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O nosso trajeto de Santiago de Compostela
Jornal O Estado de São Paulo - 28/01/2003

O nosso trajeto de Santiago de Compostela
Batizado de Caminho do Sol, circuito de 240 km vai de Santana de Parnaíba a Águas de São Pedro
Hélvio Romero/AE
Peregrinos passam por algumas provações, como enfrentar estradas de terra e agüentar bolhas no pé

SANTANA DE PARNAÍBA - O interior de São Paulo conta, desde julho, com seu próprio caminho de peregrinação. Considerado uma espécie de preparação para os 850 quilômetros de Santiago de Compostela, o Caminho do Sol, que liga Santana de Parnaíba a Águas de São Pedro, num total de 240 quilômetros, atrai, a cada dia, mais e mais peregrinos. A trilha, de acordo com o idealizador, José Palma, de 52 anos, leva além. "Aprende-se a distinguir o essencial do acessório", diz.

A caminhada, que dura 11 dias, serve tanto para aventureiros em busca de adrenalina quanto para quem quer repensar a vida. Todos, porém, vão se deparar com dificuldades pelo caminho. Eles passarão por canaviais, cruzarão estradas de terra esburacadas - muitas vezes debaixo de chuva e com lama até o tornozelo -, enfrentarão subidas íngremes e ainda dormirão em barracões improvisados. Sem contar as inúmeras, e temidas, bolhas nos pés, que fatalmente aparecerão. Mas ninguém parece reclamar ou se importar com tamanha provação.

"A vida muda a cada dia de caminhada", explica Edson Luiz Sardinha, de 55 anos. Veterano, ele percorreu a trilha de Santiago em 2001 e faz o Caminho do Sol pela quarta vez. "Não pretendo parar nunca mais", diz ele, que garante não saber mais andar sem o cajado - instrumento essencial para os peregrinos.

Radicado há quatro anos em Ventosa, no Caminho de Santiago, na Espanha, o brasileiro Acácio da Paz, de 44, veio conhecer o similar tupiniquim. "Cada trilha é uma descoberta", garante. A caminhada passa por 12 cidades. Além de Santana e Pirapora, estão no roteiro Cabreúva, Itu, Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Saltinho e Piracicaba, até chegar ao destino final, a capela de São Tiago, em Águas de São Pedro.

De quebra, a empreitada ajuda a alavancar o turismo nas cidadezinhas.

Estima-se que cada peregrino deixe, em média, R$ 30,00 por dia, entre hospedagem e alimentação - que são subsidiados -, pelos lugares por onde passa. Quem resolve arriscar, depara-se com paisagens bucólicas e algumas construções históricas escondidas no meio do mato.

Hélvio Romero/AE
Fazenda Cana Verde: hospedagem e visita de um dia

Curiosidades - Os primeiros quilômetros são feitos pela Estrada dos Romeiros, às margens do Rio Tietê. Em Pirapora do Bom Jesus, a primeira parada, peregrinos vão admirar a paisagem panorâmica a partir da Cruz do Século, uma construção do início do século 20.

Alguns quilômetros adiante, lá pelo terceiro dia de caminhada, já em Cabreúva, o Caminho do Sol levará até o curioso Armazém do Limoeiro, instalado no meio do nada. A casa existe desde 1900, ficou 15 anos fechada e foi reaberta há 1. "Um hipermercado não vende hoje o que a gente vendia há 30 anos", exagera a balconista Neli Nunes de Oliveira Silva, de 60 anos.

Atualmente, o armazém serve como ponto de apoio para o pessoal da trilha e, por causa da rusticidade, também é cenário de comerciais. Fica na Estrada da Concórdia, com acesso pelo km 45 da Rodovia Marechal Rondon.

Aproximadamente 8 quilômetros adiante, a fazenda Cana Verde, já em Itu, serve de hospedaria para os "caminhantes". Do século 19, o lugar respira passado. A casa principal é de 1881 e figura como patrimônio histórico de Itu. Além das construções, a fazenda tem também cachoeira, plantações de café, criação de búfalos e carneiros, além de um campo para a prática de pólo que data de 1959.

Quem quiser conferir os 238 alqueires da fazenda e aproveitar para relaxar, há seis apartamentos simples. A diária custa R$ 70,00 para duas pessoas com pensão completa. Para passar o dia, paga-se R$ 20,00, com direito a almoço. Reservas pelo (0--11) 4023-1260.

Como em Compostela, o Caminho do Sol é sinalizado por setas amarelas, instaladas em árvores, barrancos e no chão. Elas levam a outras fazendas centenárias.

No fim da jornada, chega-se à Águas de São Pedro, de apenas 2 mil habitantes. Lá está uma capela construída para abrigar a imagem de São Tiago, doada por peregrinos de Compostela. (A.C.S.).

Enviado por Palma
 
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