Artigos Peregrinos

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Cátaros
José Meireles
JULGAR É CEGUEIRA

É muito fácil julgar os outros quando não nos colocamos na mesma situação deles.
Um exemplo ocorreu no Congresso Comunista do Partido Comunista, quando Nikita Khruschev - para espanto do mundo - denunciou os crimes de Stalin.
Durante o discurso, alguém gritou:
"Onde estavas, camarada Khruschev, enquanto os inocentes eram massacrados?"
"Levante-se quem disse isto", pediu Khruschev.
Ninguém se mexeu.
"Seja você quem for, já respondeu a sua pergunta", continuou Nikita. "Naquele momento, eu estava na mesma posição em que você está agora".
(Dezembro de 1995)

Desculpem me se antes de enviar o texto relativo aos Cátaros envio este fato acima, pois acredito que não se deva tomar partido com a historia, apenas aprender com ela, tirar as lições possíveis.

Primeiro, minhas opiniões sobre o fato:

a) Aquele que deveria proteger a cidade, preferiu tomar medidas táticas para assegurar outros objetivos pois sabia que aquela cidade era INEXPUGNAVEL, jamais seria conquistada.

b) Da mesma forma, o respeito pelo inimigo é uma coisa primordial e de transcendental importância... ainda hoje perdemos títulos de campeonatos (versões moderna de batalhas de outrora onde chutavam-se as cabeças dos inimigos)... Desrespeito pelo inimigo sempre implicou em derrota, seja no futebol moderno seja nas batalhas de outrora, vejam o contexto no texto (rimou...)

c) Foi uma batalha campal, pior que corintians x palmeiras ou fla x flu, onde um gaiato foi atiçar o adversário comentando algo indevido sobre alguém da família... um correu atrás do outro, as torcidas enfurecidas degladiaram-se sem qualquer disciplina... assim vejo aquela batalha..

d) Morreram católicos mortos por católicos, morreram os andrajos que possibilitaram a batalha...

e) Por causa da inconseqüência e infantilidade de alguns CATAROS ou moradores daquela comunidade, todos pagaram com suas vidas. Os exércitos não estavam sobre o comando dos militares preparados para as regras da guerra. Não houve uma conquista, apenas a inconseqüência levada ao extremo.. onde um infeliz de um clérigo falou aquele absurdo... que de tão horrorizante se repete amiúde... Não se divulga a irresponsabilidade e suas conseqüências futuras... mas tendenciosamente uma fala fora de um contexto da própria Igreja Católica, duvido que o papa quisessem a morte de tantos e de forma tão insidiosa, criminosa, SANTUARIO É SANTUARIO, é inconcebível para qualquer guerreiro que tenha honra: matar-se dentro de uma igreja... O extermínio, massacre, só se justifica com a turba fora controle e foi isto que houve... Os guardiões de Santuários não permitiriam sua esta barbárie, a sua descaracterização... simplesmente é inominável... é inaceitável tanto que nas negociações futuras isto era impensável...

f) Eu não estava lá e o texto envio foi extraído do ENIGMAS DO OCIDENTE, OS CATAROS, MICHEL PICAR, publicações Europa américa...

g) Walter Jorge e Cláudio e Amigos: outras implicações dos questionamento inicial: quanto a Jesus que não era o Cristo para os Cátaros, Templários e riquezas me manifesto posteriormente... me restringi aquela frase matem todos porque Deus reconhecerá os seus.... asseguro que ela é verdadeira: DEUS sempre soube e saberá reconhecer os seus... e a morte, para ELE é ilusão de nossos sentidos! Embora relutemos em acreditar, seja qual for a boca que profira estas palavras...

FACE A FACE

A cruzada recebe o qualificativo de Albigense em memória do contraditório encontro que teve lugar em Albi, em 1165, entre católicos e cátaros.

Depois de ter aguardado durante meses o sinal de par­tida, os senhores do exército do Norte querem agir rapidamente: concedem a si próprios quarenta dias para alcançar a vitória.

Eles sabem que uma tropa tão numerosa tem falta de disciplina, que o reabastecimento de víveres poderá ser difícil de conseguir e que poderão surgir discussões entre os seus elementos. Com efeito, o clima entre os chefes não é o ideal. 0 conde de Nevers e o duque de Bourgogne estão zangados.

Nesta direção facilmente quesilenta veio intercalar-se o conde de Toulouse em pessoa, desejoso de provar até ao extremo a sua fidelidade à Igreja e ao papa.

O grande exército dos cruzados avança em marcha forçada. Em quinze dias chega a Montpellier.

Inquieto com um avanço tão pronto, convencido de que vai ser a primeira vítima daquele maremoto, Raymond Roger Trencavel, sobrinho de Raymond VI e visconde de Béziers e Carcassonne, implora, por sua vez, a clemência da Igreja.

