Peregrino Walter Jorge

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
Bodegas 17 - Bodegas López Hermanos
Walter Jorge

            Em continuação aos artigos sobre as Bodegas na Espanha, trouxemos para os nossos leitores no número anterior às Bodegas Pedro Domecq, para esse número escolhemos uma outra Bodega tradicional espanhola, as Bodegas López Hermanos S.A.

Bodegas lópez hermanos s.a.

Sua história.

            No final do século XIX, os irmãos Salvador e Francisco López López fundaram a empresa precisamente em 1885. Apaixonado por tudo que se relacionava com os vinhos inicia em suas propriedades a construção de adegas para produção, elaboração, envelhecimento, comercialização e exportação de vinhos, com base na fama já reconhecida no mundo, como são os vinhos de Málaga, bem como a fabricação de aguardentes e licores. Mais tarde empreenderam outras atividades como conservas de frutas, fabricação de barris e vendas de vinhos através de uma rede de tabernas. O caráter forte e decidido que caracterizava esses irmãos passou a valer serem chamados de “Los Leones”, titulo por que se conhece até os dias de hoje as Bodegas de López Hermanos S.A.

Regiões dos vinhos na Espanha

            A idéia de construir uma bodega surgiu depois de que o campo malagueño entrou em uma profunda depressão. A crise se originou em 1851 que deixou maltratados os vinhedos de Marbella, Vélez-Málaga, Algarrobo, Moclinejo, Cútar, Borge, Totalán – localidade de donde era oriunda a família Lopez – e culminando com a terrível praga da filoxera que assolou os vinhedos europeus no último quarto do século XIX. Somente para a zona de Málaga significou passar de 112 mil hectares de vinhedo para apenas 30 mil.
            Com amor e fé os irmãos continuam ampliando suas instalações, suas bodegas iniciam a comercialização de vinhos engarrafados entre os que sobressaem três grandes marcas: Málaga Virgen, Moscatel Salvador e Trajinero.

            Quando suas vidas começam a declinar, o primeiro a faltar é don Francisco, porém, anteriormente já preocupados pela continuidade (característica de todos homens que vivem em torno da fabricação de vinhos, pensar em décadas e não em anos) dão entrada em López Hermanos uma nova geração composta por seus filhos don José López Garcia, don Salvador López Palácios, assim como don Rafael de Burgos Carrillo.

            Esse trio de homens jovens, dirigidos unicamente por don Salvador López López, supera dos terríveis anos 30  em que subsistir era um triunfo. A guerra civil deixa descapitalizada a sociedade e grande quantidade de vinhos são deixados de vender. Porém de novo, o trabalho de conservar suas bases fundamentais das soleras para iniciar nos anos 40 já sem a presença de don Salvador, um novo lançamento leva a López Hermanos aos mesmos níveis superiores que a geração anterior tinha conseguido.

Logotipo da empresa

            O mercado nacional está assolado, bem como o europeu, porem nada arreda a estes homens que com fé e trabalho abrem novos mercados e preparam a López Hermanos para os anos vindouros que se prever muito diferentes dos passados. A este trio une-se um novo valor surgido entre os mais recentes colaboradores de dentro de casa. Seu nome é Manuel Linares Fernández, que acabaria sendo diretor geral desta firma e hoje secretario geral.

            Ao final dos anos 80, os netos do fundador, don Rafael e don Juan Ignácio de Burgos López, adquirem 80% das ações da empresa e com seu trabalho de investigações introduzem no mercado de produtos novos o Moscatel Ibéria, o Cartojal Pale Cream e o Brandy 1885. Os dois primeiros têm como base a famosa uva moscatel de Málaga, sendo Cartojal, segundo os expertos, a maior inovação técnica dos vinhos de Málaga nos últimos 50 anos.

            O Brandy 1885 obtém-se a partir dos vinhos doces da Bodega e trás um amplíssimo período de envelhecimento, reuni umas condições organolépticas que lhes dão uma indiscutível qualidade e uma personalidade única. Continuando sua expansão nos terrenos dos vinhos doces, no ano de 1994 chega-se a um acordo com a firma Pedro Domecq, S.A. pela qual López Hermanos compra a marca Pico Plata, que é um vinho moscatel muito apreciado no norte da Espanha.

            Continuando com a seqüência das suas ampliações, a empresa adquire 250 hectares de vinhedos em Fuentepiedra, donde se cultivam as variedades Pedro Ximénez e moscatel, Nesses mesmos terrenos constrói uma nova esmagadora e uma bodega de armazenamento, onde se incorpora as últimas inovações técnicas que servem de base às características fundamentais dos vinhos de Málaga de López Hermanos: a qualidade.

