Peregrino Walter Jorge

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Bodegas 04 - Rioja
Walter Jorge
Em continuação a nossa série de artigos sobre o vinho da Espanha, nesse número, trazemos para conhecimento dos nossos leitores, as “Principais Regiões Vinícolas na Espanha”, iniciamos pela que consideramos a mais famosa, “RIOJA”. Qual o peregrino que ao passar por essa região não saboreou um delicioso vinho acompanhando o “Menu do Peregrino?”.

Espanha – Principais Regiões Vinícolas

Rioja (Primeira Parte)

Localização

RIOJA, a principal região vinícola da Espanha, situa-se no norte do país e sua produção é predominantemente de vinhos tintos. Seu nome deriva de “rio Ojas”, um pequeno afluente do rio Ebro, sendo que a maior parte da região vinícola situa-se na província de La Rioja, com pequenas partes estendendo-se para o país Basco a noroeste e para Navarra a nordeste. Centrada na capital da província, Logroño, Rioja divide-se em três partes, ao longo do eixo do rio Ebro. A Rioja Alta ocupa a parte do Vale do Ebro a oeste de Logroño, incluindo a cidade vinícola de Haro. Rioja Alavesa é o nome dado à seção ao norte do rio Ebro, que se estende até à província basca de Alava. Por fim, a Rioja Baja, que se estende desde os subúrbios de Logroño ao sul e ao leste, incluindo as cidades de Calahorra e Alfaro.

Mapa de Rioja

História

Há evidências arqueológicas que os romanos já faziam vinho no Vale do Ebro. O comércio do vinho durante a ocupação dos mouros era tolerado, mas não incentivado. No entanto, a viticultura voltou a florescer durante o período da reconquista pelos cristãos, no final do século 15. A industria do vinho na Rioja cresceu ao redor dos inúmeros Monastérios na região, que foram criados para servir os peregrinos da rota para Santiago de Compostela, sendo que as primeiras leis vinícolas datam deste período.

Durante vários séculos a região sofreu com seu isolamento físico dos grandes centros populacionais, sendo que seus vinhos só encontraram mercado fora da região por volta de 1700, quando as vias de comunicação melhoraram e Bilbao tornou-se um importante centro comercial.

A partir de 1840, quando algumas pragas começaram a atacar os vinhedos da França, a região recebeu vários comerciantes de vinho de Bordeaux. Tal fluxo aumentou ainda mais a partir do final da década de 1860, quando a phylloxera começou a devastar os vinhedos franceses. As leis aduaneiras francesas foram relaxadas e a região da Rioja experimentou um inusitado sucesso de vendas que durou por quatro décadas. Novas vinícolas se estabeleceram, entre elas a Companhia Vinícola do Norte da Espanha (CVNE), López de Heredia, La Rioja Alta e Bodegas Franco Espanholas, todas fortemente influenciadas pelos franceses. Durante este período foi introduzida à barrica, um tonel de 225 litros de capacidade, fabricada com carvalho. Apesar de até hoje serem chamadas de barricas bordalesas, o carvalho americano é a madeira mais habitual na sua fabricação.

A phylloxera só atingiu a Rioja em 1901, sendo que a partir desta data a região entrou em acentuado declínio, até porque Bordeaux voltou a produzir vinhos em grande quantidade, provenientes de vinhedos resistentes à praga.

A recuperação plena do mercado só veio a acontecer no final da década de 1970, com a construção de várias vinícolas. A Rioja foi promovida de DO (Denominación de Origen) a DOCa (Denominación de Origen Calificada) em 1991, sendo que os atuais regulamentos de DO datam de 1976.

Clima e Solo

A Rioja desfruta de uma invejável posição geográfica entre as diferentes regiões vinícolas da Espanha. Protegida pela Serra de Cantábria ao norte e a oeste, a região é poupada dos fortes ventos chuvosos do Atlântico, que castigam impiedosamente a costa basca ao norte. Também, os produtores da Rioja raramente experimentam os extremos de temperatura que oprimem os produtores das regiões sul e central da Espanha. Os vinhedos estão plantados em altitudes que variam de 300 metros acima do nível do mar em Alfaro, a leste, até 800 metros nas encostas da Serra de Cantábria a noroeste.

A precipitação anual varia de 300mm na Rioja Baja a 500mm nas partes altas da Rioja Alta e Rioja Alavesa.

A maioria das melhores uvas cresce nas encostas mais frias do noroeste, ao redor das cidades de Haro, Labastida, San Vicente, Laguardia, Elciego, Fuenmayor, Cenícero e Briones. Estas regiões têm em comum um solo argiloso, baseado em calcáreo. Indo para leste, o clima torna-se gradualmente mais quente, com a precipitação caindo abaixo de 400mm/ano em Logroño. Quando o Vale do Ebro se alarga, há maior incidência do solo fértil de aluvião, formado pelas terras trazidas pelo rio. Nos arredores de Calahorra e Alfaro, o clima é mais Mediterrâneo. No verão, a forte seca é o maior problema desta região, com as temperaturas atingindo freqüentemente os 30 a 35ºC.

Aguardem a continuação da região da RIOJA

Fonte: ABS – Associação Brasileira de Sommeliérs.
 

Enviado por Water Jorge
 
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