Relatos Peregrinos

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Sandra Azevedo

O Cebreiro 2


O por do sol mais lindo que já assisti!

Agora, a Galícia nos abre suas portas e o faz no interior de uma Igreja pré-românica, onde se guarda com respeito um lindo cálice de prata, do século XII, sobre o qual se conta uma história que aconteceu mais ou menos lá para o ano 1300.
PARÓQUIA SANTA MARIA LA REAL

Dizem que durante uma grande tempestade, numa tarde de inverno, um monje sem fé, ficou alegre por não ter que celebrar a missa devido os vizinhos dos arredores não terem comparecido, como era de costume. Mas, no último momento, quando se preparava para deixar o recinto sagrado, entrou um camponês da aldeia de Barxaamaior que, congelado de tanto frio, pedia com devoção ao serviço sagrado.
Menosprezando o sacrifício daquele homem, o monje se dispôs a celebrar a missa contra sua vontade, duvidando da devoção dos camponeses e da fé dos que acreditavam na transformação simbólica do pão e do vinho na Eucaristia. E foi precisamente naquela Missa, no momento da Consagração, quando aconteceu o milagre, já que, ante os olhos atônitos do frade, o pão se converteu em carne e o vinho do cálice em sangue que manchou as toalhas do altar.
Desde então se guarda este Graal na antiga Igreja de O Cebreiro, junto com o pão que se fez carne e o vinho que se transformou em sangue, que são venerados em um relicário, expostos em caixa forte, oferecido pelos Reis Católicos.

O CEBREIRO é realmente um lugar mágico. A sensação de pureza e simplicidade estavam ali para me lembrar que mágicos também somos nós: os que sonham.
O Caminho de Santiago...meu sonho. Agora podia tocá-lo. Tocar meu próprio sonho...isto faz de mim uma pessoa privilegiada. Era assim que me sentia: tocando meu sonho aos pedaços.

Antes da hora da Missa, caminhei pelas suas ruas, observando a simplicidade das casas de pedras com telhados de palha, uma autêntica aldeia celta.
À tardinha com a chegada da maioria dos peregrinos, é uma festa. Cheia de lojinhas que vendem lembranças, barzinhos espalhados pela calçada e o tempo todo escutávamos música celta.

Depois de assistirmos à Missa, fomos procurar um lugar para nos alimentar. Fomos a um restaurante onde nos foi servido um delicioso caldo galego, preparado com repolho e batatas. Como sobremesa, queijo e mel.
Daí fomos para um gramado atrás do albergue, num lugar magnífico de onde podíamos apreciar a linda paisagem.

Como o sol na Europa se põe muito tarde, tivemos de esperar para poder assistir.
Descemos para um terraço ao lado do albergue para ver melhor e qual não foi a nossa surpresa ao constatar que assistiríamos este magnífico espetáculo usufruindo da música tocada pela flauta de um jovem alemão. Poderia haver maior benção do que esta?

Olha gente, foi realmente uma experiência única. Uma imagem que nunca sairá da minha mente. O sol se pondo, exatamente às 22:00 h, por sobre o vale. Senti como se estivesse no céu...
Não poderia deixar de passar para vocês a sequencia das fotos que tirei, acompanhando toda esta maravilha.

E aí voltei para o albergue onde dormir o sono dos anjos...

Enviado por Sandra Azevedo
 
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