Relatos Peregrinos

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Alexandre Dornelles

Dia 29/9: Puente Villarente / Villar de Mazarife - 32 km

O dia amanheceu bom e fomos, Piloto, Francês e eu, logo para o caminho, tínhamos 10 km até Leon. Chegamos sem problemas, apesar do movimento ser grande e entrarmos na cidade andando pela beira da estrada. Fomos direto para o albergue administrado pelas freiras, perto da catedral. Eram 11h e tivemos que esperar um pouco para o albergue abrir. Deixamos as mochilas e saímos para o turismo.

Leon é uma cidade movimentada. A praça da catedral estava cheia, encontramos uns brasileiros para variar. Entramos para conhecer a catedral e tirar a grande duvida: ela é ou não mais bonita do que a de Burgos? A catedral tem mosaicos originais, lindíssimos, e seu estilo é gótico. Para mim permaneceu a dúvida. Aliás, não sei porque tenho que tomar essa decisão: ambas são belíssimas, empate técnico e ponto final.

Demos uma volta pela cidade e achamos uma grande feira livre. Aproveitamos para comprar amêndoas, castanhas de caju e frutas. A cidade é convidativa, mas tínhamos que seguir adiante. Paramos para almoçar o que todo nutricionista recomendaria: bombas de chocolate (muitas), torta de maçã, chocolate e refrigerante...Voltamos ao albergue para pegar as mochilas e fomos embora.

A saída de Leon é feia e mal sinalizada. E engraçado como a gente se sente esquisito andando em meio ao agito de estradas ou de avenidas movimentadas. O bom é andar no meio do nada, ouvindo apenas o barulho dos seus próprios passos.

Na saída da grande Leon o caminho melhorou. Começamos a andar por terrenos mais verdes e acabamos andando de volta aos campos, sinal de caminhada agradável. Ainda tínhamos 12 km até o albergue. Final de jornada com visual bonito. Nos últimos 4 km andamos por uma estrada de asfalto sem movimento algum, que serpenteava por um terreno quase plano. Chegamos na cidade em torno de 19 h, com um lindo sol de final de dia.

Procedimentos normais de albergagem facilitados pela boa estrutura do refúgio (uma hora digo refúgio, outra hora digo albergue, mas é tudo a mesma coisa, creio). Ficamos os 3 num quarto com colchonetes no chão. Na cidade tem um restaurante muito recomendado - o Maison Rosy. Antes, porém, passeamos pela cidade que, apesar de pequena, tem uns 3 mercados; num deles paramos e compramos mantimentos.

O Maison Rosy era do outro lado da cidade e o tempo estava esfriando e escurecendo mas nem pensar voltar tudo aquilo só para pegar casaco. O jantar foi demais. Rosy serviu caldo verde com massa de entrada e estofado de ternera e de cerdo. Quando pedi mais morcilha ela tirou do prato de uns clientes espanhóis! E quando eles quiseram mais pão ela pegou do nosso! Tudo muito natural...Comemos adoidados e a comida estava espetacular - as pernas cansadas mas o espírito em alta!

Voltamos debaixo de céu estrelado e com frio. Eu estava com 60% das minhas roupas no varal, se chovesse eu estaria ferrado. De madrugada choveu, mas eu não tive coragem de ir ver o estrago. Bem cedo, ventava muito, o barulho do vento na janela me serviu como despertador. O vento levaria as nuvens de chuva para longe.

Enviado por Alexandre Dornelles
 
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