Artigos Peregrinos

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Crônica de um peregrino alucinado
Manoel de Brasília
Tinha sido um dia infernal.

Tudo que planejara tinha dado errado.

Pretendia chegar a Madrid, e de imediato pegar o metrô, e em seguida o trem para Pamplona.

A viagem até Madrid tinha sido simplesmente inusitada. A senhora que viajava ao seu lado em plena travessia do oceano teve um enfarte. Como não havia meios de retornar o piloto achou melhor o prosseguimento da viagem. Aquelas horas em companhia de um cadáver ao seu lado ficaram gravadas na sua memória.

Quando desceu ainda transtornado no aeroporto de Barajas não deu-se conta do que ainda tinha que andar até encontrar a saída para o metrô. Após alguns desencontros do local chega finalmente ao metrô. Nas trocas de uma linha para outra estava mais perdido do que cego em tiroteio. Mas finalmente chegara a estação do trem, mas o mesmo acabara de sair, e o próximo só ao entardecer.
Enquanto aguardava o próximo trem pensava em tudo que tinha acontecido. E resignado acreditava piamente que fazia parte do seu caminho.

Quase ao final da noite chega estropiado em Pamplona e não viu a menor graça na tal viagem ditas por muitos como maravilhosa. A sua salvação foi ter o telefone do " Seu Pedro" que apesar da hora o socorreu prontamente levando-o para sua casa.

No dia seguinte finalmente iria iniciar a sua caminhada em Saint-Jean-Pied-de-Port.

Bateu na cama e dormiu profundamente.

Uma névoa cobria todo o ambiente e a estradinha asfaltada é que determinava o próximo passo a seguir. Ainda bem que a tal trilha de Napoleão transformou-se em uma estradinha de fazenda. E no meio do nada escutou uns ruídos compassados de passos pesados. A silhueta da imagem estava mais para Robocop do que peregrino.

Em suas costas uma mochila pra lá de grande. Devia ter uma capacidade de mais de 100 litros, e com certeza deve ter sido uma encomenda especial confecionada pelo Natanael.

Com a proximidade da figuraça pode perceber que adaptada as enormes botas uma pesadíssima chapa de ferro com garras pontiagudas para baixo. Amarrado na cintura elos de corrente. E para seu espanto também ao redor do pescoço uma grossa chapa de ferro.

Companheiro!!! balbuciava ... por que tanto peso!!!

É para me proteger do ventinho de mais de 100 km por hora que está por vir.

Então retruquei. Ventinho acima de 100 km por hora será um tornadinho e irás voar da mesma forma!!!

É um peso inútil que carregas.

Então respondeu... Estou acostumado a carregar mais peso ainda. Ainda faltou o botijão de gaz que não me deixaram trazer no avião.

Estas mochilinhas com 10% do peso corporal é coisa de maricas. Quem não aguenta peso como eu tem que ficar é em casa.

Você ainda não viu nada. Minha companheira já vai lá na frente com idêntico material e mais uma barraca de 5 kgs.

Logo em seguida inicia uma ventania infernal. O peregrino robocop é alcançado pelo olho do tornado e começa a voar igual a uma vaca louca. Em seguida passa a mulher montada no pau da barraca igual uma bruxa. Agora aproxima-se do local onde estava o nosso amigo que começa a gritar enlouquecido.

Sente uma terrível dor nas costelas e um berro estridente. Acorda homem!!! Além de roncar igual a jumento ainda gritas palavras insandecidas ao longo da noite.

Ou abandonas as listas do caminho de Santiago ou vais dormir na casa do cachorro!!!
Enviado por Manoel
 
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