Relatos Peregrinos

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Inácio Teixeira

CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA - VIA DE LA PLATA

Tendo feito o caminho francês em 2001, senti-me encorajado a repetir a aventura em 2002, só que agora percorrendo a Ruta de La Plata, com inicio em Merida.

Logo que cheguei em Mérida, percebi que havia diferenças importantes em relação ao caminho francês. Em Mérida, não há um albergue de peregrinos e as informações sobre o caminho são quase inexistentes. Não se vê o movimento de peregrinos na cidade.

No dia 21.04.2002 iniciei a minha aventura e tinha com plano caminhar 38 quilômetros e pernoitar em Alcuescar. Essa primeira etapa não foi tão difícil, apesar do calor (35 graus) e das grandes distancias entre um povoado e outro. Entre Aljucen e Alcuescar não existe absolutamente nada e a distancia entre as duas aldeias é de 20 quilômetros. Pela minha inexperiência, acabei por ficar sem água, muito antes de chegar ao final da etapa.

Em Alcuescar pernoitei na Pousada Casa Grande, onde fui muito bem atendido. Vale a pena conhecer essa pousada, tanto pelo conforto, bem como pela hospitalidade.

No segundo dia, estabeleci como meta, chegar a Caceres, ou seja, caminhar novamente cerca de 40 quilômetros. Nesse trajeto, já encontrei dificuldades enormes: a sinalização do caminho é muito deficiente o que provoca inevitáveis erros de percurso. Já na saída de Alcuescar, o peregrino percebe a dificuldade em se saber em que direção seguir; entre Aldea Del Cano e Valdesalor (nas proximidades de um aeródromo) não tive como não me perder e por conseqüência, percorrer 6 quilômetros a mais do que o necessário. Somando-se erros de percurso, longas distancias a caminhar, calor excessivo, clima bastante árido, etc, cheguei a Cáceres em péssimas condições físicas, pois já tinha muitas bolhas nos pés e pelo menos 3 unhas comprometidas.

No terceiro dia, apesar do repouso em Caceres, eu não tinha condições físicas de continuar a caminhar e decidi eliminar a etapa entre Caceres e Canãveral, já que ela seria de cerca de 40 quilômetros.

RUINAS DO ACUEDUTO EM MERIDA

Fiquei em repouso um dia em Canãveral, tendo inclusive nesse povoado procurado um posto medico na tentativa de recuperar-me das bolhas e das unhas afetadas nas duas etapas iniciais.

No quarto dia, saí de Canãveral com destino a Galisteo, cuja distancia é de cerca de 28 quilômetros. Continuaram os problemas de sinalização do caminho e pior do que isso teve que caminhar no meio de pastagens e bois, sem que houvesse a visualização de uma direção a seguir. Esse foi um dos maiores problemas nessa etapa, já que ao contrario do caminho francês, o caminho não pode ser visto e o peregrino tem que seguir mais ou menos o seu próprio instinto. Outra vez estive perdido. Outro problema, é que as vezes o destino está próximo, mas por impedimento dos proprietários das terras, o peregrino tem que dar voltas enormes para chegar ao destino. Com todas as dificuldades desse trecho, minhas condições físicas só pioraram. Além do mais, e também ao contrario do caminho francês, não se encontra outros caminhantes, que possam motivar a sua aventura. Com todos esses problemas, o estado psicológico também acaba por ser afetado.

Quando cheguei em Galisteo, já não havia mais qualquer condição de continuar a jornada e acabei por abandona-la.

Apenas para mencionar e para que futuros peregrinos possam melhor planejar uma caminhada pela Via de La Plata, destaco que entre Carcaboso e Aldeanueva Del Camino, são 38,6 quilômetros, sem que haja nenhum tipo de apoio entre esses dois povoados (não tem bar, restaurante e nem albergues). Esse mesmo fato ocorre entre Fuenterroble de Salvatierra e San Pedro de Rozados (29 quilômetros).

Foi frustrante não poder chegar ao final do objetivo, mas considero que posso deixar algumas dicas para quem se aventurar pelo caminho de Santiago de compostela, pela Via de La Plata, como:

a) não tome o caminho francês como base para percorrer a Via de La Plata, pois não existe nada em comum entre os dois: o clima no sul da Espanha é completamente diferente, já que recebe influência do norte da África;

b) seguramente é melhor fazer esse caminho em duas ou mais pessoas. Caminhar de forma solitária pela Via de Lá Pata é algo bastante desestimulante;

c) o ideal é caminhar entre 20 e 25 quilômetros por dia. Para isso, seria necessário ter um carro de apoio, que possa conduzir os caminhantes (após percorrer 20 ou 25 quilômetros diários) a um povoado que ofereça condições de pernoitar. No dia seguinte esse veiculo reconduziria o caminhante no ponto onde a caminhada foi interrompida no dia anterior.

São Paulo, 08 de maio de 2002.

BASILICA HISPANO-VISIGÓTICA EM ALCUESCAR

 
Enviado por Inácio Teixeira
 
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