Relatos Peregrinos

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Celina Fioravante
O CAMINHO PORTUGUÊS

Eu conheci o Caminho Português quase por acaso, por isso costumo dizer que não sou uma peregrina de vocação, apesar de ser uma peregrina de verdade. Vou explicar porque.

Em 1999 fui conhecer Portugal, onde pensava em publicar meus livros. Resolvi incluir no meu plano de viagem uma visita a Santiago de Compostela. Quando vi, já tinha mais quatro companheiras de viagem, o que foi muito agradável. É claro que fomos de carro, passando por lugares importantes do caminho, mas levamos apenas um dia do Porto até lá. Foi uma viagem que estendemos até Finisterra e na qual trabalhamos muito nossa espiritualidade.

Foi quando estávamos em Viana do Castelo, numa estrada secundária de Portugal, que vi uma placa azul e amarela, com o tradicional desenho da vieira dos peregrinos. Essa placa indicava que estávamos no Caminho Português, só então eu descobri que havia esse trajeto.

Na volta de Santiago, ainda em Portugal, procurei livros e fiz pesquisas sobre o Caminho Português. Não encontrei muita coisa, mas o que consegui foi suficiente para me ajudar a planejar minha peregrinação verdadeira, que fiz no ano seguinte.

Abrigo de peregrinos em Redondela
Igreja de Santa Maria no Convento dos Jerônimos

Em 2000, meu filho Raphael e eu fizemos o Caminho Português, de mochila nas costas, como peregrinos de verdade. Essa foi uma experiência motivada pela fé, pela devoção e pela necessidade íntima de fazer conexão com a energia especial que emana do Caminho Português.

Dessa experiência resultou um livro sobre este caminho, que eu chamo de Via Lunar. Em Portugal meu livro foi publicado em 2001 pela Editora Pergaminho,
com o título de SANTIAGO PELA VIA LUNAR - PEREGRINAÇÃO PELO CAMINHO PORTUGUÊS. No Brasil meu livro saiu este ano, 2002, pela Editora Criar, com o título CAMINHO DE SANTIAGO PELA VIA LUNAR - PEREGRINAÇÃO A PARTIR DE PORTUGAL.

O Caminho Português é um caminho secular como outras rotas para Santiago. Se pensarmos na direção que este caminho segue, isto é, ele percorre uma rota de sai do sul em direção ao norte, teremos a mesma direção seguida pelo Apóstolo Tiago na vida e na morte. São Tiago ou Santiago andou pela Galícia levando a palavra de Cristo, caminhando do sul para o norte. Mais tarde, ele foi morto em Jerusalém e seus discípulos o levaram para a Galícia, para lá ser sepultado. E foi na morte que seu corpo percorreu novamente a rota sul/norte.

Só quem trilha pelo Caminho Português passa por Padrón, a cidade na qual os discípulos Atanásio e Teodoro chegaram com o corpo de Santiago. Eles vinham de barco e amarraram a embarcação numa pedra que hoje pode ser visitada na Igreja de Padrón. Ela está sob o altar da igreja e é emocionante essa visita quando o peregrino a faz.

Muitas pessoas me perguntam se uma peregrinação mais curta tem o mesmo valor que a peregrinação longa. Se o peregrino tem o espírito de fé e segue o caminho com um envolvimento total, praticando alguns exercícios devocionais, como eu fiz, fará sua caminhada com muito valor. Afinal, se um peregrino merece receber a Compostela, que é o diploma do peregrino, depois de caminhar 100 quilômetros, é porque a própria igreja considera que uma peregrinação mais curta é válida.

Uma parada no Caminho Poortuguês

Mas há algo mais a considerar. Dois dos principais caminhos (há outros) para se chegar a Deus são o Caminho da Dor e o Caminho do Êxtase.

