Relatos Peregrinos

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Guto

Chegada

Antes do sol brilhar, eu já despertara. Era o costume, o corpo habituado já aquele ritmo.

Na verdade, a noite foi quase toda envolta em comemorações com amigos que fiz durante a jornada. Ficamos num singelo coreto em Lavacolla. Tudo num clima bucólico, contido e eufórico, alegre e triste. Sabiamos ,que talvez nunca mais nos veríamos novamente e que ali, todos, por uma razão quase que divina, criamos um vínculo visceral uns com os outros. Na minha cabeça um grande ponto de interrogação se formara. Se formara ali, naquele momento de pânico, por ter de deixar aquela rotina maravilhosa de peregrino pra trás. E agora? Como vai ser? Acabou? O que vai ser?

Parto junto com um amigo. Caminhamos em silêncio. O Monte do Gozo me decepciona um pouco. Desço cantando uma canção. Os olhos merejam e não me importo, as lágrimas caem. Carros buzinam e as pessoas acenam pra mim. Tenho a impressão que todos me olham. Por um momento me sinto mais do que vitorioso.

Já estou próximo. Escuto uma gaita de fole e aquele som me arrepia. Entro na praça. Fico deslumbrado com a visão. Contemplo aquela catedral sem nem piscar. As lágrimas continuam caindo. Recebo uma flor de um amigo. Resolvo entrar. Faço os rituais. O choro se torna quase convulsivo. Não escuto mais nada.

Não vejo mais nada. Tudo se embaça. O Mundo parece parar. Minhas temporas latejam e só escuto meu coraçao. Estou desorientado, emocionado. Emocionado por tudo que experimentei e que experimentava. Pela fé, pela vitória, pela dor, pela emoção, pela lição, pela alegria,pela tristeza, pela saudade, pela amizade, pelo amor,pela paz,...enfim...por Deus.

Enviado por Guto
 
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