Artigos Peregrinos

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Hospitaleiros e hospitalidade
José Meireles
Uma das coisas que recordo do caminho foi um dialogo com Joaquin que me informava que peregrinos não tem direito algum no caminho, é um homem sem nenhum direito. Julian arrematava o que significava a frase: não tem direito a exigir água quente, não tem direito a exigir sorriso ou cama ou o que seja... todos estão no caminho por sua própria vontade (Volutas).

E o mesmo se sucede com os hospitaleiros, em sua maioria estão lá por voluntariado, mantendo viva uma ilusão que para muitos não tem sentidos e para outros todo o sentido. Retruquei que tudo o que não tinha direito me era dado, em muitos casos, até mais do que esperava. Eram pessoas que iam muito alem do seu dever! (Alias há uma frase de W.S.Churchil: "se quiser destruir o seu país, faça apenas o seu dever...").

Porque da conversa, indaguei? e ouvi: exija água quente e veja a reação do hospitaleiro, exija isto ou aquilo: veja como reagirão.... é para que saibas que os peregrino é são os humildes e também felizes por ver a generosidade. Sabem porque os hospedeiros são assim? Talvez audiência não saiba o trabalho dá para manter o show....

Então vejamos: temos solidariedade, companheirismo, amizade, humildade e generosidade e serviço. Mas uma outra virtude é muito exigida no caminho, sem ela não se chega a Santiago, é pouco provável chegar sem ela: DISCIPLINA.

não sou e não fui militar, mas é uma qualidade que se recente quando não se tem: A DISCIPLINA é essencial para muitas coisas: ...Acordar cedo, se por em marcha, arrumar a mochila, planejar as etapas, chegar nos horários aos locais que se necessita chegar: tiendas, restaurantes, bancos, correios, etc. (os horários são diversos dos nossos).

A disciplina de deixar suas coisa bem arrumada em cima de sua cama, sem usar as demais, pois mesmo que ainda não tenha dono, logo outro peregrino estará chegando... a disciplina de tomar banho e limpá-lo (la fregona..) ... a disciplina de utilizar-se dos tanques... de usar os varais....(imagine o que diria o Hospitaleiro se ouvisse: ... este refugio tem 40 metros de varais e 20 camas... então eu tenho direito a dois metros de varal...alguém pegou o meus espaço... tome providencia..) ...de não deixar as botas jogadas pelos corredores... a disciplina de ter certeza que o cajado não vai cair no meio da noite... a disciplina de ter a mão a lanterna apos apagar as luzes as 10 hs... a disciplina do rolo do papel higiênico... a disciplina do acordar as 5 horas e não importunar (demasiadamente) os outros... a disciplina de usar a cozinha comunitária.. a disciplina de recolher a roupa... a disciplina de deixar a mochila pronta para o dia seguinte... desjejum comprado...

Tem muitos aspecto a disciplina... antes de mais nada é um seguro contra desanimo porque ela é uma ordenadora de vontade, uma determinadora de ação e nestes dois aspectos ela age sobre a índole do usuário (catalisador e amalgama de VONTADE/ACAO).

E a um outro fator que refere-se a disciplina: o LIMITE, ela o impõe... mas não como um castigo/restricao ou uma determinação externa, é o limite do seu espaço e espaço do outro... e neste ponto aquilo que eram visto como disciplina passa a ser visto pelo grupo de outros peregrinos, como sendo o RESPEITO que você tem a eles, e ele retribuem com mais... criou as regras... foram observadas pela condutas de seus pares....

Neste ponto você reflexiona um pouco... imagine a cena: um peregrino chega ao meio dia no pueblo e o albergue abre as 16h00, tem portanto a oportunidade de gozar do local e prosseguir até o próximo local... naquele momento passa o albergueiro olha o peregrino e vai para as suas lides (ele é voluntário do local).... as quatro horas sai da prefeitura e vai prestar serviço no albergue (o albergueiro também é prefeito).... vê aquele mesmo peregrino e lhe pergunta se esta bem de saúde e recebe um sim, estou muitíssimo bem. Indaga: então porque não caminhou a tarde? Neste ponto é alertado que o peregrino anda o que pode e não o que quer... e também que se houver um peregrino estropiado que chegue as 20 ou 21 horas serei obrigado a dar a sua cama a ele. Tudo bem?

Suponhamos que as 20h00 chegue um peregrino cansadíssimo, problemas para andar, que tivesse andado o dobro daquele garoto. Albergue lotado, se vê moralmente a tomar uma atitude e pede ao primeiro para que ceda o lugar a este ultimo. Este se recusa e esta feita a discussão. Todos tem uma opinião, o assunto e controverso, e os recém chegados tendem a analisar equivocadamente o fato. Imaginem como se desenrola a cena ficta...

Refugio é palavra séria, antigamente refúgio tinha a conotação de SANTUARIO. Campo neutro, campo sagrado. E aqueles que zelavam pelo refugio zelavam pela sacralidade da guarida.

Neste ponto poderiam surgir os direitos: cheguei primeiro, tenho direitos... é somente uma reflexão... mas quando se falou de disciplina poderia muda a palavra para RESPONSABILIDADE... responsabilidade poderia substituir a palavra DISCIPLINA sem que nada fosse perdido...

Neste ponto me pego perguntando o que te levou a escrever isto? O que acontece no caminho com o hospitaleiro de Castrojeriz pode acontecer com outros hospitaleiros... Sinceramente não sei muito a respeito as albergueiras e aos albergueiros que nos dão hospitalidade, em uma escala muitas vezes maior que ousássemos supor ou que dispussemos a conceder aos outros... julgamos com o nosso parâmetros... mas eles não nos julgam ... nos recebem e nos dão o seu carinho e as vezes alguns conselhos...

Concluindo: No caminho vemos muitos hospitaleiros dizendo: não temos água quente, não temos isto ou aquilo... ou o que temos é isto... te quedas o no? Se ficas, eles de dão muito mais do que eles alegam não ter... se te fores nunca ira saber o que perdeste....
 
Enviado por José Meireles
 
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