Peregrino Walter Jorge

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Bodegas 16 - Bodegas Pedro Domecq
Walter Jorge

            Em continuação aos artigos sobre as Bodegas na Espanha, trouxemos para os nossos leitores três tradicionais Bodegas: a Marquês de Riscal, a Vega Sicília e a Riojanas, para esse número, nada melhor do que trazermos uma das mais antigas Bodegas espanholas, pois a mesma foi fundada em 1730 e atualmente encontra-se distribuída em nove donominación, são as Bodegas Pedro Domecq.

Bodegas Pedro Domecq

Sua história e a origem do seu nome

            O vinho de Jerez, é o mais internacional dos caldos espanhóis, ele é produzido na zona de Jerez de la Frontera, na província de Cádiz, no sudoeste de Andaluzia.

            É impossível dizer exatamente desde quando se vem produzindo vinho na área de Jerez, acreditamos que tem aproximadamente uns 3.000 anos, possivelmente os fenícios, iniciaram a produção de vinho contemplando como prospera esta graças a peculiar combinação de uma série de fatores.                            

            Os fenícios chamaram de Xera a cidade donde agora se assenta Jerez. Mais tarde, no ano de 133 a.C., os romanos converteram a Península Ibérica em uma província e Xera passou a ser chamada de Ceret até o ano de 409 d.C. Posteriormente, os visigodos a chamaram de Seret até o ano de 711 quando teve lugar a invasão árabe partindo do norte da África. A zona foi conquistada e a cidade tomou o nome de Seris – pronunciada Sheris -. Os árabes permaneceram até o ano de 1264 quando foram expulsos definitivamente pelo rei Alfonso X, denominado “o Sábio”.
           
            Na idade média, a Inglaterra de Shakespeare, chamaria de Sheris ao vinho procedente de Jerez que, por razões eufônicas, passou a ser chamada atualmente de Sherry. Porque então Jerez é chamada de Frontera?, Tal nome é proveniente do título concedido por los Trastamara em conseqüência de haver o estado estar situado na zona limítrofe dos reinos cristãos e muçulmanos.

            Graças à privilegiada situação geográfica do porto de Cádiz, o sherry chegou a ser conhecido na Inglaterra, sendo pratica habitual que as embarcações que ali faziam escalas e fundeavam, acabava carregando vários barris de vinho. Esta peculiaridade, unida a qualidade e as características do vinho jerezano, assegurou o crescimento de sua população dentro e fora das fronteiras.

            Fundadas em 1730, as Bodegas de Pedro Domecq em Jerez de la Frontera, foram à origem do grupo Domecq, atualmente integrado na multinacional Allied Domecq, um dos primeiros grupos mundiais no setor de vinhos e bebidas espirituosas.

            As Bodegas Domecq, são as mais antigas de Jerez, começaram em um antigo edifício que albergou um moinho do século XVI junto a muralha árabe medieval, na zona conhecida hoje em dia como “Puerta de Rota”.

As adegas das Bodegas Domecq

            Os Domecq eram originários da região francesa de Bearn, na demarmarcación dos Pirineos Bajos. Têm-se notícias deles em vários documentos da Corte de Pau, datados do século XII, donde se conta sobre a sua linhagem e dos serviços prestados a coroa francesa e ao reino de Navarra.

            Pedro Domecq Lembeye, fundador desta legendária saga, trocou a denominação da empresa a de “Pedro Domecq & Compañia”, em 1 de janeiro de 1822. Nesses anos começaram a desenvolver os alicerces de uma empresa revolucionária no mundo bodegueiros conhecidos em Jerez que permanece até esta data. Foram várias e sucessivas ampliações e inversões de capital em edifícios e maquinarias agrícola e industrial, o que permitiu as Bodegas Domecq se situaram à frente do setor vinícola de sherry.

            Recorrer à histórica Bodegas de Pedro Domecq, constitui uma agradável experiência por seu entorno arquitetônico a harmonia de suas edificações, seus jardins, praças e pátios que convida a retroceder no tempo e submergir-se no romantismo de Jerez do século XVIII.

            As suas doze Bodegas estão distribuídas em nove denominación de origem, o que dá uma idéia da importância que tem as Bodegas Domecq. A mesma está presente nas terras vinícolas espanholas de maior prestígio internacional, como: Rioja, Navarra, Rias Baixas, Ribeiro, Ribeira Del Duero, Rueda, La Mancha, Valdepeñas e Jumilla.