Os bispos e os arcebispos riem lhe na cara e mandam-no de volta à sua cidade. A cruzada foi lançada e a partir dali é inconcebível que os seus participantes sejam privados dela.

O conde de Toulouse compraz-se secretamente com a recusa expressa a um sobrinho que, alguns anos antes, rejeitava o tratado de aliança que o tio lhe propunha.

De imediato o visconde toca a rebate. E preciso prevenir os seus aliados: Béziers vai ser cercada!

Eles vieram assim que ouviram, e vieram tantos em socorro de Béziers que aqueles que os viam diziam que havia gente suficiente para combater o mundo inteiro, e, por outro lado, a cidade era quase inexpugnável.

Mas, para grande surpresa dos dois defensores, o visconde prefere, depois de ter deixado em Béziers (uma boa e grande guarnição, retirar para Carcassonne, fazendo sair com ele os cátaros e os judeus odiados pelos católicos).

O MAIOR MASSACRE

No dia 21 de Julho, os cruzados instalaram-se nas margens do Orb, um pouco abaixo das sólidas muralhas de Béziers. Apesar da partida do seu suserano, que achou mais eficaz lançar o contra ataque a partir de Carcassonne, soldados e civis, católicos e heréticos organizam solidariamente a defesa da cidade. Qualquer que seja a corrente religiosa a que pertencem, os occitãos sentem a chegada dos cruzados antes do mais como uma ameaça para o seu território e para a sua civilização.

No dia seguinte ao da chegada dos Franceses, quando parecia que nada se iria passar, a cidade é tomada de as­salto graças a um erro cometido por um grupo de habitantes. Com efeito, algumas dezenas de sitiados decidem sair da cidade para ir zombar do inimigo mais de perto. De re­pente, sem que nenhuma ordem de ataque tivesse sido lançada pelos assaltantes, o chefe dos peões avança, seguido pelos seus homens, mendigos e vagabundos andrajosos. Sem sequer uma arma para combater, ei-los correndo sobre o inimigo.

Surpreendidos, os habitantes recuam em desordem, pedindo aos que estão dentro das muralhas que venham em seu auxílio e que deixem as portas abertas. Neste instante, joga-se a sorte da cidade fortificada. Os peões chegam junto dos muros, transpondo a entrada sem que se possa distingui-los dos defensores, e assim permitem aos cruzados ganhar uma batalha para a qual estes ainda não tinham tido tempo de inventar uma estratégia.

Nas ruas da cidade gera-se o pânico e dá-se uma carnificina cujas primeiras vítimas são os civis. Muito poucos dela escaparão. Galvanizado pela fala do legado, Arnaud Amaury, abade de Citeaux, que teria gritado, na fase mais quente da batalha: "Matai os a todos, Deus reconhecerá os seus!-, o exército de Deus não poupa a vida a ninguém. A Igreja onde se tinham refugiado mulheres, crianças e doentes é transformada num local de execuções sumárias. Vinte mil vítimas foram contadas com glória pelos assaltantes. Ali ocorreu o maior massacre que jamais se fez em todo o mundo, pois não se poupou nem velhos, nem jovens, nem sequer as crianças de leite: todos eram abatidos e mortos.

Vendo isso os da cidade retiraram, aqueles que puderam, tanto homens como mulheres, para a grande Igreja Saint-Nazaire: os padres deviam fazer soar os sinos quando todos estivessem mortos; mas não houve som nem sino, pois nem os padres vestidos com os seus hábitos: foram todos nem os outros membros do o clero ficaram vivo , passados pelo fio da espada, nem um só escapou.

Para terminar, propagou-se um incêndio pela cidade muito provavelmente aceso pelos peões e outros civis que alguns soldados tinham afastado dos despojos de que eles contavam apoderar-se.

Após a efusão de sangue em que terminou a tomada de Béziers o cerco de Carcassonne não será marcado, contra todas expectativas, morticínio semelhante.

O exército cruzados avista no primeiro dia de Agosto as muralhas da imensa fortaleza que se estende sobre o Aude. Os poucos dias que foram necessários aos soldados do papa para chegar até ali permitiram preparar a réplica. Ao abrigo das muralhas da cidade reunia-se a maioria dos vassalos e súbditos de Raymond-Roger Trencavel.

O rei católico de Aragão, temendo um holocausto semelhante ao de Béziers, oferece a sua mediação:
O Visconde, exclama ele em substância, não vejo outra solução para vos tirar deste vespeiro que não seja a de um acordo. Temos de o obter junto dos barões de França, pois não tendes nada a esperar de um confronto pelas anuas. Olhai para as crianças e as mulheres que nesta cidade esperam tudo por vós e a quem talvez devais o facto de esta cidade não ser já um monte de ruínas.

A proposta de Pedro II de Aragão ilustra bem o sentimento de solidariedade que se via despontar durante os preparativos da cruzada, que se exprimiu em Bézíers e se concretiza de novo face ao perigo que ameaça Carcassonne.

