Peregrino Walter Jorge

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Bodegas 6 – Ribera del Duero
Walter Jorge

Em continuação aos nossos artigos sobre o vinho na Espanha, anteriormente falamos sobre a região de “Rioja”, trazemos agora para os nossos leitores, mais uma região produtora de vinho, abordaremos a região de “Ribera del Duero” vamos falar sobre a sua “Localização”, sua “História”, seu “Clima e solo”, bem como sobre a sua “Viticultura e Vinificação”.

Espanha – principais regiões vinícolas

Ribera del duero

Localização

A Comarca de Ribera del Duero fica situada no extremo meridional da província de Burgos, sua capital é a cidade de Aranda de Duero, banhada pelo rio Duero, que cruza toda a Comarca. Ribera del Duero é a terra dos vinhos nobres e antigos, suas vastas lombadas ondulantes desenham sua paisagem ribeirinha, o vale do Duero é largo e plano, sulcado pelo rio que fecunda a sua terra e sob um sol que beija seus extensos vinhedos cultivados com esmero lançando seus reflexos de prata no horizonte.

Localização de Ribera del Duero

No tempo da Reconquista, suas terras eram a fronteira natural entre os reinos cristãos situados ao norte e os mulçumanos ao sul, suas terras entesouram uma densa história e um rico patrimônio artístico encontra-se guardados em suas Igrejas e Monastérios, Clunia, Calemega, Roa de Duero, Peñaranda, la Vid, o Aranda de Duero, nos salen o paso oferecendo-nos os segredos do passado, a grandeza de seus monumentos e a beleza de seu entorno, bem como oferecendo aos seus visitantes sua famosa gastronomia e seus excelentes vinhos.

História

Ribera del Duero é uma região produtora qualitativamente importante, esta situada num planalto ao norte de Madrid, em Castilla-Leon, disputando hoje a hegemonia dos vinhos tintos espanhóis com a região da Rioja.

A região de Ribera del Duero se estende através do largo vale do rio Duero (conhecido como Douro em Portugal), a leste da cidade de Valladolid.

O título de DO – Denominación de Origen veio apenas em 1982, mas as Bodegas Vega-Sicilia, na margem oeste da apelação, tem produzido um dos melhores vinhos espanhóis desde o último século. Por cem anos ou mais a Vega-Sicilia permaneceu sozinha entre os campos de cultura de açúcar de beterraba, nas margens do Duero. O potencial da região foi reconhecido por Alejandro Fernandez, que teve papel destacado no considerável desenvolvimento alcançado durante a década de 1980, produzindo vinhos ao estilo internacional, de cor profunda, com grande concentração de frutas maduras e taninos, diferentes dos vinhos da Rioja. Com o sucesso de seu vinho Pesquera, Alejandro estimulou outros produtores da região, que anteriormente vendiam suas uvas para as cooperativas, a vinificar e vender seus próprios vinhos, dando origem a uma nova e promissora região produtora de vinhos finos.

Comarca de Ribera Del Duero com a sua capital Aranda de Duero

Clima e Solo

Numa primeira visão, o Vale do Duero não é o local mais adequado para se plantar uvas. Com uma altitude média de 700m a 800m acima do nível do mar, tem um período de plantio relativamente curto. As temperaturas, que podem atingir cerca de 40º. C durante o dia, nos meados de julho, caem abruptamente durante a noite. O congelamento das vinhas, comum no inverno, continua a ser uma ameaça também na primavera. No entanto, estes extremos de temperatura parecem ser, na região, um fator positivo na produção de vinhos de alta qualidade. A acidez, que freqüentemente falta nos vinhos produzidos na Espanha central, é muita bem retida pelas uvas que crescem no ar montanhoso rarefeito de Ribera del Duero.

Existem várias características em comum com a Rioja: precipitações moderadas, solos compostos de calcáreo, argila e ferro e a mesma variedade de uva.

Viticultura e Vinificação

O Estilo “moderno” de vinificar chegou a Ribera del Duero já na última metade do século XVIII. Em 1864, vindo de Bordeaux trazendo barricas, parreiras e conhecimento das técnicas francesas de vinificação, Don Eloy Lecanda Chaves tentou produzir um Médoc em sua propriedade perto da cidade de Valbuena. Rapidamente descobriu que as cepas locais, conhecidas como Tinto del Pais (Tinto Fino, Tempranillo), quando cultivado com os mesmos cuidados dispensados às estrangeiras produzia vinhos igualmente finos, principalmente nos anos secos. O vinho por ele elaborado tomou parte de seu nome e de sua propriedade, Pagos de la Vega Santa Cecília Y Carrascal. O Vega-Sicília passou a ser o melhor vinho da Espanha e assim esse pioneiro permaneceu até que o caminho aberto fosse percorrido por outros produtores. Muitos deles abandonaram a produção de vinhos finos e mesmo mudaram para outras formas de cultivo agrícola em virtude de não terem conseguido reproduzir o sucesso do Vega-Sicília. Um deles, no entanto, colaborou sobremaneira para o reconhecimento da região como uma das fronteiras da renovação e fonte de grandes vinhos: Alejandro Fernandez que, ao contrário de outros produtores não tentou imitar o estilo Vega-Sicília. Seu enólogo da época, Teófilo Reyes, demonstrou ser possível elaborar vinhos de grande qualidade em Pesqueira del Duero, empregando tempos mais curtos que os dez anos do Vega-Sicília de maturação em madeira. Seu vinho, de classe internacional, ganhou os mercados mundiais, trazendo a reboque novos investimentos e numerosos novos produtores.

A principal uva da região é a Tinto Fina (também chamada Tinto del País), uma variação local da Tempranillo da Rioja. Esta uva parece ter se adaptado aos extremos climáticos do Duero. O estilo de vinificação adotado procura privilegiar os vinhos de cor intensa, enorme riqueza e concentração, plenos de frutas e taninos, com influência moderada da madeira, adaptados ao gosto internacional. A exceção fica por conta do Vega-Sicilia Único, que é produzido dentro dos moldes tradicionais.

Outras uvas tintas como a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Malbec só são permitidas em vinhedos experimentais e são, teoricamente, confinadas por lei a vinhedos como os da Vega-Sicilia, onde foram plantadas no século 19. A uva Garnacha é utilizada para a produção de vinho rosado.

Fonte: ABS – Associação Brasileira de Sommeliérs.

Aguardem, no próximo número falaremos sobre uma outra região vinícola da Espanha.

Enviado por Water Jorge
 
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