estão para serem resolvidos, tais como:

            - Até o momento de fecharmos esse artigo, ainda não saiu o edital da concorrência;
            - Não foram determinados quais os monumentos históricos que terão sua medida regulamentada;
            - Problemas estão surgindo com alguns albergues particulares que colocaram as setas indicadoras do caminho de forma tal, que obrigavam aos peregrinos mudar de rota para passarem pelos mesmo, os albergues pertencentes a Xunta e os das entidades sacerdotais e governamentais, gozam de determinadas regalias;
            - As “Tiendas” entraram com um recurso perante aos Tribunais competentes querendo ter os mesmos direitos dos albergues, pois alegam que os peregrinos necessitam de uma alimentação adequada para efetuarem o caminho condignamente;
            - Não foi resolvida a questão da unidade da medida, se será em metros, vara, ou pés, ou uma outra, existe uma forte tendência a se utilizar à medida seta;
            - As Prefeituras das grandes cidades estão contestando e tentam impedir a medição dentro dos seus limites, pois informam que possuem levantamentos precisos de suas ruas, parques e avenidas e que ao permitir novas aferições, estariam pondo em cheque a capacidade de seus técnicos;
            - Questões de ordem estão sendo levantadas sobre a aferição da rodinha, existem entidades discutindo o fator de correção do desgaste da borracha em relação ao tipo do piso sobre o qual ela ira rolar, tabelas serão elaboradas;
            - Surgiram divergências conceituais quanto às medições do caminho nas encostas, um grupo acha que as mesmas deverão ser rebatidas para o plano horizontal, enquanto um outro grupo contesta que deverá existir um fator de correção entre uma subida e uma descida, pois, ao subir, o peregrino despende um maior esforço;
            - Foi constituído um grupo de trabalho para elaborar normas no que diz respeito às travessias sobre os arroios, rios, canais etc., haverá fatores de correção quando ao tipo da ponte a ser atravessada, apenas foi resolvido que as pontes em concreto armado contendo apenas um vão, estarão fora das tabelas Às pontes metálicas estarão subordinadas a um outro conceito, pois estarão dependendo do fator temperatura (problemas de dilatação linear), para termos o comprimento correto do caminho percorrido, o peregrino ao passar pela mesma deverá anotar a temperatura ambiente do momento.
            - Soubemos que será constituído um “grupo tarefa”, com a finalidade de removerem as pedras existentes no traçado, a finalidade é de permitir a passagem livre da rodinha, quanto aos peregrinos, deverão pisar sobre as mesmas, para isso estão utilizando botas adequadas;
            - Faltam resolverem a questão dos terrenos enlameados por onde a rodinha deverá passar, cogita-se que a referida medição deverá ser efetuada durante o verão e mesmo assim suspensa quando o serviço de metereologia detectar a presença de chuvas na região.
            - Por último surgiu uma grande polemica sobre as variantes existentes ao longo do Caminho, cogita-se que serão abolidas, permanecendo apenas a de menor percurso, pois, reduzindo o comprimento do Caminho, haverá disponibilidade de tempo e conseqüentemente dinheiro para os peregrinos gastarem nas barracas de suvenir existentes ao lado da Catedral.

            Ufa, quanta burocracia, coitado do peregrino, cada dia que se passa estão cerceando sua liberdade de ir e vir. O que está a pensar o nosso SANTIAGO.

            Nada como no meu Tibet, lá utilizamos como medida as bolas dos nossos rosários, quanto mais rezamos mais andamos.

            Fui............................
 

Enviado por Walter Jorge
 
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