            O grande segredo da qualidade dos vinhos de Málaga reside no clima e nos solos de piçarra de la Axarquía. Trata-se de uma zona protegida dos ventos do norte por cadeias de montanhas e orientada ao meio-dia, com clima mais temperado e úmido pela influencia do Mediterrâneo, enquanto que no norte, o clima pode definir-se como mais continental e seco. Os solos evoluem desde o vermelho mediterrâneos com componentes calizos da zona norte até as piçarras em decomposição e com muita pendente de La Axarquia. Vinhedos que parecem despencar-se pelos barrancos escuros, resplandecem na brancura dos pequenos lugares e as muretas das passarelas. Todo um mundo de silencio e paisagens frente ao torvelinho da cidade que, todavia é incapaz de dobrar o caráter destes vinhos em um “incorporamento urbano”.

Seus Vinhos

            Málaga Virgen – Pedro Ximen

            A uva da qual procede aos mostos para este vinho são as uvas Pedro ximénez, submetidas a diferentes graus de insolação, e trás uma elaboração muito cuidadosa se conseguem mostos de grande riqueza de açúcar. Sua fermentação, lenta e a temperatura controlada, produzem uns vinhos que conservam a totalidade dos aromas e característica das uvas Pedro Xímenez.

            Grau alcoólico: 17% - Grau Beaumé: 8º.

            Criação: Sua permanência em pipas de madeira está marcada pelas normas e Regulamento da Donominación de Origen Málaga e se efetua em barricas de carvalho curadas no ano anterior.

            Degustação: Sua cor de um acaju transparente com uma orla de iodo brilhante. Boa presença na boca, saboroso, com uma doçura elegante e um extenso final. Expresso em aromas e tonos de criação deixando patente a uva Pedro ximénez da sua procedência.

            Cartojal – Pale Cream

            Procede da uva moscatel de la Axarquia malagueña, havendo-se selecionada as zonas de produção de maneira que as diferentes qualidades e condições dêem lugar a um mosto equilibrado e rico em aromas que acentue sua origem.

            Grau alcoólico: 15% - Grau Beaumé: 5º.

Criação: Sua permanência em pipas de madeira, está marcado pelas normas do Regulamento da Denominación de Origen Málaga e se efetua em vasilhames de carvalhos curados no ano anterior.

            Degustação: É um moscatel de atrativo amarelo dourado, com ligeiros tons esverdeado, limpo e brilhante. Aromas florais, com toques de mel e cítricos. Sabor de uva passas e um suave toque humano. Elegante e doce, porém não enjoativo, mostra equilíbrio e harmonia. Temperatura de consumo: de 6º C a 8º C.

            Trajinero

            É um vinho seco procedente de uva Pedro ximénez parcialmente ensolaradas. Para conseguir odores e sabores específicos, a fermentação dos mostos se realiza a baixa temperatura.

            Grau alcoólico 18%

            Criação: Sistemas de patamares e criaderas em pipas de madeiras de 500 litros de maneira que o corrido de escalas mantenha características deste vinho.

            Degustação: Cor âmbar topázio, com um fundo acobreado e reflexos iodados brilhante. No nariz tem aromas de boa criação, madeiras e frutos secos. Na boca é suave e seco às vezes, bem constituídos e saborosos. Los retronasales são perecidos ao aromas de nariz. Temperatura de consumo: 8º C a 10º C.

            Moscatel Iberia

            Da grande oferta de uva moscatel produzida na província de Málaga, se selecionam uvas de la Axarquía e Manilva, de forma que o mosto resultante através de uma temperatura adequada, produza um vinho doce que deixa patente a presença de uvas pasificadas procedentes da zona oriental e uva de Manilva (zona ocidental).

            Grau alcoólico: 15% - Grau Beaumé: 8º.

           

Degustação: aspecto limpo e brilhante de cor iodada com um aspecto denso, aroma de boa intensidade a uva moscatel. É doce e untuoso sem ser enjoativo e com um gosto posterior intenso em todo.            Temperatura de consumo: de 6º C a 8º C.

            Brandy Gran Reserva 1885

            Trata-se de um Brandy de prateleiras nascido de singular destilação de vários vinhos selecionados de Málaga (doces, secos...) que transmitam uma notável peculiaridade das holandesas, diferenciando e melhorado suas características aromáticas. O processo oxidativo posterior que tem lugar na barrica, proporciona a este brandy uma cor elegante, muito limpa e brilhante, no nariz um aroma profundo, completa com o paladar sensacional na boca, cuja ultosa redondeza faz que o grau alcoólico (40º Gay Lussac) deixa de ser um elemento agressivo para converte-se no melhor veículo para transmitir os prazeres criados durante sua larga criação. Uma jóia.

            Grau alcoólico: 40%.

            Temperatura de consumo: de 6º C a 8º C.

 

Fonte: Bodegas López Hermanos S.A.

Aguardem para o próximo número mais uma Bodega na Espanha.

Enviado por Walter Jorge
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright  1996-2003