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Itu e Salto na Compostela tupiniquim (Notícia publicada no Jornal Valor Econômico)

Doze cidades paulistas criam o Caminho do Sol, percurso de 230 quilõmetros voltado à reflexão.
Por Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo


O Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, vai ganhar a partir de julho sua versão paulista. Algumas cidades do interior de São Paulo se juntaram para traçar 230 quilômetros que comporão o Caminho do Sol. Trilhas de estradas de terra ou caminhos rurais já existentes entre as cidades de Santana do Parnaíba, passando por Itu, Salto até chegar em Águas de São Pedro, serão 0 cenário para viajantes que querem reviver sensações do caminho espanhol ou se preparar fisicamente para Os 800 quilômetros da caminhada internacional.

Aqui no Brasil o trajeto não terá o caráter bíblico do Caminho de Santiago, mas pretende contar com infra-estrutura parecida, como instalações a preços baratos e refeições simples, exclusivamente feitas pelos restaurantes a visando esses viajantes. As prefeituras estão fechando acordo com pousadas para permitir que os caminhantes durmam nas suas instalações com direito a chuveiro, banheiro e uma área para colocar seu saco de dormir, pagando algo em tomo de R$ l0 pelo pernoite" e R$ 5 pela refeição balanceada.

uma terapia alternativa. A proposta e criar um ambiente propicio para reflexão", explica José Palma, um dos idealizadores da caminhada. Para que o objetivo seja alcançado, tudo será rústico. Nenhuma trilha será construída especificamente para o Caminho do Sol O trajeto passará pelas fazendas da região, montanhas e pedras que marcam o Vale Médio do Tietê, além de locais de plantação Canavieira e municípios históricos, como Capivari, onde existe a casa em que viveu a artista Tarsila do Amaral (1886-1973).

Palma idealizou o Caminho do Sol depois de passar por Compostela e sentir a necessidade de um local parecido em São Paulo. sua idéia acabou ganhando apoio de uma figura ilustre de Compostela, Jesus Jato - um hospitaleiro dos viajantes da Espanha, que veio ao Brasil e doou uma imagem de São Tiago para marcar o fim do percurso brasileiro.

Santana do Parnaíba a primeira cidade do Caminho Sol, projeto que deve Ievar ao aumento do turismo istórico no interior de São Paulo

A inaugurarão do Caminho do Sol acontece em 25 de julho, depois de alguns peregrinos irem buscar a imagem doada, que vai ficar exposta na cidade de Águas de São Pedro. Dia 27 de maio está marcada a saída para a busca do santo na Espanha, que está aberta a qualquer interessado.

O percurso paulista esta previsto para ser feito em 10 dias de caminhada, bem menos que os 30 dias de Cornpostela. As pessoas devem se inscrever previamente nas prefeituras das cidades que integram o caminho. Elas receberão uma carteirinha de caminhante para poder usufruir da estrutura.

Segundo o prefeito de Águas de São Pedro, Luiz De Mitry, a expectativa e que o passeio atraia 1,2 mil pessoas ao mês. "Isso e muito importante para a cidade já que vivemos do turismo", explica. Águas de São Pedro também se prepara com a conscientização da população, urna vez que aguarda uma turista diferente, que não chega de chapéu e óculos escuros, mas com roupas gastas, mochilas nas costas e com cara de cansado Cidades próximas de São Paulo, como Itu, Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva e Piracicaba também serão grandes beneficiadas pelo tratado do Caminho do Sol. Hoje o turista de algumas dessas cidades passam, em média, apenas um dia no município. "O caminho vai abrir oportunidades para o crescimento do turismo histórico e cultural porque muitas pessoas vão acabar voltando para as cidades do trajeto para conhecê-las melhor. Haverá aumento do turismo de dois dias", acredita Geraldo Garcia, presidente da Câmara de Vereadores da Estância Turística de Salto.

O empresário Jayme Barbarisi, dono da empresa de informática Xis View, quer fazer o percurso do Caminho do Sol "Acho que em 200 quilômetros já vai dar para pensar bastante", diz ele, que foi para Compostela no ano passado. Barbarisi quer fazer agora o circuito brasileiro por achar a iniciativa nobre. "É urna obrigação participar, já que isso serve para melhorar a qualidade de vida espiritual das pessoas", diz.

Terceiro lugar na corrida a São Tiago

O Brasil é o terceiro país que mais envia peregrinos para Santiago de Compostela, na Espanha. Fica atrás somente da França e Alemanha. Em 2000, representou 12,7% dos 60 mil visitantes estrangeiros, segundo dados da Federação Espanhola de Associações de Amigos do Caminho de Santiago. Tamanha devoção levou a várias versões tupiniquins do trajeto, criadas por quem já caminhou por Compostela. No Rio Grande do Sul existe o "Caminho das Missões" e no Espírito Santo, o "Caminho de Anchieta".
O caminho gaúcho vai de São Nicolau, o primeiro local onde se aventuraram os padres catequistas, e se encerra em Santo Ângelo, última cidade fundada pelos jesuítas. São 190 quilômetros de extensão. No Espírito Santos, peregrinos andam por 90 quilômetros o caminho feito pelo Padre Anchieta em 1553. Os dois se baseiam em Compostela e visam a reflexão dos peregrinos.

A pluralidade religiosa brasileira, no entanto, leva a muitas outras devoções e manifestações. No Pará, existe a peregrinação dos devotos de Nazaré, em São Paulo, os caminhantes de Aparecida do Norte, por exemplo. A diferença entre estas peregrinações e as de Santiago com suas versões feitas no Brasil, é a maior veneração pelos santos do que a busca por respostas e o auto-conhecimento.
Segundo a antropóloga Sandra de Sá Carneiro da Universidade Federal do rio de Janeiro e doutoranda com tese sobre Compostela, o caminho propriamente dito de Santiago é mais importante até do que a chegada ao seu fim. "É durante o percurso que as pessoas tentam se encontrar. Não é tão importante encontrar o túmulo do apóstolo São Tiago, mas se tronar uma outra pessoa", explica.

A caminhada espanhola ganhou hoje também um caráter bem diferente do que tinha na Idade Média. "O propósito não e a penitência. o corpo não sofre mais tanto e o misticismo não é o único guia. Há um ideal de transformação social e pessoal", diz De acordo com Sandra, o caminho responde a diferentes demandas atualmente: "Alguns procuram a definição de si mesmos. Outros procuram se religar a religião. Uns estão pagando promessas, outros se aventurando numa caminhada", comenta.
O Caminho, com cerca de 800 quilômetros, existe desde o século IX. Talvez a única forma de relacioná-lo com as demais manifestações religiosas seja o seu aspecto físico, que e muito trabalhado em longas distâncias.

Cidade de Itu

 

Enviado por Palma
 
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