Relatos Peregrinos

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Alex - Relato Especial

Pelos Caminhos de Fátima
O caminho é Deus que escolhe

A partida

Gostaria de em primeiro lugar agradecer aos meus companheiros de viagem pela bela experiência que me proporcionaram nesta caminhada. Um grande abraço aos escuteiros peregrinos (Varela, Manuel e Daniel) as mulheres do grupo (a Esperança e a Suzana), ao Victor e ao Carlos Maya um amigo especial vindo do Brasil e a caminho de Santiago através de Portugal.

Posso começar por afirmar "este não era o caminho que eu queria mas o que Deus (e nossa Senhora de Fátima) escreveu" para mim e para todos do grupo.

Esta é a história da minha primeira peregrinação a Fátima, contada de uma forma simples, como se de um diário trata-se.

COMO TUDO COMEÇOU.

Tudo começou com um pedido de informação sobre onde dormir na peregrinação através do e-group do caminho portugues de santiago (www.caminho-portugues.quaq.pt). Conheço o Manuel Varela dos escuteiros peregrinos que informa-me que costuma ficar nos bombeiros e que este ano leva um grupo de 7 pessoas, uma das quais vai para Santiago... costuma fazer o caminho em 4 dias(?)... perguntei como era possivél e se por acaso haveria lugar para mais um ... positivo! Vou ter companhia!

Ao contrário do que esperava não seguiu pela pelo "Caminho do Tejo", mas sim pela rota tradicional de Lisboa a Fátima através de diversas estradas nacionais, municipais e alguns atalhos (alguns incluidos no Caminho do Tejo), com todos os perigos que isso acarreta e os sustos que provoca (valha-nos Nossa Senhora!!!).

A primeira constatação (e triste) foi de que se no inicio do caminho pretendia fazer o máximo de trechos do "Caminho do Tejo". Após a passagem em Azambuja achei que a melhor rota era mesmo a que estavamos a seguir! no "Caminho do Tejo" (segundo informações que tirei junto das diversas corporações dos Bombeiros e da Cruz Vermelha) não existe qualquer tipo de apoio destas entidades tanto a nível de socorro como para dormir... ou seja o peregrino segue por sua conta e risco e para dormir paga (caro).

Só para terem ideia na rota que seguimos Lisboa - Azambuja - Santarém - Alcanena - Fátima, além de existirem lugares grátuitos para dormir e apoio médico existiam apoio extra em Vila Nova da Rainha, Cartaxo, Torre do Bispo, Pernes. Depois de Santarém existiam também diversas Ambulâncias da Cruz Vermelha e dos Bombeiros na estrada a prestar ajuda e apoio aos peregrinos!

1º Dia
Até ao Parque das Nações

A Caminho

Saida de casa as 6h30 para apanhar o primeiro autocarro até ao Colombo e dai o metro até ao Parque das Nações.

As pessoas olham-me de maneira "esquisita" talvés por verem um tipo de quase 40 anos de mochila as costas... eu por outro lado tenho uma sensação de distanciamento desse mundo... sinceramente quero-me afastar dele... reparo insistentemente no rosto triste, amargurado das pessoas. Nessas faces vejo a angústia o sacrificio quase escravo que a nossa sociedade vive... casa - trabalho - casa... sinto-me liberto desse mundo .... estou a caminho... o meu caminho...

Na memoria não esquecerei o "quadro" quase de um Goya da jovem mãe no banco do Metro a dar o peito á sua filha... o cansaço estampado no seu rosto... o seu ar de criatura escrava de rosto amargurado... a caminho do infantário onde iria deixar a sua filha antes de ir trabalhar... sinto o coração apertado...

Chego as 7H45 ao parque das Nações ...Pala Siza Viera... ali estou eu ancioso, nervoso, curioso.... enfim com uma vontade enorme de conhecer o grupo e começar a caminhar.

A CAMINHO.
Parque Expo / Azambuja

Após a oração saimos do Parque das Nações, esperam-nos 40 km de caminhada!!!

Em vez de seguirmos pelo caminho do Tejo seguimos pela N 10. Os carros, a poluição, as bermas estreitas ... surge a primeira constatação! apesar de serem mais 4 km (???) e mais seguro ir pelo caminho do Tejo.

Mal tinhamos andado 10 km e já aparecem bolhas...

Com cinco horas de atraso chegamos a Vila Franca de Xira após 4 Km na N 10 com uma berma reduzidissima ( o Caminho do Tejo também faz este trecho).

Um pequeno descanso ... a Suzana tem os pés completamente cheia de bolhas.... como não vai em promessa segue de carro para casa de uma colega de trabalho e depois para a Azambuja ... leva as nossas mochilas.

Apesar de estarmos mais "leves" o cansaço fez fortes estragos...

Entre Vila Franca e a Azambuja seguimos pelo trecho marcado do caminho do Tejo... todo em asfalto, com alguns aceleras pelo meio e uma quantidade enorme de cheiros nausiabundos vindos de águas (será que aquilo era água???) poluidas provocados por algumas industrias... (onde anda o Ministério do Ambiente???).

Na Vala do Carregado foi doloroso recomeçar a andar as solas dos pés estão doridas, os musculos das pernas dõe... estou preocupado com o dia seguinte, tal como o Carlos Maia por causa da tendinite.

Após uma paragem no posto de apoio da Cruz Vermelha em Vila Nova da Rainha (este foi o primeiro de diversos que encontramos) seguimos para a Azambuja onde chegamos á 1h30 da manhã!!! Somos acolhidos pelos bombeiros daquela povoação com um quarto improvisado (a sala de formação) um belo banho quente e cama.

