Relatos Peregrinos

Convide a um amigo a visitar este site
 
 
João Fabris Junior
Morrón 100km

Santiago de Compostela "O meu Caminho".

Atravessar os campos, peregrinar, Porque? Talvez seja esta a pergunta que mais escutamos e também a que mais fazemos a nós mesmos. Antes de fazer o Caminho, tinha várias "boas" desculpas, mas nenhum bom motivo. Convencido pelos vários depoimentos e pelos livros devorados com avidez, saí do Brasil consciente de que fazer o caminho era imperativo, meu corpo e minha mente precisavam e pediam por tal desafio.

Com o passar dos dias e dos quilômetros percorridos, a dúvida aumentava e freqüentemente voltava à pergunta: Porque fazer o caminho?... O que estou fazendo aqui?...Difícil responder, difícil entender. Deixar seu trabalho, família sua casa, suas coisas e partir para a Espanha percorrer quase 800 Km a pé, quando temos um país maravilhoso com muita natureza, lugares com paisagens únicas que atraem pessoas do mundo todo. No mínimo parece loucura, e meus amigos e parentes não me pouparam dos muitos "elogios".

A "Rota das Estrelas" como também é chamado o Caminho, pois segue a Via Láctea, exerce um fascino muito grande, mesmo antes de lá chegar o corpo de São Tiago Apostolo. Com a descoberta do sepulcro no ano 813 iniciou-se a peregrinação que já duram doze séculos.

Subida dos Pirineus com S.Jean ao fundo


Quando me aproximava de Nájera, depois de 220 Km de caminhada, descobri em um muro a resposta que tanto procurei, lá havia um poema que dizia em sua primeira frase: "Peregrino que força oculta te atrai? Peregrino quem te chama? Na sétima estrofe na ultima frase a resposta: !Solo El de arriba lo sabe!" Só Deus sabe! "Isto aquietou meu coração, passei a me preocupar com outras coisas, ou melhor a não me preocupar com mais nada".

S. Jean Pied de Port

Do caminho trouxe o conhecimento de meus limites e também a certeza de que posso viver com muito pouco, e portanto o que tenho é muito. Descobri também o valor das amizades, da família, descobri que o caminho não termina em Santiago de Compostela, ele continua aqui, onde precisamos entender que tudo continua igual a quando partimos. Aquele abraço Peregrino, quase como de uma criança é visto aqui muitas vezes como uma invasão, que ajudar sem pedir nada em troca é utopia. Neste mundo que precisamos modificar quase tudo é feito esperando algo de volta. Precisamos com nosso exemplo buscar esta sociedade onde o idioma não é empecilho, onde homens e mulheres podem viver harmoniosamente independentes de credo ou raça.

Do caminho trouxe também uma enorme vontade de agradecer. Fui ajudado por tantos peregrinos, hospitaleiros e pessoas comuns. Como agradece-los, alguns nem ao menos seus nomes eu sei. Desta necessidade nasceu o livro "Santiago de Compostela o meu Caminho" com ele espero resgatar um pouco desta imensa divida.

Ultreya!

João Fabris Junior descreve toda a sua experiência no Caminho de Santiago em seu livro:

 

Enviado por João Fabris Junior
 
Parte integrante do site Caminho de Santiago de Compostela - O Portal Peregrino
Copyright © Todos os direitos reservados
 


;