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À volta com os Caminhos - Nem tudo é altruísmo
Martín Martinez

Martín Martinez periodista, peregrino e amante do caminho no ano 2000 escrevia o seguinte e ainda hoje depois de 6 anos, o confirma:

O Camino não tem uns limites marcados. É Camino todo aquele que seja recorrido por uma pessoa em busca da Compostela, passe por donde passe. O Camino é quem marca o peregrino. Entretanto as diferentes administrações têm considerado a historicidade e a tradição, às vezes as lendas, para marcar certos Caminos como prevalentes ou preferenciais. O Camino del Norte ou o de La Costa, o Camino Francês, o Camino Mozárabe, etc., se tem como caminos porque, entre outros aspectos,se encontram documentados como rutas até Santiago, com suas instalações hospitalarias, suas pontes sobre os rios, suas ermitas e seus monastérios. Pelo qual não é obstáculo para que essas mesmas administrações o passem por alto quando lhes dá vontade.
Até bem a entrada da década dos anos 80 do passado século, ninguém se preocupou por a delimitação de um “camino” que fazia séculos se havia perdido. Tem que lembrar-se para quem o fez que já estivesse tão esquecido, como foi aquele pequeno padre do o Cebreiro.

Elias Valinas. A partir do grande trabalho desenvolvido por este lucense visionário, os interesses econômicos, unidos ao auge que se iniciava na peregrinação e a cada ano aumentavam, os caminos foram-se multiplicando. E agora é quando cada povoado tem como patrono Santiago, uma ermita com tal dedicação e o celebram a festividade de San Roque, a Magdalena ou qualquer santo peregrino, já se crer com direito a ser incluído em a nomina jacobea. E é que tem árvores donde tirar folhas e tetas das que mamar.

As subvenções procedentes da Comunidade Europea, do Governo Central através de qualquer ministério, das comunidades autonômicas, se apresentaram como uma fralda de rico mel ao que acudir as moscas. Com elas os caminos se estão multiplicando como os fungos em outono; e em esta fantasia cada município, cada aldeia, lugar ou casebre descobrem dossiês cheios de pó – muitas vezes inúteis os que querem demonstrar o passo de um peregrino, alguns em sua teimosia antes mesmo de haver-se descoberto a tumba do Apóstolo.

De forma que, em conivência com alguns poderes estabelecidos, aparecem variantes e desvios donde jamais ouve razóes: uma paisagem mais bucólica, acurtamento do camino,eliminação de certos perigos, porque os vizinhos daquele povoado foram mais expertos que os do caminhos tradicional e histórico documentado , mas não se preocuparam.

Às vezes surgem novos Aimerich Picaud, Kuning ou senhores de Caumont que, com seus novos guias marcam um caminho que nunca existiu. O que é pior, alguns das administrações públicas que, sem sair de seus despachos, a miles de kilometros do Camino – seja o camino que seja - pontificam com referidos tomados de acá e de aculá, sem verificação do que copiam, criando dogmas que depois se repetem como os alhos e os confundem a todos em toda a sua extensão da palavra.

O modo de exemplo e para não cansar os leitores. É massificante a insistência com o que, desde faz anos, se vem pregando, nas “guias oficiais e não oficiais”, em artigos periodisticos e revistas especializadas que por general se nutrem destas ditas guias, que na Cruz de Ferro começa o Bierzo. Os de aqui, e os de além do porto sabemos que é Maragateria, pura e dura; lugar donde os arrieros maragatos situavam mentalmente suas recuas para que os cencerros
escutavam-se em Santiagomillas, Castrillo ou Lagunas.Haverá que caminhar uns quantos kilometros, repassar Manjarin, também povoado maragato, e então já se cheira a Bierzo; basta sentir o seu aroma.
Das lutas noturnas entre Santa Catalina e Santa Colomba por detentar o camino histórico, e em vez de desviar os peregrinos. De um desvio por Santibañez de Valdeiglesias, em detrimento do camino documentado com o hospital medieval, ativo até o século XIX e uma fonte chamada de los Romeros. Agora neste verão passado de 2005 foi desencadeada uma competição em Villar de Mazarife por um tira-me dali esta flecha amarela. Não faz muito tempo em Astorga se plantearam vários e sérios problemas, entre albergues e hospitaleiros, pela captação de peregrinos.

Comprova-se que, na maioria destas rixas que parecem preocupações peregrinas, o que existe é um poço econômico de maior ou menor alcance. Conseguir as subvenções de organismos superiores desatou uma febre Jacobea inusitada. O qual obriga aos bens pensantes a variar um tanto a concepção das coisas. Como em Dinamarca, no Camino algo cheira a podre. Nem tudo é altruísmo, ou acaso o é?

Enviado por Acácio da Paz
 
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