2º Dia
Azambuja / Santarém

O Descanso

Saimos da Azambuja ás 9h40 o que eu previra aconteceu ... estou com os pés durissimos, os musculos doridos. O dia vai ser duro fazer os 24 km (???) até a Santarém!

Vamos seguir por uma estrada nacional, desta feita pela 365, e poupar 6 km ao do Caminho do Tejo!... desta vez eu fui verificar as contas não batem certo, as distâncias das placas estão erradas!!! e não contam os kms dentro das povoações!!!! No caminho do Tejo estam de ponto a ponto ou seja ex.: a primeira etapa começa no parque das Nações e termina no jardim de Vila Franca de Xira são exatamente 29 km. Por outro lado aceito que este foi o caminho que Deus quis que eu fizesse!!!

Tive problemas com assaduras que provocaram-me mau andar e criaram problemas nos joelhos... mas uma vez valeu-nos a Cruz Vemelha desta vez do Cartaxo (pessoal os "Tim-Tim's" ficaram porreiros) e onde almoçamos por €4 sopa, prato, pão, sobremesa e bebida!!!
Quase a chegar a Santarém já depois de Vale de Santarém o "chefe de fila" teve de dar os primeiros socorros a um peregrino que teve um ataque, vindo a saber depois que este faleceu... isto só nos leva a refletir em dois pontos.

1º - uma peregrinação não é uma corrida que tem que ser feita no menor tempo possivél é sim tempo de comtemplação, meditação, e oração.

2º deve-se consultar um médico antes de iniciar uma caminhada destas...

No final a subida para Santarém (ufaaa ...) chegamos perto das 19H45... mais uma vez valeram-nos os bombeiros, desta vez os escalabitanos, apesar de terem um quartel bastante antigo todos os anos recebem nesta época do ano, algumas centenas pessoas, seja para tratamento, descanso ou pernoita (do dia que ficamos estavam 120 pessoas para dormir).
Tomei um banho... não jantei ... fui no pronto socorro fazer uma massagem nas pernas e pés e dormi até.... ás 2H30 da madrugada!!!! Um grupo enorme que saiu aquela hora (???) fez uma barulheira enorme e todos acordamos ... valeram as "bocas" e as risadas.. voltei a adormecer ...

3º Dia
Santarém / Alcanena

A chegada

Acordo... silêncio.... olho o relógio, são 8H10... viro-me... hein ???? ....no salão onde na noite anterior estavam 120 pessoas estava apenas o nosso grupo ou seja 8!!!

Tento levantar-me o meu joelho está muito dorido...

Primeira dificuldade... a descida na saida de Santarém... 30 minutos para fazer algumas centenas de metros... (por favor "santinhos" não ajudem!!!).

Vale o apoio e a conversa com o meu companheiro Carlos Maia ... apanhamos de novo um trecho do "Caminho do Tejo" sempre por asfalto mas que retira os peregrinos das estradas mais movimentadas.

Ao chegarmos de novo a N3 o "chefe" coloca-nos a questão. Vamos pela nacional ou pelo caminho do Tejo? Nesta altura só nos resta mesmo seguir pela nacional, as dores no joelho e nas solas nos pés não me deixam alternativa, seguimos pela nacional. Ai contaremos contar o apoio a 15 km (mais uma vez os kms estão errados!!!) em Torre do Bispo.

O pessoal da Cruz Vermelha de Torre do Bispo tratou-me dos meus pés... fantástico!!!

Voltamos a parar em Pernes e dai para Alcanema, com a povoação de Louceiro a provocar-me quase um ataque cardiaco, uma enorrmmeeeeeee esperava-me!

Em Alcanema da placa da povoação está colocada a uns 4 km do centro da povoação!!!

O salão estava cheio... estou estafado mas feliz. Encontro um familiar...
Jantamos todos no Atlético Clube também por um preço bem acessivél ou como diz o Carlos "precinho camarada".

4º Dia
Alcanena / Fátima

O Santuário

Voltamos a caminhar sem mochilas os pais da Suzana vão caminhar nos acompanhar até Fátima a pé e o carro vai levar as mochilas.

Volto a encontrar o Caminho do Tejo e a sua sinalização precária (quando falo isso estou a fazer a comparação com o Caminho de Santiago), muito mato junto dos nonolitos e muito espaço sem informação... ou seja é facil perdermo-nos ou termos dúvidas (e eu tive mesmo com o roteiro). Isso só prova que é necessário que se faça mais marcações que se limpe os locais onde estão os monolitos... se por acaso alguém estiver interessado vou tentar organizar algumas caminhadas para marcar melhor o caminho, junto com os escuteiros peregrinos, é preciso cuidar desta rota... não basta cria-la e necessário preserva-la e porque não altera-la !!!

Sinto-me muito bem apesar do joelho estourado... o problema são as descidas ... por mais pequenas que sejam!!!

Um almoço fantástico preparado pela mãe da Suzana (um grande obrigado!!!) e o primeiro perdido!!! Alias perdida ... a Esperança enganou-se no caminho mas o "chefe" Varela rapidamente encontrou a nossa companheira...

O restante da viagem foi uma alegria enorme ... uma grande conversa com o amigo Carlos Maia... e... uma BOLHA!!!!!!!!! Não acredito ... no último dia ... nos últimos kilometros ... uma bolha!!! Nossa Senhora não queria que eu ficasse sem uma bolha!!!

Chegamos a Fátima e a sensação ao entrar no Santuário... bom experimente! Levante-se da cadeira ... deixe o computador... vá caminhar até Fátima!

Não vou falar da procissão das velas, da ida de Nossa Senhora para o Altar Mor e da Missa da Despedida porque acho que isso depende do caminho de cada um. Só uma coisinha... vou voltar!!!
 

Enviado por Alex
 
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