Peregrino Walter Jorge

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Comentários Peregrinos - Um Bebe Peregrino
Anacleto (o nordestino)

            Mais uma vez volto ao convívio de vocês meus amigos e inimigos do “chato de galocha” WJ. Há muitos anos atrás meu grande e inestimável amigo WJ (estou alisando o ego do mesmo), efetuara sua peregrinação a Santiago de Compostela, quando aqui chegou no seu torrão natal, aconteceu uma série de contratempos em sua vida quando perdeu a sua companheira de quase 50 anos de convívio.

            Posteriormente passou a escrever quase que sem parar, no meio daquela babel de seus trabalhos, tive o prazer de prefaciar uma série de artigos que ele chamou de “Fragmentos do Diário de um Peregrino no Caminho de Santiago”, onde contava que através de várias conhecidências, cruzou o seu caminho com um garoto de nome NISO que estava fazendo sua peregrinação de bicicleta, até nesse ponto tudo bem, mais o interessante é que esse garoto estava naquela época com apenas 14 anos, para ele (WJ) era um fato inédito, pois o mesmo não concebia o porque de seus pais permitirem que fizesse o caminho sozinho, mas logo descobri que o mesmo estava acompanhado de um grupo de ciclistas brasileiros que poderiam fornecer o apoio necessário para que tudo corresse sem contratempos.

Paula e seu bebe peregrino Lucas, em rítimo espanhol em Finisterra

            Estava novamente vasculhando na Internet, quando encontrei uma notícia no “Correo Gallego”, que acredito que algum dia será motivo do “Guiness” aproveitar para explorar mais esse filão de notícias, a reportagem dizia “Camina desde Roncesvalles a Fisterra com um bebé de três meses en brazos”.

            A notícia despertou a minha curiosidade e passei a ler; a mesma informava que a arquiteta de Gijón, Paula Tejedor batizou seu filho Lucas no Seminário Menor logo que chegou a Compostela e segundo a tradição, queimou na fogueira em Finisterra a primeira chupeta do peregrino Lucas.

            Continuando a leitura encontrei dois trechos importantíssimos que trazia embutido nos mesmos a chave do mistério, o primeiro dizia: “Todo comenzó em um bar, tomando um café com su amiga Maribel”, e o segundo dizia: “Em um principio comenzaron a caminar siguiendo el ritmo alemán y francês, .... Luego pasaron al estilo espanhol”.

            Logo passei a pensar como um bom brasileiro ao efetuar a analise do primeiro trecho, não restava a menor duvida, o início de toda grande aventura nasce nas mesas de um bar, é ali onde são forjadas as grandes proezas; local onde são efetuados os grandes cálculos matemáticos na tentativa de ganhar quer seja no jogo do bicho, na mega sena ou nas roletas de Monte Carlos; é também na mesa de um bar onde são bolados os grandes enredos das escolas de samba; quem nunca ouviu e viu pessoas com o olhar no infinito, batendo de leve quer seja com a colher ou com os dedos na mesa de um bar, naquele instante está a brotar a composição das letras que irão guarnecer as grandes músicas ou o um novo som que em breve estará estourando nos meios de comunicações; e pergunto:

            Onde são compostos os grandes poemas dedicados às suas musas?

            A resposta é obvia – na mesa de um bar.

WJ ao lado de uma legitima representante do rítimo alemão/francês

            Estava assim explicada uma parte do mistério daquele bebe peregrino de três meses. Como andei freqüentando um curso intensivo com Dom Brown e era um aluno CDF, passei a analisar a segunda parte do mistério: o porque da mudança do ritmo alemão/francês pelo ritmo espanhol. O repórter do “Correo Gallego” que a entrevistou recebeu da mesma a seguinte resposta: no primeiro, ou seja, no ritmo alemão/francês tinham de iniciar a sua caminhada em torno das cinco da matina, enquanto no estilo espanhol se levantavam mais tarde (“siesta” matutina).

            Parei, pensei e meditei, porque de um lado da fronteira alguém tem de levantar cedo para caminhar e do outro lado poderemos nos permitir mais uma soneca, mais uma espichada do esqueleto na cama, ou ... quem sabe, puxa vida, não queria chegar a essa conclusão, mais tudo leva a crer que sempre estamos nas noites dos dias anteriores na mesa de um bar, logo temos como desculpas termos de acordar um pouco mais tarde para compensar aquelas horas que estávamos jogando fora palavras, “tomando café!” Ou batucando na mesa acompanhando algum ritmo que não dá para ser do grupo alemão/francês e sim do espanhol – sangue latino, quente, vibrante. Onde tudo termina na mesa de um bar, ou no chifre de um touro.

            Mas, todavia, contudo, entretanto, nada melhor do que fotos para provar a assertiva do porque da mudança dos ritmos. Na primeira foto vemos a arquiteta Paula Tejedor, alegre, esfuziante, cabelos soltos beijados pelo vento com o seu filho Lucas, queimando sua chupeta na fogueira em Finisterra, já dentro do ritmo espanhol; na segunda foto o nosso amigo WJ em frente ao albergue de Ponferrada tendo ao lado uma legitima peregrina do ritmo alemão/francês. Como bom repórter, fui perguntar se ele estava alegre e esfuziante, ... rsrsrsrsrsrsrs, fui parar na conchichina.

            QUE VOCÊS DECIDAM QUAL DOS RITMOS QUE PREFEREM.

            Eu prefiro o rítimo nordestino do baião de dois, bem coladinho.

            FUI...........
 

Enviado por Walter Jorge
 
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