Lendas e Curiosidades

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MONASTÉRIO DE SANDOVAL - OS PÉS
Portada do Monastério de Sandoval
Desde o inicio das peregrinações, o maior problema com que enfrenta os caminhantes e que muitas vezes obriga a interromper a peregrinação, são os pés. Nem o excessivo sol de Castilla e León, nem o frio extremo dos Pirineus, nem os mais de 700 quilômetros que obriga o peregrino a dobrar as costas antes de chegar a Santiago transportando uma pesada mochila, puderam prejudicar tanto a um peregrino como um par de bolhas em seus pés. E foi essa uma realidade na rota jacobea, que os hospitais e os albergues de peregrinos, tanto como hoje nas onipresentes farmácias, se cuida zelosamente dos pés. A medicina, uma das ciências que alcançou um grande desenvolvimento ao largo do caminho, dispunha de segredos que pareciam infalíveis para acabar com esse mal. Cada hospital dispunha de um ungüento especial, como o bálsamo de Niort, preparado a base da casca do salgueiro e colodión que era especialmente utilizado contra inchações, insensibilidades, bolhas e verrugas.

Mesmo assim, a lavagem dos pés dos peregrinos constituía um ritual a cumprir em alguns hospitais e era realizado, geralmente por mulheres que consagravam a sua vida a esta tarefa, imitando o que realizou Cristo a seus discípulos durante a Última Ceia.

Conta uma lenda que Dona Estefania, esposa de um conde chamado de “Ponce de Minerva”, Mayordomo de Afonso VII em 1142, desesperada ante a captura de seu marido pelos mouros, decidiu consagrar sua vida atendendo e curando os pés dos peregrinos no Monastério de Carrizo situado às margens do rio Órbigo.

Havia passado muito tempo, quando um dia enquanto achava-se lavando e curando como sempre os pés de um atormentado, magro e barbado peregrino, reconheceu neste o seu esposo por um anel que levava colocado no seu dedo mínimo. Com a descoberta, decidiram dar graças a Deus pelo encontro e após ela libertar-se do seu voto, fundaram o Monastério cisterciense de “Santa Maria de Sandoval”, perto de Mansilla de las Mulas.



 
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