Diário de Alex - Com "ampolhas" nos pés

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Caminho Português
Alexandre Santos Rato

Pontevedra até Padron - A Caminhar se Faz o Caminho

Saí do albergue no meio da escuridão... Seis da manhã. Quer seja pela escuridão, quer seja pela sinalização escassa, a verdade é que foi difícil sair da cidade. Uma hora para começar a caminhar em direcção a Alba.

Caminhar a esta hora tem o inconveniente dos sustos que se apanham com os cães! Embora presos não nos escapamos do susto e do alarido provocado.

Segui até Alba e daí para Goxilde pena que a capela estava fechada.

No bosque de Reinz segui por um caminho de pedras soltas no meio de muros... Um sossego avassalador uma solidão física imensa. Um pouco mais à frente atravessei a linha férrea e segui pelo meio de bosques.

Chego a Caldas com dificuldades enormes está muito difícil caminhar, as bolhas estão a deitar sangue...

Na Fonte de águas quentes coloco os pés de "molho"... Decido ir ao centro médico. Fui prontamente atendido, fizeram o curativo e fui medicado... A médica aconselhou-me a ficar na cidade nesse dia...

Saí do posto médico com muitas dúvidas entre ficar e seguir... A sensação (certeza) que tinha (e continuo a ter) era de que se ficasse em Caldas não caminharia no dia seguinte... Decidi ir a um café beber uma água descansar e a solução viria ...

Ao colocar o pé fora do café do lado da Igreja de S. Tomás, tinha a certeza que chegaria a Padron... E com uma alegria fora do comum assim segui em direcção à Calle Real para sair da cidade.

Passei pela ponte de Bermaña e logo depois encontrei a capela de S. Roque. Atravessei a N550 e segui em direcção ao vale de Bermaña por entre campos cultivados até atravessar de novo a 550 em Campo. Daí segui em direcção a Gurgulion onde num pequeno supermercado tomei um refrigerante e aproveitei para comprar água e fruta.

Daqui até Valga caminhei entre bosques... Ao lado da auto-estrada que segue para Santiago e de novo por entre bosques. De referir apenas a sinalização no meio do bosque antes de Valga (Monte de Albor) a sua fraca sinalização ... No final da descida existe um cruzamento virei à esquerda, (a via em frente também segue pela esquerda) apenas sinalizada numa pequena pedra no início da encosta e meio coberta de terra...

Daqui atravessei o Rio Valga e caminhei a subir por Pedreira e Cimadevila. Inicia-se um caminho de terra entre pinheiros pena (pelas valas laterais que estão a ser construídas). Vai ser asfaltado esse caminho... A alegria que sentia ao sair de Caldas permaneceu inalterada!

Ao chegar perto de Cesures, caminhei do lado de valas de água... Refrescante... Fiquei sem ver uma seta durante 1 km... As suas gentes simpáticas desejando-me um "bom camino" ou enviando um abraço para o Apóstolo.

Perdi-me!!!!!! Perdi-me e não acredito!!! Estou na N550 a 3 km de Padron... um inferno... Muitas viaturas... Muita confusão principalmente depois de atravessar a ponte... Estrada sem bermas... Estou esgotado... Parei 5 vezes antes de chegar ao albergue... UM DESESPERO... Pela primeira vez desde Caldas sinto-me esgotado... Exausto... Sem forças... Chego ao albergue praticamente lotado.

Apesar de muita gente simpática e de grande camaradagem só houve tempo de ir aos balneários, comer fruta uma barra energética, tomar uma aspirina e adormecer com o receio de adoecer...

 

Enviado por Alexandre Santos Rato.
 
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