Relatos Peregrinos

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Dani
A VOLTA

Ir pro Caminho de Santiago. Deixar família, amigos, trabalho, sair do Brasil. Uma dificuldade de grana, de tempo, de decidir. A compra do material, decisões, a expectativa. Reuniões de peregrinos, artigos de jornal, livros, tudo é devorado, ou evitado veementemente. A preparação pro Caminho é já um caminhar.

O que vai ser a peregrinação ninguém pode dizer, mas uma coisa é certa: a volta vai ser algo a ser trabalhado. Boa ou má, estar no Caminho de Santiago é uma experiência que vai alterar sua maneira de ver as coisas. Voltar pra casa, pra rotina, pra vida real, é um grande desafio. Você sente que foi ao paraíso, conheceu uma realidade paralela, entrou em contato com certos sentimentos e emoções - e aqui, nada mudou. Seu chefe segue te atormentando com prazos, quando o tempo é tão relativo. Seu parceiro só quer ter certeza que não levou um chifre. Todos que te chamaram de louco agora só perguntam "o que mudou?".

Será que ninguém entende, é tão difícil assim de ver? No Caminho, essas coisas não precisavam ser ditas, bastava um suspiro, um olhar, éramos todos cúmplices, os "loucos de Deus". A simplicidade do dia-a-dia se foi, a alegria de chegar ao fim da jornada e ter onde dormir, despertar e saber o Caminho a seguir, tudo isso ficou pra trás. E agora? Onde estão as flechas amarelas? A gente se sente de repente sem direção, sem amigos, abandonado. Nesse momento, não há muito consolo a se oferecer. É difícil, como qualquer caminho novo. A boa notícia, peregrino, é que você não está sozinho.
Enviado por Dani
 
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