Rotas Brasileiras

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Caminho da Luz
Albino Neves

Depois de percorrer os principais Caminhos de peregrinação do mundo (Santiago de Compostela - Espanha, Fátima - Portugal, Os Passos de Jesus - Israel/Palestina, Roma/Vaticano, Caminho de Petra - Jordânia, Os Passos de Anchieta/ES), o jornalista e escritor Albino Neves, autor do livro O Andarilho - A Viagem Rumo ao Infinito (Editora Mandala - Villa Rica Editoras), criou, em 2001, o Caminho da Luz, uma rota que, no século XVIII, era percorrida por tropeiros, religiosos e aventureiros na travessia do Rio de Janeiro para o Espírito Santo através das montanhas de Minas Gerais. O Caminho tem início na cidade de Tombos (Portal de Minas), a 383 quilômetros da capital, e termina no Pico da Bandeira. São aproximadamente duzentos quilômetros, percorridos em sete dias de caminhada, passando por fazendas centenárias, matas, cachoeiras, santuários e antigas estações ferroviárias.

As duas primeiras edições do Caminho da Luz aconteceram no mês julho, atraindo caminhantes de vários estados do país. Em 2002, a caminhada coletiva também realizou-se no período de 15 a 21 de dezembro, reunindo dezenas de caminhantes.

No dia 15, após receberem suas credenciais, que foram carimbadas nos locais de pernoite (a exemplo do que acontece no Caminho de Santiago de Compostela), os caminhantes partiram da base da Cachoeira de Tombos, a quinta maior em queda d'água do Brasil, situada na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro, e, após receberem as bênçãos em uma missa celebrada pelo padre José Paulo, na Igreja de Tombos, seguiram, passando pela Fazenda Oliveira - importante marco da época do Império - e por uma das mais expressivas reservas da Mata Atlântica da região, até chegarem à comunidade de Catuné, onde visitaram a Gruta Santa, misteriosa caverna de cerca de 750 m² que abriga o santuário de Nossa Senhora de Lourdes, sendo incontáveis os relatos de milagres ali recebidos.

Após o pernoite em Catuné, a caminhada prosseguiu pela magnífica paisagem do Lombo do Burro, chegando ao santuário da Água Santa, descoberto pelos primeiros desbravadores da região, cuja água é considerada milagrosa por muitos que já alcançaram a cura de diversas enfermidades. Neste forte clima de espiritualidade, os caminhantes rumaram para Pedra Dourada, local do segundo pernoite. A cidade é assim denominada devido à pedra que reflete o dourado do sol e onde, segundo a lenda, mora a Mãe do Ouro, "entidade fantástica que vive num palácio submerso, mas passeia, luminosa, pelos ares".

O terceiro dia compreendeu o trajeto que passa pela Cachoeira Surpresa, seguindo o rio São Mateus entre verdes colinas adornadas pelo gado nelore, até chegar a Faria Lemos, um recanto de paz e tranqüilidade, onde quase todos os habitantes são conhecidos por apelidos.

No dia 18, os caminhantes passaram pela fazenda do legendário Coronel Novaes (que teve sua vida recheada de feitos fabulosos e aterrorizava a região com seus jagunços), imponente casarão do séc. XIX que foi restaurado, mantendo a senzala e todas as suas características originais, pelo Córrego do Inhame, pela Fazenda das Palmeiras, com seu famoso alambique e sua criação de animais silvestres, e pela Serra dos Cristais, onde as pedras abundam no leito do caminho, chegando a Carangola, a "Princesinha da Zona da Mata". A hospitaleira cidade tem Santa Luzia como padroeira em virtude de uma graça alcançada em 1856 pelo Cel. Antônio Carlos de Souza, o qual, por ter tido seu olho atingido e lesionado por um estilhaço da pedra de moinho que estava cortando, prometeu que, se alcançasse a cura, proporia que Santa Luzia, de quem era devoto, fosse a padroeira de Carangola. A graça foi alcançada e esta pedra de moinho encontra-se exposta no Museu Histórico e Geográfico da cidade, que possui um expressivo acervo, especialmente no que se refere a utensílios, restos de cerâmica e tecidos moles de povos indígenas, encontrados em sítios arqueológicos do município.

Na manhã seguinte, percorreram um trecho da extinta Estrada de Ferro Leopoldina, um dos mais belos do Caminho da Luz, atravessando paisagens dignas dos contos de fadas. Passando pela Parada General (onde as locomotivas abasteciam as caldeiras), pela casa do eremita José Maurino e pela Estação de Ernestina, os caminhantes seguiram por imensos cortes feitos nas paredes rochosas, ricamente adornadas por bromélias, samambaias, avencas e delicadas fontes. O trecho, de onde se tem uma ampla visão da região, proporcionou aos caminhantes constantes surpresas, ora singelas, ora grandiosas. Um lugar inesquecível.

