Diário de Alex - Com "ampolhas" nos pés

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Caminho Português
Alexandre Santos Rato

Redondela – Pontevedra debaixo do Sol

Acordei deliciosamente com a claridade que entrava pela janela, havia deixado o postigo ligeiramente aberto na noite anterior. Olhei em redor e fiquei sobressaltado com o facto de somente se encontrar um peregrino (e de saída) no albergue.

Ergui-me, coloquei os pés no chão, sem dores... Óptimo... Corri para os balneários lavei-me e fiz a barba.

Olhei para o relógio, eram quase 8 horas recolhi a roupa... Arrumei a mochila... Ao calçar as botas senti que ia penar... Devagar se vai ao longe.

Deixei as chaves na recepção do albergue, fechei a porta atrás de mim e a história... Ao colocar os pés fora do albergue senti uma imensa gratidão por poder estar a fazer o caminho... Agradeci a S. Tiago por esse facto e pedi-lhe para que continuasse a dar força, a guiar e a proteger o meu caminho até si.

Pouco depois (+/- 500 m) parei num café para poder tomar o pequeno-almoço... Uma meia de leite e um croissant com queijo e matequilla... e, um café.

Apesar de curta, esta etapa foi desgastante (as “más” condições dos meus pés) devido aos trechos de empedrado irregular e à muita pedra solta. Por outro lado a vista que se encontra compensa tudo.

A caminho de Sotoxusto encontrei o primeiro restaurante com o menu do peregrino pena que fossem 9H00 da manhã...

Subindo até ao alto da cabaleira observa-se uma das mais belas vistas do caminho... A ria de Vigo.

Apesar das bolhas, a alegria que sinto a cada passada é indescritível e assim entro em Arcade terras das ostras "Portuguesas"!!!

Passo pelo posto de turismo e pergunto se podem carimbar a credencial... Não tinham carimbo e disseram-me para ir ao posto da Guarda Civil. Pelo meio do casario encontro um Xacobeo que me é familiar e lembro que foi onde os Manuel Varela e os escuteiros tiraram uma foto... Tiro igualmente uma fotografia.

Sigo o caminho e sem dar por isso encontro-me em Ponte Sampayo. Logo após a ponte subo pela direita, pelo meio das casas de pedra e logo depois desço até à ponte romana de Ulló onde aproveito para me refrescar e molhar as botas.

Caminho cerca de 1,5 km por entre campos cultivados e diversas árvores de frutas (maçãs... maçãs do Caminho)...

Depois de tanto subir vem uma descida e logo depois uma fonte... São quase 13H00 aproveito para comer algo e refrescar-me... Os pés ardem dentro das botas... Sinto-me fisicamente muito bem.

Sigo caminho até Stª Marta de Gandron encontro uma venda na qual compro água e fruta deliciosa.

Daqui até Pontevedra é um caminho de asfalto sem história... Apenas muito calor e tempo para pensar... E uma fonte construída por uma associação do caminho... O albergue fica logo após passar debaixo da linha dos caminhos-de-ferro do lado direito. Do lado esquerdo fica o Hostal del Pelegrino o que provoca muita confusão (a mim provocou).

Cheguei às 15H30 à porta do albergue ainda fechado onde encontrei dois peregrinos espanhóis.

Os meus pés... Este albergue apesar de uma linha moderna é muito funcional. Depois de um banho, saí para tentar encontrar uma farmácia mas depois de muito andar desisti... Era feriado também na Galiza e a farmácia de serviço muito longe. Aproveitei para jantar no Centro Comercial que existe na estação dos caminhos-de-ferro e ir até ao ciber café enviar noticias para o e-group.

De volta ao albergue aproveitei para comprar um livro a pedido do Djalma. Um ciclista deu-me uma pomada para tirar dores dos pés... Fantástico!!!

Uma "figura" misteriosa ficou no albergue... Cabelos e barba grisalhos... Ambos até a cintura. O seu "jantar" sementes e chá.

Durante a noite acordei várias vezes com o cheiro aromático que saía do seu alforge... A cada acordar uma sensação diferente... A sensação era estranha, muito estranha!!!

 

Enviado por Alexandre Santos Rato.
 
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