Preparação do Peregrino a pé

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25 – ANO SANTO. ANO JACOBEO
Walter Jorge
Para se compreender a origem e a importância do Ano Santo, é preciso conhecer o contexto histórico e religioso dentro do qual ele nasceu. Foi no ambiente cultural e social da Idade Média européia, sob a onipresente influência da Igreja, a consciência do pecado e a necessidade de liberar-se de sua culpa eram sentimentos bem mais concretos e mais importantes na mente da população do que são hoje.

Na época medieval a Igreja concedia indulgência, isto é, o perdão dos pecados, em algumas situações. Recebiam o perdão, por exemplo, os fiéis que participavam das Cruzadas, bem como os que ajudavam a construir um templo. Eram perdoados também os pecados das pessoas que peregrinavam a um santuário (a pé ou a cavalo) para cultuar as relíquias de um santo. No entanto, na verdade, havia algumas bulas papais que davam permissão a que pessoas de classes mais altas enviassem alguém para peregrinar em seu lugar. Obtinham assim o perdão "por procuração", sem precisar realizar pessoalmente a caminhada.

O papa Calixto II elevou a cidade de Santiago de Compostela à dignidade metropolitana (sede de um arcebispado) e, em 1119, concedeu à Catedral de Santiago o privilégio do Jubileu Pleníssimo ou Ano Jubilar, mais conhecido como Ano Santo. Isto significa que o peregrino que caminhar a Santiago durante um ano decretado como Santo, terá todos os seus pecados perdoados.

Calixto II tinha importantes vínculos com a Espanha: era cunhado de Dona Urraca, influente e poderosa rainha de León e Castela. Ela era filha do rei Alfonso VI, e mãe do rei Alfonso VII, dois monarcas espanhóis que muito apoio deram às peregrinações a Compostela.

Além de conceder o Jubileu, o papa declarou a Peregrinação a Compostela como uma das chamadas peregrinações maiores, juntamente com as de Roma e Jerusalém (cujos peregrinos eram chamados respectivamente de romeiros e palmeiros). O primeiro Ano Santo, no qual foi dado o perdão aos peregrinos de Compostela, foi o ano 1126.

O Papa Alexandre III em 1179, decretou perpétuo o Jubileu de Santiago de Compostela. Seu objetivo foi prestigiar o santuário e proporcionar aos fiéis peregrinos um meio de obter o perdão de seus pecados. E em 1332 o papa João XXII, em Avignon, editou uma bula concedendo indulgência também às pessoas que ajudassem os peregrinos compostelanos com hospedagens ou com esmolas.

É considerado o Ano Santo Compostelano todo aquele em que o dia 25 de julho, dia do martírio de São Tiago, cair em um Domingo. Além destes, em ocasiões especiais, pode ser declarado um Ano Santo Compostelano extra, como já ocorreu, por exemplo, em 1885 e em 1938.

O Ano Santo Compostelano, portanto, não só é freqüente, como é o mais antigo que o conhecido Ano Santo Romano, que foi decretado pela primeira vez no ano 1300. Tradicionalmente, durante o Ano Santo Romano estão suspensas todas as outras indulgências não ligadas diretamente à cidade de Roma. Porém, por sua importância, a única indulgência que jamais é suspensa é aquela relacionada à peregrinação a Santiago de Compostela.

O último Ano Santo Compostelano foi realizado em 1999 e os próximos serão nos anos:

2004 2010 2021 2027 2032 2038
2049 2055 2060 2066 2077 2083
2088 2094
 

 
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