Deixando esse cenário de sonho, passaram pela sossegada Caiana e por resquícios da Mata Atlântica, seguindo para a "Cidade das Flores", Espera Feliz. O município recebeu este nome porque, no passado, ali pousavam os tropeiros para saciar a sede, dar descanso aos animais e esperar a caça, que ali ia beber água. Naquele lugar, com certeza, encontravam alimento.

No sexto dia, após passarem por Pedra Menina - localidade que recebeu este nome em virtude da montanha ali existente, a qual, segundo a lenda, é uma jovem índia que preferiu a morte a ter que deixar um amor proibido, sendo, por isso, transformada em pedra - e por Caparaó, cidade que deu nome ao Parque Nacional, os caminhantes chegaram em Alto Caparaó, onde, na igreja da comunidade de São Paulo, foi celebrada uma missa em ação de graças pela peregrinação, durante a qual muitos deram relatos sobre o Caminho e, na Escola Municipal, receberam os certificados de conclusão do Caminho da Luz.

Em Alto Caparaó está situado o Parque Nacional do Caparaó, que, entre uma infinidade de belezas naturais, abriga, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, o Pico da Bandeira, a Montanha Sagrada do Brasil, terceiro mais alto do país e primeiro mais alto acessível, com 2.890 metros de altitude.

O pico, que recebeu esta denominação devido à determinação de D. Pedro II de que fosse colocada uma bandeira do Império no pico mais alto da Serra do Caparaó, o que aconteceu por volta de 1859, foi a meta final dos Caminhantes da Luz, que empreenderam a sua subida na manhã do dia 21, concluindo, assim, a peregrinação.

Segundo Albino Neves, presidente da ABRALUZ (Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz), "em virtude da semelhança da topografia do Caminho da Luz com a da Galícia, o mesmo também tem sido usado como rota de treinamento para o Caminho de Santiago de Compostela. A exemplo do Caminho espanhol, futuramente, nos municípios ao longo do Caminho da Luz, serão construídos albergues para abrigar os caminhantes (um deles deverá ser inaugurado em breve, na comunidade de Catuné), que, para isso, deverão credenciar-se na cidade de Tombos. Devido à segurança e hospitalidade da região, a rota poderá ser percorrida em qualquer época do ano, pois todo o trajeto, de Tombos à portaria do Parque Nacional do Caparaó, foi sinalizado pelas Óticas Precisão, facilitando a orientação do caminhante".

TRAJETO:

1º dia: Tombos a Catuné - 28,5 quilômetros
2º dia: Catuné a Pedra Dourada - 28,2
3º dia: Pedra Dourada a Faria Lemos - 26,9
4º dia: Faria Lemos a Carangola - 28,9
5º dia: Carangola a Espera Feliz - 31,8
6º dia: Espera Feliz a Alto Caparaó - 32,6
7º dia: Alto Caparaó ao Pico da Bandeira - 23,2
O CAMINHO DE TODOS: Já percorreram o Caminho da Luz centenas de caminhantes de vários estados brasileiros, entre eles, Vinícius Cosenza Neves (Muriáe/MG), o mais novo, com 10 anos, e Dr. João Luiz Leite Praças (Belo Horizonte), o mais velho, com 69 anos.

CREDENCIAL E CERTIFICADO: No ato da inscrição, o caminhante recebe uma credencial que o identificará e será carimbada nos lugares por onde passar, a exemplo do que acontece no Caminho de Santiago de Compostela, sendo conferido ao mesmo, no final do Caminho, um certificado do Caminho da Luz.

MAIORES INFORMAÇÕES: No site e/ou através do e-mail caminhodaluzmg@hotmail.com

O Andarilho - Viagem Rumo ao Infinito

O jornalista e escritor Albino Neves lançou recentemente, pela Editora Mandala, o livro O Andarilho - A Viagem Rumo ao Infinito, um romance que desperta em nós a consciência de que, por maiores que sejam os sofrimentos e as dificuldades, a felicidade e o sucesso estarão sempre atrás da próxima curva do caminho, cabendo-nos escolher entre afundar no lodo da tristeza e do fracasso ou dar o primeiro passo ao encontro da plenitude da vida, pois o sonho tem que se tornar realidade pelas mãos do próprio criador. Diferentemente de muitos livros de auto-ajuda, O Andarilho - A Viagem Rumo ao Infinito não prescreve "receitas de felicidade", mas se baseia na observação constante e atenta do cotidiano como caminho para o autoconhecimento e a realização pessoal.

O Andarilho - A Viagem Rumo ao Infinito, de Albino Neves, pode ser encomendado através do site www.livrariacultura.com.br .

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Autor: Albino Neves
Livro: Andarilho
Editora: Mandala
ISBN 85-319-0420-X

Caminhe, navegue, voe, liberte-se, antes que o tempo se vá e, com ele, leve seus sonhos, sua felicidade e, por fim, sua própria vida.

Enviado por Albino Neves
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