Ele corresponde a uma vontade de democracia, bem implantada nas cidades do Midi, e a um predomínio do espírito cavalheiresco nas classes feudais. Os atos, as idéias e toda a vida do país estão deles impregnados e culminam na coesão, aparentemente incompreensível, de populações inteiras, com todas as camadas e convicções ideológicas identificadas no mesmo propósito.

Enquanto o catarismo se desenvolve, as principais cidades do Midi têm à frente dos seus destinos uma assembléia de cônsules. Os consulados, instituições municipais, foram criados por vontade dos habitantes, apressados em se emancipar do poder feudal. É o caso das grandes cidades como Tarascon, Arles, Nice ou Avígnon. Esta aspiração a uma vida local mais independente ocupa os espíritos quando é decretada a cruzada. A chegada dos franceses surge como um sobressalto de uma autoridade que começou a ser repelida.

A cruzada albigense dá uma oportunidade aos senhores do Midi: permite-lhes inscreverem-se no movimento que se desenha nos súbditos, reuni-los e continuar a governa-los tendo em consideração a evolução das mentalidades.

Na época em questão, o traço dominante dos costumes, no Midi, é o espírito cavaleiresco, isto é, a pretensão mais ou menos séria de cultivar as virtudes, as qualidades e os hábitos nos quais se fazia consistir a cavalaria; era o em­prego generoso da bravura e da pujança, uma bizarra combinação de requinte e de exaltação nas idéias e nas relações de amor, uma certa mistura de elegância, de polidez e de benevolência à qual se dava o nome de cortesia, porque a coisa assim chamada nascera nas cortes. Era, enfim, uma certa cultura de espírito, ainda muito poética, muito ao sa­bor da imaginação.

A TRAIÇÃO

Dois dias depois de as tendas terem sido erguidas, os habitantes de Carcassonne ouvem um cântico elevar-se nas margens do Aude. E o sinal de ataque. Os cruzados conseguem deitar abaixo algumas muralhas avançadas, ap?deram-se das habitações mais periféricas e ameaçam a cidadela. A réplica do visconde e dos cavaleiros, lançada sob um calor terrível, é fulminante. Quando os adversários se retiram, numerosos cadáveres juncam o solo, começando a apodrecer sob a ação do sol, impestando a atmosfera. Não tendo esquecido a humilhação sofrida em Montpellier, o visconde considera inútil negociar. Em compensação, recorda-se do conselho de Pedro II e pede ao rei católico que o ajude a entender-se com os assaltantes. O chefe do exército dos cruzados, Arnaud-Amaury, aceita poupar o visconde se este abrir a porta e os deixar decidir a sorte das gentes de Carcassonne. Escandalizado com tal proposta, Raymond-Roger Trencavel recusa entregar a população ao legado. O ataque é de novo lançado. A situação dos sitiados torna-se rapidamente insustentável.

O bispo, os priores, os monges e os abades gritam: 'Perdão! Por que esperais? O visconde e os seus subiram à muralha e, com balestras, atiram um bloco de granito; de ambos os lados perece imensa Rente. Não fora a afluência de povo que lá se refugiara e um ano não teria bastado para os vencer, pois as torres eram altas e as muralhas providas de ameias. Mas (os cruzados) cortaram-lhes a água, e os depósitos secaram devido ao intenso calor e ao forte es­tio. Por causa do mau cheiro provocado pelos homens que adoeceram e o numeroso gado que foi esfolado na cidade e que, vindo de todo o território, ali fora reunido, por causa dos enormes gritos que se ouvem por toda a parte, vindos das mulheres e das criancinhas em que eles tropeçam a cada passo... As moscas, na seqüência do calor, atormentaram-nos tanto que em toda a sua vida eles nunca se haviam visto em tal aflição.

Assustado com o rumor dos acontecimentos, o visconde vai ao campo dos cruzados com cem dos seus cavaleiros pa­ra tentar forçar um compromisso. Os católicos apoderam­-se de Raymond-Roger e põem-no num cárcere, preso com correntes. Desesperados, os habitantes de Carcassonne deixam imediatamente de resistir e obtêm o perdão das suas vidas contra o abandono de todos os seus bens. Significa esta graça que os cruzados estavam repugnados com a sua própria violência? Ou a perspectiva de um enriquecimento sem esforço torna-os magnânimos? Na realidade, é quase certo que os chefes católicos não desejavam ver de­saparecer o espólio que tinham ali à mão. Disso é prova a ordem impecável com que penetraram na cidade, a fim de não deixar sair do seu seio os civis ávidos e sem escrúpulos. Eles reuniram em primeiro lugar as vitualhas necessárias ao prosseguimento da guerra e decidiram propor a parte mais importante das riquezas a -um barão que manterá o território na submissão a Deus.
Enviado por José Meireles
 
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