Rotas Brasileiras

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Piracicaba à Pirapora do Bom Jesus
João José Ramiro
História:

Em 1725, um escravo do fazendeiro José de Almeida Naves encontrou uma Imagem de Jesus, em tamanho natural, nas águas do então despoluido rio Tietê, fazendo com que o fazendeiro construísse uma capela para abrigar a imagem.

Ele nem suspeitou que, ao capturar a imagem, "caída dos céus", fundaria o município, a capela se transformaria mais tarde em santuário, para onde acorrem cerca de 10 mil visitantes, todo final de semana, dispostos a pedir e agradecer um favor concedido pelo Bom Jesus de Pirapora.

Ninguém sabe ao certo por que razão a estátua de Jesus, em uma data imprecisa do século XVIII, escolheu aportar em Pirapora. Explicações mais lógicas remetem à expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1663, quando a maior parte das capelas, inclusive a Nossa Senhora da Escada de Barueri, vizinha de Pirapora rio Tietê acima, foi depredada e teve suas imagens sacras lançadas nas águas.

A população local tem uma justificativa mística: o Santo não passara simplesmente por Pirapora ou caíra lá por mero acaso; encontrado sobre uma pedra, sentado e majestoso, Jesus elegera aquele lugarejo para contar uma história de fé e religião. Segundo os habitantes mais antigos, a posição do Santo demonstrava a sua preferência pelo povoado. Logo, a imagem recebeu o nome de Nosso Senhor Bom Jesus de Pirapora, sob a qual se propagou a lenda de que milagres e curas são proporcionados a quem rezar diante de seus pés.

De diversas cidades da região partem romarias com destino à Pirapora, tendo como concentração principalmente a semana Santa.

Além de romarias, Pirapora oferece mais duas atrações aos seus visitantes: a exposição de arte sacra que funciona no prédio do seminário dos padres premonstratenses, fundado em 1896 e a Casa dos Milagres, que abriga os ex-votos para atestar as graças concedidas pelo Bom Jesus.

Os Caminhos:

Assim como no Caminho de Santiago, também aqui, existem diversas rotas que levam a Pirapora.
A peregrinação ocorre das mais diversas cidades da região, e as distâncias mais comuns variam entre 25 e 200 Km.

Quem vai à pé geralmente caminha entre 30 e 40 km/dia, há trechos com asfalto, em terra e em alguns casos atalhos por entre fazendas da região. A paisagem é muito bonita, principalmente no trecho da Serra do Japi, já na fase final da caminhada, mas em compensação é o trecho com maior dificuldade, pois as subidas são inúmeras, algumas até já receberam apelidos como é o caso do "morro do tira saia".

Infelizmente não há sinalização específica sobre esta rota, salvo placas normais de trânsito, mas se feita durante a semana Santa, você têm sempre alguém que está à caminho e pode te ajudar, ou você pode informar-se pelo caminho.

Quanto à segurança, já fiz essa caminhada diversos anos e nunca tive nenhum problema.
Os principais "refúgios" que você pode utilizar pelo caminho, são pequenos hotéis nas cidades do caminho.

Tradição de Piracicaba:

Desde que se iniciaram as peregrinações, muito provavelmente há mais de um século, Piracicaba assumiu a condição de ser a cidade com maior número de peregrinos à Pirapora.

Talvez algumas semelhanças entre as cidades contribuíram para tal, o nome de origem indígena, os rios que cortam as cidades, mas o mais provável tenha sido a repercussão de alguma cura ou graça alcançada por antigos peregrinos piracicabanos.

Hoje, durante a semana Santa, milhares de pessoas fazem o trajeto de aproximadamente 130 Km, muitas simplesmente à pé, outras à cavalo ou em bicicleta. Mas existem ainda aqueles que no extremo da resistência física carregam pesadas cruzes, depositando-as juntamente com suas aflições à frente do Santuário de Pirapora.

Nossa Caminhada : Piracicaba à Pirapora (2001)

Meu nome é João José Ramiro, Nasci em Piracicaba, tenho 34 anos e há 17anos faço essa caminhada, sempre em companhia de meu cunhado Nelson Antonio Porsebom, o qual me convidou da primeira vez, em 1985.

Desde então, durante a semana Santa, fazemos essa caminhada sempre em pequenos grupos.
Esta rota tem 126 Km., e é feita à pé geralmente entre 3 e 4 dias, mas nosso grupo geralmente faz uma caminhada considerada "Kamikaze", fazendo o percurso em no máximo 2 dias. Para padrões de Santiago de Compostela, isso é loucura, mas é como dizem "de bobo e de louco todo mundo tem um pouco". Espero esclarecer as dúvidas quanto ao caminho, mas se for necessário mais informações estou à disposição.

Este ano fizeram parte do nosso grupo: Nelson(18), João(17), Rafael(3), Xavier(2), Gabriel, Daniel, Paulo, Sérgio, Silvio.

Veja o quadro das distâncias e as principais referências de localização:

1ª Etapa :

Saímos por volta das 20 horas do dia e caminhamos toda a noite e até às 18 horas do dia seguinte, fizemos escalas para descanso e lanche em Rio das Pedras(meia noite), descanso em Mombuca (2horas), café da manhã em Capivari (6horas), almoço em Samambaia (11horas) e a chegada em Salto por volta das 18 horas onde tomamos um bom banho e descansamos o esqueleto num pequeno hotel da cidade.

Nessa primeira etapa percorremos 79 km sendo 45 em terra e 34 em asfalto ou cortando cidades do caminho, num cenário onde predominam os comuns canaviais e plantações legumes.

2ª Etapa:

Partimos de Salto por volta das 3 horas(da manhã) do dia seguinte, chegando ao lugar conhecido como "Pé do atalho" por volta das 6 horas, onde iniciamos a travessia por uma fazenda num trecho de aproximadamente 8 km.

Neste trecho a paisagem é exuberante pois entramos na Serra do Japi e o cenário se altera aparecendo a criação de gado e a extração mineral como principais atrativos ao caminhante.
A partir da travessia do "Atalho" iniciamos a caminhada pela chamada "Estrada dos Romeiros", pista em alguns trechos marginal ao Rio Tietê que, apesar da poluição, ainda convive num cenário de intensa beleza.

Em Cabreúva, pequena cidade incrustada na Serra do Japi, fizemos uma boa parada por volta das 11 horas para o almoço e descanso.

De Cabreúva à Pirapora ainda são 23 Km feitos numa estrada sinuosa e cheia de subidas, mas bem conservada. A chegada à Pirapora se deu por volta das 17 horas.

Nessa segunda etapa percorremos 47 Km feitos em asfalto, com exceção do trecho do "atalho" feito pela fazenda.

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Enviado por João José Ramiro
 
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