Relatos Peregrinos

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
Nuno C. Freitas

BTT da ARCAP em peregrinação a Santiago de Compostela

O grupo de BTT da ARCAP realizou nos passados dias 3 e 4 de Maio a primeira peregrinação a Santiago de Compostela em bicicleta, trilhando o Caminho Português, desde Ponte, até àquela ancestral cidade espanhola.
Duas etapas, dois dias, cerca de 220 quilómetros, carregando a ansiedade e a emoção de entrar na Praça do Obradoiro de bicicleta, constituiu um desafio aliciante para a grande maioria dos participantes. Um sentimento diferente, em cada um, convergido na espiritualidade, beleza e variedade dos trilhos, e na simpatia de quem apoia e cumprimenta os peregrinos ao longo do percurso.

Considerada uma das mais antigas rotas de peregrinação do mundo, o Caminho de Santiago de Compostela (Caminho do Português) é conhecido pelas suas histórias, lendas e místicos rituais, percorrido ao longo dos tempos por peregrinos de todo o mundo.

A vontade principal do grupo, além do prazer da aventura, foi “adquirir” um pedaço de história. Registar aspectos históricos, religiosos e sociais que envolvem o Caminho.

É, por vezes, mergulhados no silêncio, olhando para longe, e, para dentro de si mesmos que se compreende a verdadeira mística. Vivências mágicas, que fazem parte da vida, mas sobre as quais, no “mundo normal”, não se chega a dar mínima atenção.

Surgem questões… respostas... palavras... sentimentos... emoções... descobertas...redescobertas...

Depois de um período de preparação, o Caminho começou a ‘falar’.

Um total de oito os elementos da secção que viveram o sentido do Caminho: Serafim, Manuel, José Adélio, Alberto, Agostinho, Fausto, Ricardo e o Nuno. No apoio, de ‘Transit’ esteve José Teixeira.

Foram necessários mais de 200 quilómetros para obter a Certificação Oficial da Compostela, daquele que é o mais extraordinário trajecto monumental / primitivo de todo Ocidente e que arrasta povos de todos os cantos do mundo seja a pé, a cavalo ou bicicleta.

A saída aconteceu em Ponte, Largo da Igreja onde foi dada a ‘Benção’. O trajecto alinhou por cidades como Braga, Ponte de Lima e Valença (almoço), com os “selos” portugueses bem expressos em cada credencial.

Já em terra de nuestros hermanos, Tui, foi a primeira cidade espanhola. Depois até Redondela, cidade que acolheu os peregrinos de Ponte para pernoita, foi um ápice. As camaratas transpiravam silêncio, e aí o corpo teve lugar a descansar. A cabeça reflectia para a próxima etapa.



Para o segundo dia sobrava o desgaste sofrido do primeiro, acumulado com a dificuldade do terreno e a apreensão da chegada ao destino.

A noite mal dormida acordava com o ensaio do canto do galo. O pequeno-almoço reforçado antecedeu o tiro de partida rumo a Pontevedra, cidade fantasma com o dia a romper. Depois localidades como Barro, Caldas del Rei e Padron. O recarregar de baterias era necessário numa manhã temporalmente agradável à pedalada por aldeias e trilhos onde o desgaste da história se constata a cada quilómetro.

É neste crescimento da distância, que o álbum de imagens da memória fotográfica de cada um, ganhou razão de crescimento da ansiedade na chegada ao destino.

Pode haver imagens mais bonitas que caminho com água, pedras rugosas, trilhos quase intransitáveis (em Portugal, porque em Espanha estimam o caminho) pelas as serras e vales, mas é aqui que se adquire o sentido de liberdade que corre no sangue daqueles que desgastam o Caminho.

O constante contacto com a natureza torna cada ser, mais sensível às coisas simples da vida, tornando-os capazes de encontrar a beleza até na mais insignificante pedra que estorva no caminho.

É esfusiante chegar à praça do Obradoiro (frente à Catedral do Apostolo S. Tiago). A sensação é indescritível! O ego de auto-estima sobreleva-se, mesmo sabendo que para trás tinham ficado apenas um punhado ‘insignificante’ de emoções sobre o volume que o Caminho pode proporcionar!
 

Enviado por Nuno C. Freitas
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright © Todos os direitos reservados
 


;