O Caminho da Dor é trilhado por quem precisa de fazer purificações e passar por testes, para encontrar Deus e estabelecer com Ele sua aliança. O peregrino que sofre numa peregrinação encontra Deus no Caminho da Dor e nada como um caminho longo para provar um peregrino.

O Caminho do Êxtase é o caminho de quem encontra Deus na alegria e na comunhão com sua Criação. Para quem está nesse caminho, a peregrinação é mais fácil, o que acontece num caminho mais curto com mais freqüência.

Isso não quer dizer que não se possa passar por testes e provações no Caminho Português e que todos os que fazem o Caminho Francês vão encontrar Deus através da dor. Cada peregrino há de saber, e só fará isso quando caminhar efetivamente, qual é a forma através da qual lhe foi permitido o encontro.

O que faz o caminho de cada um são as bolhas nos pés, os medos, as separações e encontros, o arco-íris depois da chuva, as uvas maduras, a cama macia e o banho quente dum bom abrigo, as subidas, a sombra de uma floresta de carvalho, o encontro com o lobo, uma festa dominical numa aldeia galega, uma caneca de água da fonte. Se isso vai duro ou fácil, se vai ser dor ou êxtase, depende o peregrino e do que o caminho quer dar a ele. E isso a gente encontra num caminho longo e num caminho curto, não é?

Quem quiser fazer o Caminho Português vai encontrar belas paisagens, história e tradição. Afinal esta rota tem registros desde 1138, quando o geógrafo árabe Idrisi relatou e mapeou o Caminho Português de Coimbra para Santiago, por mar e terra. Outros viajantes, como Nicolau Popplau, que peregrinou a partir do Porto em 1484, fazendo o trajeto a cavalo ou Giovani Confalonieri, que foi em 1594 e Nicola Albani, que viajou em 1745.

Você vai encontrar no Caminho Português castelos templários, estradas romanas, muitas capelas e igrejas dedicadas a Santiago. Mas o melhor são os bons albergues da Galícia, com o apoio simpático dos voluntários que nos atendem.

Em 2004 pretendo repetir minha caminhada, pois será um Ano Santo, no qual a peregrinação é duplamente importante. Quem sabe nós nos encontremos lá! Se for fazer o Caminho Português me avise, pois gosto de saber dos peregrinos que vão para lá.

Meu email é cf@celina.fioravanti.nom.br .

Castelo templário em Tomar

Livro de Celina Fioravante: Caminho de Santiago pela Via Lunar - Peregrinação a partir de Portugal.

EDITORA: Criar Edições Ltda.
Rua Nunes Machado, 860 conj. 3
Curitiba PR 80250-000

A rota portuguesa para Santiago é tão rica quanto o caminho francês. Atraída por ela, Celina Fioravanti, neta e bisneta de portugueses, caminhou como peregrina. O resultado não é um diário ou um roteiro turístico. Preferiu mostrar como o caminho pode ser uma via que conduz a mudanças profundas, levando quem o trilha a uma nova fase da vida.

O livro se divide em 6 partes. A primeira trata das preparações. A segunda sugere práticas que fortalecem, as vivências. A terceira é dedicada à porção da peregrinação que se realiza em Portugal. A caminhada na Espanha ocupa a quarta parte, chamada de as experiências. A quinta contém a chegada e a permanência em Santiago de Compostela. A sexta é dedicada aos roteiros da viagem.

O Caminho Português é um caminho que imprime força à alma, pois é o caminho das conquistas, característica lusitana herdada dos Celtas. O Caminho Francês é a Via Solar, de polaridade masculina, mais seco e duro que o Caminho Português, que é Via Lunar, de polaridade feminina, com características úmidas e acolhedoras.

Um é o caminho da luta, do uso da força física, de quem até o momento só fez conquistas materiais. O outro é o caminho de quem faz conquistas pelo amor, é a rota da força da intuição e da capacidade emocional.

 

Enviado por Celina Fioravante.
Visitem sua Homepage em http://www.celina.fioravanti.nom.br
 
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