Relatos Peregrinos

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Gláucia Cristina

A Nova Vida

Minha história começa a 11 anos atrás, quando tinha 12 anos, por indicação de uma professora li o primeiro livro de Paulo Coelho "O Alquimista", gostando do que li, procurei outros livros e vim a conhecer o "Diário de um Mago", onde contavam experiências e informações do "Caminho de Santiago".

Uma certeza muito grande falava dentro de mim "Um dia farei este Caminho" e com esta força segui os outros anos, sempre interessada nas informações que surgiam, como se existissem para eu não esquecer...

Quase dez anos depois, após a reportagem da TV Globo em 1999, decidi que tinha chegado a minha vez, comentei com minha mãe, e ela disse que iria junto, pois sempre teve o desejo de fazer o Caminho também, comecei a planejar a viagem para 2001, programando os dias que poderia ficar fora, a preparação física, o dinheiro.No último dia de trabalho do ano, cometei com o meu Chefe que iria fazer o Caminho em 2000, uma jogada, para saber o que ele iria achar...e me deu o maior apoio, fiquei feliz e a partir daquele dia...a viagem fora antecipada. Comecei a ir atrás de informações, conheci a "Associação", comecei a fazer parte da "Lista/Internet", ir a "Reuniões", ler livros, tudo possibilitou-me de conhecer pessoas maravilhosas, ter as indicações e os conselhos para o Caminho...

Uma frase no livro do Maquí (o primeiro livro que li sobre Caminho), foi inesquecível..."O Caminho começa quando você decide em fazer o caminho...", minha vida começou a mudar...Comecei a enxergar a vida diferente, a reparar erros cometidos, e ter vontade de mudar tudo isso...Reparei que estava em um mundo só meu, um mundo que eu havia criado e não estava enxergando. Devido a alguns acontecimentos do passado, mudei muita a minha personalidade, que antes era alegre, risonha, mais ativa, gostava de curtir a vida...e de repente acordei e me vi, parada, sem vontade sair, sem vontade lutar como antes, isolada, como uma árvore que um dia deu frutos e depois veio a secar e se tornar inerte, sem dar frutos, sem dar sombras...Acordei e vi o que tinha feito comigo mesma, por ser fraca, e não ter lutado, contra essa força negativa que se apoderou de mim, acordei e via que a culpa toda era minha, e assim como eu tinha feito tudo isso, eu mesma teria que mudar!

Durante este tempo comecei a lutar comigo mesma, e encontrava no Caminho, uma grande oportunidade para pensar, e para ser um marco, na história da minha vida, um marco zero, para uma nova vida, para uma nova "Glaucia".

A viagem estava inicialmente marcada para o dia 19 de Setembro, devido a alguns acontecimentos familiares, no entanto, estes acontecimentos foram adiados e marquei para o inicio de Setembro, quando não encontrei mais passagens e a viagem antecipou mais uma vez...Sai de São Paulo, mais cedo do que esperava...dia 27 de Agosto.

Neste período fiz caminhadas, comecei a comprar o necessário, o primeiro foi uma bota Salomon com Gorotex, usei em caminhadas, mas faltando apenas um mês para a viagem, decidi não leva-la, pois era pesada demais para cumprir mais de 700km, comprei um tênis Reebok e sem testar muito, levei.
Dia 27 de Agosto as 16:00 eu e minha mãe embarcamos para Barcelona, um antigo sonho, estaria tão perto e não poderia perder essa oportunidade.

No avião, a emoção era enorme, ao decolar, não pude conter as lágrimas.
Conhecemos Barcelona inteira a pé, aproveitando para treinar um pouco, saiamos cedo e só voltávamos a tarde. Ficamos menos do que o imaginado...pois eu estava muito ansiosa e não conseguia parar de pensar no Caminho, estava programado em começar dia 1 de Setembro, mas no dia 29 de Agosto comprei as passagens para o dia seguinte com destino a Pamplona.

Saímos dia 30 para Pamplona, pegamos um táxi na estação para Saint Jean Pied Port, o dia estava nublado, estava perfeito!

Adoramos a cidadezinha. Quando estávamos indo para o albergue e em frente a igreja, uma senhora veio nos encontrar, falando que tinha um quarto para alugar para peregrinos, era amiga e vizinha de Madame Debril e morava quatro casas acima, acabamos por ficar, pois não achava digno ir ao albergue e ocupar o lugar que poderia servir para muitos peregrinos que estavam chegando.

Fomos comer um "bocadillo", e sentadas na lanchonete, aquela garoa fria... começamos a ver peregrinos chegando, molhados, com mochila nas costas, um casal de velhinhos, chamou-me a atenção, estavam visivelmente cansados, comecei a sentir uma emoção impossível de descrever, pois no próximo dia eu seria como eles, seria uma "peregrina iniciando seu caminho"...

Que Felicidade!
 

Enviado por Gláucia Cristina. Não deixem de ver seu Album Peregrino.
 
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