Relatos Peregrinos

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Tania Almeida
Como a maioria dos brasileiros, tomei conhecimento do Caminho através do Diário de um Mago, logo no seu lançamento, em 1988. Na época, não senti nenhuma vontade de fazê-lo, até porquê, do Caminho propriamente dito, pouco é falado. Tornei a ouvir falar no ano passado, e novamente não me atraiu.

No início deste ano, uma amiga resolveu ir e me convidou. De início eu não pensei em ir, mas como é a terceira vez que conta, fui fisgada. Foi tudo muito de repente, a decisão de ir foi na terça-feira de Carnaval, dia 07/03. Minha amiga estava com a passagem comprada para o dia 20/05.

Tive pouco tempo de preparação. Mas foi melhor assim, porque não tive tempo de descobrir o que realmente seria caminhar mais de 750 Km. Se tivesse parado para pensar não teria ido, ficaria com medo e não me acharia capaz de conseguir.

O começo foi tranqüilo, mas muito cansativo já que não tinha nenhum preparo físico. Até que começaram as bolhas. Senti muitas dores e fiquei com problema nos joelhos, que doíam muito. Acabei comprando joelheiras, anti-inflamatório e tudo mais que poderia resolver o problema.

Minha amiga estava inteira e andando bem mais rápido e fiquei para trás. Não foi fácil para mim, e pensei seriamente em desistir. Mas contei com a ajuda de verdadeiros anjos do Caminho e continuei.

Para o meu Caminho, a melhor coisa do mundo foi ficar sozinha. Ter que tomar todas as decisões (desde ir pela carreteira ou pela trilha até onde terminar o dia); não conseguir acompanhar o ritmo da minha amiga (me senti a última das criaturas); ver o objetivo do dia e não chegar nunca (haja paciência) foram elementos essenciais para o meu crescimento pessoal. Agora estou mais segura e confio em mim mesma.

Penso que Deus decidiu que era a minha hora de fazer o Caminho. Ele sabia que eu não iria sozinha, então me chamou através da minha amiga e deu um jeito de nos separar na hora certa.

Sofri até aprender o meu ritmo, seguir o meu Caminho. Comecei a sair mais tarde, andar mais devagar, parar mais para descansar. Fiquei até com um bronzeado meio diferente: como andava de calça e ficava com os pés no sol, sem meia, os pés ficaram pretos e as pernas brancas, um charme. Continuei com bolhas e dores, mas deixou de ter importância, o Caminho passou a ser o meu foco.

Fiz o Caminho de SJPP a Santiago em 33 dias. Tenho orgulho do que fiz. Chorei, ri, cantei, fiquei pasmada várias vezes, e valeu cada momento.

Agradeço muito à Deus pela oportunidade de aprendizagem, à minha família pela compreensão e apoio, à Graça por ter me convidado e ter seguido seu Caminho, aos anjos do Caminho pela ajuda e aos amigos por estarem comigo.

Não voltei uma iluminada, sabedora de todas as respostas. Mas, com certeza, sou agora um ser humano melhor.
 
Veja o Álbum Peregrino da Tânia Almeida.
 
Enviado por Tania Almeida
 
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