Diário de Alex - Com "ampolhas" nos pés

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Caminho Português
Alexandre Santos Rato

Padron até Santiago - Com os Pés no Chão

É Sábado, saí às 8h00 do albergue. Sinto-me bem mas com a nítida sensação de que vou desmaiar a qualquer momento, andar é um sacrifício as bolhas pioraram... Sei que não posso parar e que tenho de tomar um bom pequeno almoço... Só encontro uma confeitaria na saída de Padron já na 550... Quase desmaio... A sensação de pânico instala-se em mim... Respiro fundo quase a chorar com medo de não conseguir mais caminhar... Alimento-me devagar... Muito devagar... E a pouco e pouco vou-me sentido melhor... A confiança e a força vão regressando... Pouco a pouco.

Depois de descansar uma boa meia hora e de me sentir melhor é hora de voltar ao caminho.

Junto do Santuário de Esclavitud páro para tomar um café e comprar água... Um senhor dirige-se a mim. Desde que sai de Valença já me vira diversas vezes pois estava a dar apoio à sua filha e um amigo que se encontravam cerca de 1 / 1h30 atrás de mim... Agradeci a esse senhor.

Tal como até essa altura, nunca mais voltei a ver este senhor... Só gostaria de lhe agradecer por sentir-me protegido como se de um anjo da guarda se tratasse. Esta parte do caminho é fértil nos passeios por entre vinhedos, por se passar em pequenas povoações como Suso e outras... é incrível como existem povoados onde não se vê vivalma!!!

Passo por TEO e o seu novo albergue, páro um pouco depois para me alimentar... Depois de bem alimentado sigo caminho. Os meus pés estão piores, tenho de parar pois já não aguento... Descalço as botas... O alivio é imenso... Descanso um pouco... Volto a calçar as botas as dores voltam... Lembro o alívio dos pés fora das botas... Descalço-me... Sigo descalço!!!

Quem me visse iria pensar que estaria louco, mas nada disso importava... O alívio era tão grande que nada importava, assim segui pelo caminho de Agrela até quase Milladoiro onde voltei a fazer uma curta paragem para voltar a calçar-me e... Perder-me!!!!

Fiquei sem ver setas mais de 1km e na saída de Milladoiro decidi ir para a 550... Atravessei a ponte sobre o Sar e vejo à minha esquerda a ponte que deveria ter atravessado e lá no alto a eléctrica!!! No cruzamento onde desci para a 550 deveria ter seguido em frente... Decido ir em busca do caminho e encontro-o. Entro na cidade do Apóstolo pela porta da Faxeira, a porta do caminho Português... O resto... Bom o resto é muita emoção, alegria, lágrimas e muita felicidade e porque não um sabor de dever cumprido por ter conseguido o que tinha prometido mas principalmente por estar perto do Apóstolo.

Só não sabe o que isso é quem nunca fez o caminho por isso a próxima vez.

 

Enviado por Alexandre Santos Rato.
 
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