            Os principais fatores que fizeram do Jerez um vinho único e inimitável se devem principalmente a:
            - Condições climatológicas;
            - Condições geológicas;
            - A Viticultura;          
            - A Vinificação;
            - A tradição e o método de envelhecimento.

Geografia e clima

            A área que compreende a zona de produção de Jerez é de forma triangular e está compreendida entre os rios Guadalquivir, Guadalete e o Oceano Atlântico. Seu clima é regular, com 70 dias de chuvas ao ano e 295 de sol em termos médios. A média anual de chuvas é de 650 litros/m2 aproximadamente. A temperatura média anual é de uns 18º.C e oscila entre uma mínima de 1º.C a uma máxima de 40º.C. A umidade relativa do ar ambiental é cerca de 57%, aumentando gradualmente segundo vamos nos aproximando da costa banhada pelo Atlântico. Os solos da área de Jerez estão diferenciados basicamente pela proporção de cálcio (carbonato de cálcio) que contem. Podemos assim distinguir três tipos básicos.

            1 – Solos de Albarizas – São as terras de melhor qualidade, com uma porcentagem aproximada de 40% de carbonato de cálcio. Uma segunda qualidade destas terras seriam os chamados albarizonas – uma mistura de albarizas e barros – que contém cerca de 25% de carbonato de cálcio.

            2 – Solos de Barros – São terras escuras que denotam a presença de matéria orgânica e contem aproximadamente uns 10% de carbonato de cálcio. Produzem vinhos mais gordos e ásperos que as albarizes, rendem uns 20% mais que elas, porém de qualidade inferior. Encontra-se ao largo de toda a costa, especialmente entre Chipiona e Sanlúcar de Barrameda. Também se encontra solo de barros ao pé das colinas de albarizas.

            3 – Solos arenosos – São solos que raramente contém uns 10% de carbonato de cálcio. Produz um rendimento similar à dos solos de barros, porém o tipo de terreno impede o nascimento rápido de ervas, as qualidades das uvas são mais pobres. São solos bons para as uvas que darão os vinhos doces tais como: o Moscatel e o Pedro Ximénez.

Vinificação

            A Domecq anualmente colhe cerca de 12.000 toneladas de uvas. As uvas após a sua colheita são esmagadas em modernas prensas horizontais. Durante a campanha da colheita a Domecq esmaga cerca de 900 toneladas de uva por dia, o equivalente a 700.000 litros de mosto, em 8 prensas que trabalham alternativamente.

            Em uma primeira operação as uvas são esmagadas ligeiramente entre rodinhas de borrachas, é o que se chama molturación e seu objeto é facilitar a primeira e mais importante prensado que se realizará a uma pressão máxima de 1 kg/cm2. Desta forma se extrai 70% do suco da uva, de máxima qualidade. Em um segundo prensada esta a uma pressão de 4 kg/cm2, se obterá cerca de 20% do mosto que, geralmente se destinará a produzir vinhos de mais corpo.

            O restante do mosto, 10%, se extrai mediante prensas continuas e será utilizada para destilar. Esta operação se leva a cabo em uma prensa contínua. O suco da uva e o mosto são posteriormente colocados em tanques de aço inoxidável, donde permanecerá aproximadamente 24 horas.

A vinhas da Bodegas Domecq

            Após um período de decantação de 24 horas, começa a fermentação. A mesma é muito violenta em sua primeira fase que se prolonga durante uns 3 a 4 dias, com temperatura controlada entre os 25 e 27º.C, durante os quais se convertem os 90% do açúcar em álcool.

            Depois, a fermentação continua lentamente durante vários dias até que o açúcar restante se converte em álcool. Desta forma se contempla o processo de fermentação alcoólica levada a cabo com um controle de temperatura e com leveduras autóctones selecionadas.

Seus Vinhos

            O Jerez são engarrafados em condições especificas que podem assegurar a máxima higiene, uma absoluta filtração e  esterilização com a finalidade de ficar a salvo de possíveis oxidações. Domecq conta com um moderno centro de engarrafamento que compreende uma planta de engarrafamento para vinhos com três linhas instaladas cuja capacidade é de 35.000 garrafas/hora.

            Suas principais marcas são: Amontillado 51 – 1º. ; Bristol Cream; Jeréz 51 – 1º.; Jerez fino La Ina; Jerez Oloroso Seco Rio Viejo; Oloro: Sibarita; Palo Cortado;  Capuchino e Venerable PX.

Fonte: Bodegas Domecq.

Aguardem para o próximo número mais uma Bodega na Espanha.
 

Enviado por Walter Jorge
 
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